Nicole Kidman promete trabalhar com uma diretora a cada 18 meses

Nicole Kidman promete trabalhar com uma diretora a cada 18 meses

2017 é o ano de Nicole Kidman. A ganhadora do Oscar pelo filme “As Horas” não só entregou uma das melhores atuações no seriado “Big Little Lies”, como foi ao Festival de Cannes apresentar nada menos que 4 novos projetos: “O Estranho Que Nós Amamos”, da diretora Sofia Coppola, “The Killing of a Sacred Deer”, de Yorgos Lanthimos, “How to Talk to Girls at Parties”, de John Cameron Mitchell, e a segunda temporada de “Top of the Lake”, de Jane Campion.

E duas produções escolhidas pela atriz possuem uma similaridade: ambas são dirigidas por mulheres, uma escolha profissional feita por Kidman para incentivar um maior número de mulheres trabalhando por trás das câmeras.

“Acho que é necessário dizer que a cada 18 meses eu vou trabalhar com uma diretora”, ela contou ao Sydney Morning Herald. “Porque essa é a única maneira de mudar as estatísticas, quando outras mulheres começarem a dizer que vão escolher uma mulher. Então, a cada 18 meses, é preciso ter uma diretora na equação”.

A cada 18 meses parece muito tempo, mas a realidade é que a indústria cinematográfica não dá muito espaço para que mulheres possam trabalhar como diretoras. Um levantamento feito pela Iniciativa de Mídia, Diversidade e Mudança Social, da Escola Annenberg de Comunicação, mostra que o percentual de mulheres assinando a direção de filmes entre 2007 e 2016 não variou muito, ficando entre 4% e 5% (no ano passado ficou em 4,2%).

A figura é ainda mais desanimadora para mulheres de minorias étnicas, que são praticamente apagadas por Hollywood: das 45 obras cinematográficas lançadas no período, apenas 3 foram dirigidas por mulheres negras e outras 3 por asiáticas.

“Nós, enquanto mulheres, temos de apoiar as diretoras. Com esperança, isso vai mudar com o tempo. Todo mundo continua dizendo que as coisas estão diferentes agora, mas não estão”, completou Nicole Kidman. 

Com estatísticas tão ruins, é necessário mais do que apenas mulheres apoiando outras mulheres para fazer com que esses números aumentem, a ponto de uma paridade de gênero ser alcançada. E soa um pouco estranho ouvir alguém dizer que vai trabalhar com uma mulher a cada 18 meses (pense em algo como: eu vou assistir a um filme protagonizado por uma mulher a cada 18 meses), mas, ainda assim, a atitude da atriz é positiva.

Quem sabe, seu gesto não inspira outras artistas a fazer o mesmo e, indo além (eu crio muitas expectativas), a abrir os olhos da indústria do cinema.

Nós, enquanto público, também podemos ajudar ao assistirmos mais filmes feitos por mulheres e usarmos nossas vozes na internet para mostrarmos o nosso interesse. Há uma série de produções assinadas por diferentes diretoras saindo em 2017, inclusive “O Estranho Que Nós Amamos”, de Sofia Coppola, que estreia no dia 24 de agosto.


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