No mês do Oscar, relembre as maiores injustiças da Academia nos últimos anos

09. fevereiro 2015 Cinema 2
No mês do Oscar, relembre as maiores injustiças da Academia nos últimos anos

Premiações não são justas, isso é fato. E principalmente no Oscar, a mais famosa (apesar de nem sempre a mais coerente) premiação do cinema americano, há muita política envolvida nos prêmios. É preciso considerar, em primeiro lugar, que muitos filmes e atores merecedores de reconhecimento nem chegam a ser indicados, o que faz do Oscar não um panorama do que houve de melhor no cinema daquele ano, mas sim um pequeno recorte de uma produção muito mais vasta e diversificada.

Então, faltando menos de duas semanas para o Oscar 2015, vamos lembrar algumas injustiças já cometidas pela Academia. Só algumas, porque se fossemos lembrar de todas, a lista seria interminável.

Talvez fosse até interessante analisar cada escolha do Oscar como um discurso ideológico da Academia. Quando “O Artista” levou Melhor Filme em 2012, talvez eles estivessem dizendo que acreditam ainda num cinema mais simples, sem a pompa do 3D e dos efeitos digitais. E não premiar James Cameron em 2010 pelo pretensioso “Avatar” e, ao invés disso, dar o prêmio de direção para uma mulher – Kathryn Bigelow, por “Guerra Ao Terror” –, também tem lá sua ideologia embutida.

brokeback mountain oscar injustiça

Mas nem sempre esse discurso ideológico nos causa empatia. Só lembrar da injustiça sofrida por “Brokeback Mountain”, indiscutivelmente o melhor entre os indicados de 2006, que rendeu o Oscar de direção para Ang Lee, mas perdeu na categoria de melhor filme para o sem graça (para não dizer ruim) “Crash”. Seria uma prova de conservadorismo do Oscar?

E “Brokeback Mountain” não foi o único caso de filmes indicados que mereciam o prêmio, mas não levaram. Se o Oscar não premiou um musical (gênero que durante décadas esteve em baixa em Hollywood) em 2002, quando o inventivo “Moulin Rouge” perdeu Melhor Filme para o esquecível “Uma Mente Brilhante”, não seria no ano seguinte que os musicais mereceriam reconhecimento, já que o prêmio para “Chicago” é ainda bastante discutível. Lembrando de casos mais antigos, talvez a maior injustiça tenha sido premiar o “Rocky”, de Sylvester Stallone, em 1977, e deixar de fora o hoje clássico “Taxi Driver” de Martin Scorsese.

Scorsese, inclusive, só recebeu um Oscar de melhor direção recentemente, em 2008, por “Os Infiltrados”, que nem é um de seus grandes filmes. Mas a Academia adora isso: premiar um diretor ou ator para fazer justiça a uma carreira inteira, e não especificamente por determinado filme. E mesmo fazendo isso, grandes nomes já foram deixados de fora. É o caso, por exemplo, de Charlie Chaplin, Alfred Hitchcock e Stanley Kubrick, que nunca ganharam um Oscar.

Quer mais injustiça? Então, só analisar os prêmios de melhor ator e atriz. Só nos últimos anos, vários foram os casos.

Apesar de unanimidade, o trabalho de Meryl Streep (que na época já tinha 2 estatuetas na estante de casa) poderia ter sido reconhecido em “O Diabo Veste Prada” ou “Dúvida”, mas quiseram premiá-la justamente pelo mediano “A Dama de Ferro”, e justamente no ano que as incríveis Viola Davis e Glenn Close concorriam por seus grandes papeis em “Histórias Cruzadas” e “Albert Nobbs”, respectivamente.

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Em 2002, quando o Oscar quis fazer justiça à sua história e premiar atores negros em ambas as categorias principais, o prêmio para Denzel Washington foi merecido e indiscutível. Já de Halle Berry, que por seu trabalho em “A Última Ceia” venceu a favorita Nicole Kidman (“Moulin Rouge”), não podemos dizer o mesmo. E muito menos de Sandra Bullock, caso mais célebre de incoerência da Academia, que levou o prêmio por “Um Sonho Possível”, mesmo sendo uma atriz que, apesar de querida pelo público e com uma carreira consolidada, tem pouco a oferecer dramaticamente. Até mesmo a então novata Carey Mulligan merecia mais o prêmio daquele ano por “Educação”.

E nem vamos lembrar outra vez do Oscar de Gwyneth Paltrow, outra boa atriz, mas que talvez não merecesse ter batido grandes nomes como Meryl Streep, Cate Blanchett e a brasileira Fernanda Montenegro.

E se a desculpa para Fernanda Montenegro não ter ganho é que o Oscar não premia estrangeiros, então como explicar o merecido prêmio de Marion Cotillard por “Piaf”, ou o discutível Oscar de Roberto Benigni por “A Vida É Bela”, que levou a estatueta no ano em que ela deveria ter ido para Edward Norton (“A outra história americana”) ou Ian McKellen (“Deuses e Monstros”).

Outras incoerências recentes nos prêmios de melhor ator incluem o prêmio para Sean Penn (“Sobre Meninos e Lobos”) no ano em que Johnny Depp podia ter sido consagrado por seu grande personagem em “Piratas do Caribe” (isso antes da franquia se desgastar e de o ator entrar num looping de repetição criativa), e Matthew McConaughey (“Clube de Compras Dallas”), que se aproveitou que o Oscar adora uma transformação física intensa, e apesar do bom trabalho, tirou mais uma chance de Leonardo DiCaprio ser reconhecido pela Academia por “O Lobo de Wall Street”.

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Então, caso seu favorito não leve a estatueta esse ano ou sequer tenha sido indicado – Christopher Nolan e seu “Interestelar” que o digam! –, não se aborreça. Se nem mesmo premiações com votação popular são totalmente justas, quem dirá as manipuladas por uma Academia em geral acomodada e tradicional.