Mulheres no futebol: campanha na internet quer mostrar que mulher entende, e MUITO, do esporte

Mulheres no futebol: campanha na internet quer mostrar que mulher entende, e MUITO, do esporte

No ano passado, durante os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, a seleção feminina de futebol ganhou a atenção e o carinho do público, coisas que só víamos acontecer com a equipe masculina. Foi um raro momento em que todo o país percebeu que as mulheres entendem – e muito – do esporte. A torcida, que começou na internet, chegou então aos estádios.

“As redes sociais tiveram uma força primordial para dar visibilidade à seleção feminina, refletindo este comportamento na abordagem da mídia. De um modo geral, as mulheres protagonizaram as Olimpíadas e a força deste acontecimento em rede fez com que a mídia se obrigasse a olhar para os fatos de outra maneira”, acredita Francine Malessa, jornalista e mestranda em Ciências da Comunicação, em entrevista ao Prosa Livre, ao comentar a cobertura da mídia sobre as nossas brilhantes jogadoras.

Quase um ano depois, Francine quer manter a bola rolando. Ela, junto de Thaís Campolina, escritora, ativista e jurista, farão uma ação nas redes sociais, no dia 4 de maio, incentivando as mulheres a compartilhar suas histórias envolvendo o futebol.

A campanha, chamada de #MulheresNoFutebol, quer justamente mostrar que a paixão pelo esporte também é coisa de mulher e, assim como qualquer pessoa, elas também merecem respeito ao jogar, frequentar estádios ou simplesmente torcer assistindo ao seu time do coração pela TV de casa.

Infelizmente, o machismo ainda é regra no esporte, e isso dificulta a entrada e a participação de meninas e mulheres no futebol, mas Francine e Thaís estão prontas para levantar o cartão vermelho para ele. A dupla teve a ideia para a iniciativa após conversarem sobre meios de mudar a forma como mulheres são vistas no universo futebolístico.

“Em poucas mensagens, a gente já se empolgou em criar uma ação para mostrar que esse espaço também é nosso e combater o machismo do meio”, explicou a escritora e jurista. “A inspiração veio das diversas ações feministas que já aconteceram através das redes sociais e do poder que elas têm de promover debates necessários”.

Para participar da iniciativa basta compartilhar nas redes sociais seu relato sobre seu envolvimento no esporte, utilizando a hashtag #MulheresNoFutebol. Vale tudo: desde histórias envolvendo machismo até boas lembranças sobre o amor à camisa. Porém, acima de tudo, o objetivo da ação é mostrar que as mulheres são tão boas de bola quanto os homens.

E por falar em homens, além de ler e ouvir o que elas têm a dizer, há atitudes que todos podem tomar para tornar o futebol mais acolhedor para as mulheres.

“Parar de duvidar da capacidade das mulheres de entenderem as regras do esporte, aprender a nos ouvir quando falamos sobre o assunto, não duvidar da capacidade de treinadoras, jogadoras e árbitras e valorizar o futebol feminino são algumas das possibilidades que listei num texto que escrevi sobre o assunto no ano passado”, afirma Thaís. “Considero também que os homens fãs da modalidade precisam parar de vincular gostar de futebol a ser homem e reconhecer o machismo e a LGBTfobia do meio. O reconhecimento só acontece se há abertura de ouvir o que temos a dizer e é parte do processo de combater de forma efetiva qualquer preconceito”.

A mídia também tem um papel importante na forma como as mulheres são percebidas no esporte. Não é raro, por exemplo, vermos a imprensa tratando as torcedoras como musas, fazendo uma ‘escalação’ das mais bonitas. Também não é difícil vermos jogadoras, árbitras e bandeirinhas sendo reduzidas à sua aparência, ou terem suas capacidades questionadas por não se enquadrarem em padrões de beleza ou apenas por serem mulheres.

“Se o veículo, o jornalista, o editor, o cinegrafista, o fotojornalista tiverem consciência de que as mulheres estão ali para também torcer, para jogar, para treinar, para apitar e começarem a naturalizar isto, a própria sociedade vai consumir esta informação e compreender que de fato fazemos parte deste universo”, conclui Francine Malessa.

Há muito o que fazer e trabalhar, mas com esperança, e com o engajamento das mulheres, o machismo vai sofrer uma goleada no próximo dia 4 de maio e no resto do ano! 


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