Narcos: a linha tênue entre o bem e o mal

08. setembro 2015 Televisão 1
Narcos: a linha tênue entre o bem e o mal

*Por Victor Rosa

Quando o assunto é produção original, a Netflix não leva na brincadeira. O serviço de streaming vem lançando documentários e séries de qualidade nos últimos anos e, praticamente todos, carregam alguma questão importante a ser discutida. Posso citar como exemplo “Orange Is The New Black“, “House of Cards”, “Demolidor“, “Grace and Frankie“, “What Happened, Miss Simone?“, “The Square” e agora “Narcos”.

“Narcos” é outra série original do Netflix que retrata o começo do império do narcotráfico na Colômbia, mais especificamente, o quartel de Medelín – tendo como chefe Pablo Escobar (Wagner Moura), e as ações que a polícia e o governo tomaram para tentar desfazer o quartel.

A produção executiva da série é do brasileiro José Padilha (“Tropa de Elite” e “Robocop”), que também produziu os dois primeiros episódios.

Apesar de Wagner Moura ganhar destaque na divulgação e ser a personagem que mais aparece durante a série, ele não é o protagonista. O papel principal da série é de Steve Murphy (Boyd Holbrook), policial do DEA (Drug Enforcement Administration), que também narra os acontecimentos, dando a impressão de que tem alguém do nosso tempo recordando e contando um evento de sua vida.

Nessa primeira temporada nos deparamos com o começo da carreira de Pablo Escobar com a cocaína, sua ascensão e queda. E por tudo isso ser apresentado em apenas 10 episódios, muitos se queixaram de que os eventos acontecem rápido demais. É verdade que muitas cenas são rápidas, mas não temos uma série que conta a história de Escobar, pelos seus olhos. “Narcos” retrata os meios utilizados pela polícia e governos, colombiano e americano, para destruir o Cartel de Medelin. Por consequência as cenas são voltadas para as ações que o agente Murphy e seu companheiro, Javier Peña (Pedro Pascal), tomam para capturar Escobar.

Narcos: a linha tênue entre o bem e o mal
Javier Peña (Pedro Pascal) e Steve Murphy (Boyd Holbrook)

Uma das questões mais importantes retratadas em “Narcos” é saber até onde as atitudes das pessoas a caracterizam como boa ou ruim. No decorrer da série podemos perceber diversas frentes assumidas por Escobar que, dependendo do ponto de vista, o classificaria como vilão ou mocinho. Somos apresentados a um traficante, que utiliza do seu dinheiro e poder para manipular as pessoas e até mesmo cometer ataques terroristas para conseguir o que deseja. Por outro lado, também observamos um homem que utiliza seu dinheiro para ajudar os pobres da sua cidade natal e ama incondicionalmente sua família. Aos olhos da polícia e do governo, Pablo Escobar com certeza é o vilão. Porém, aos olhos de sua família e da população de Medelín, ele é o mocinho. Muitos dos cidadãos da cidade ainda o consideram um herói. A mesma separação entre bem e mal acontece em relação as atitudes tomadas pela polícia. Por mais que os agentes Murphy e Javier Peña achem estar fazendo o bem, por vezes eles utilizam medidas “não corretas” para alcançarem seus objetivos.

Sendo assim, até onde podemos definir uma pessoa como boa ou má? Até onde nós, como seres humanos, podemos julgar e dividir o mundo entre a metade do bem e a metade do mal? Bem e mal são conceitos relativos, que dependem de quem os observa.

Narcos: a linha tênue entre o bem e o mal

Um ponto forte da produção de “Narcos” é juntar imagens e gravações reais às cenas. Estão presentes, por exemplo, os pronunciamentos feitos pelo presidente dos Estados Unidos à época, imagens de Pablo Escobar real e a gravação dos destroços do avião que o traficante mandou explodir. Em diversos momentos somos apresentados a imagens reais dos acontecimentos, o que oferece a série um leve tom de documentário.

A série termina com a fuga de Escobar da sua “prisão” e sabemos que cerca de ano depois ele é morto. A minha aposta é a de que se optou por ter o policial Murphy como protagonista/narrador para que a série possa ser continuada com a busca por outros traficantes, após a morte de Escobar, como o Cartel de Calí. Vamos aguardar.

“Narcos” teve todos os episódios lançados no dia 28 de agosto e já tem a segunda temporada confirmada para 2016.