Não importa qual seja sua opinião sobre Taylor Swift, nenhuma mulher deveria ser vítima de assédio sexual

14. agosto 2017 Famosos 0
Não importa qual seja sua opinião sobre Taylor Swift, nenhuma mulher deveria ser vítima de assédio sexual

Na última semana, Taylor Swift  foi inocentada por um juiz americano das acusações do radialista David Mueller, o qual a processava a cantora por ter acabado com sua carreira, após ela ter denunciado que o homem havia apertado sua bunda durante um evento de fotos com fãs, realizado no dia 2 de junho de 2014. Mueller queria US$ 3 milhões de dólares, alegando difamação, o que acabou resultando na perda de seu emprego na Kygo-FM. Mas, de acordo com o juiz, ele não conseguiu reunir provas necessárias para a ação.

Não foi Taylor Swift quem deu início ao processo. Ela apenas denunciou o assédio que sofreu do radialista, o que fez com que a empresa onde ele trabalhava decidisse cortar os vínculos empregatícios – como qualquer companhia séria deveria fazer em casos de abuso contra uma pessoa. A cantora sequer buscava uma indenização: enquanto David a processou por US$ 3 milhões, ela o processou de volta por apenas US$ 1. Seu objetivo era o de provar que nenhuma mulher deveria passar o que ela passou e sofrer calada.

Mas silêncio foi basicamente o que Taylor recebeu por boa parte da mídia, que mal se manifestou sobre o assunto. Não só ela, o público, que também cobra posicionamentos das cantoras pop sobre feminismo e igualdade, também pouco, ou nem demonstrou interesse no caso. Não que todos sejamos obrigados a nos manifestar sobre tudo o que acontece no mundo, mas dadas as críticas que Katy Perry e Halsey receberam por fazer música com o trio de rappers Migos, era de se esperar ao menos que uma cantora que foi vítima de assédio recebesse mais apoio.

Eu reconheço que a voz de “Shake It Off” é problemática. Ela já foi acusada de se apropriar da cultura negra em um de seus clipes, acusada de racismo em outro deles, e de não se manifestar sobre a forma como o machismo afeta mulheres que não se parecem em nada como ela (branca, rica, heterossexual e cisgênera). Ainda assim, como muitas mulheres caminhando sobre o planeta, ela também foi vítima de uma das formas de violência e de controle do corpo feminino: o assédio sexual.

Na verdade, ela foi uma em várias. Segundo uma pesquisa divulgada pela organização internacional ActionAid, 86% das mulheres brasileiras já sofreram algum tipo de assédio (físico, sexual, emocional ou verbal) em espaços públicos. As consequências desses abusos têm reflexo na saúde física e emocional das mulheres, que podem vir a desenvolver transtornos de ansiedade, depressão, perda ou ganho de peso, estresse e problemas de sono, como aponta a organização Think Olga.

E vale dizer que a cantora acabou inocentada por algo que não fez. Aliás, algo que ela mesma disse durante o processo. Quando o advogado de David Mueller tentou culpabilizá-la pela perda de emprego de seu cliente, ela disse: “Eu não vou permitir com que ele me faça sentir como se isso fosse culpa minha, porque não é”. E continuou: “Aqui estamos nós, anos depois, e eu estou sendo culpada por eventos infelizes da vida dele, que são produtos das decisões deles, e não minhas”.

Portanto, não importa qual seja a sua opinião sobre a artista. Quando se trata de violência contra a mulher, ela não escolhe classe social, raça ou orientação sexual (embora alguns grupos sejam mais vulneráveis do que outros). É preciso que todos nós nos manifestemos, caso desejemos mesmo uma sociedade mais justa e igualitária para todos.

O caso da artista é um exemplo triste de que nenhuma mulher está mesmo a salvo, nem mesmo mulheres ricas como ela. Mas se algo podemos tirar alguma coisa desse caso, é que nenhuma mulher deveria ser vítima de assédio ou qualquer outro tipo de violência. E Taylor Swift está mesmo dando o exemplo disso, ainda que muitos não fiquem do seu lado.


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