Mulheres de Hollywood criam produtora para melhorar representação feminina no cinema e televisão

25. fevereiro 2016 Cinema 0
Mulheres de Hollywood criam produtora para melhorar representação feminina no cinema e televisão

Após um ano em que as mulheres de Hollywood começaram a se manifestar contra o machismo da indústria cinematográfica, um grupo de atrizes e diretoras resolveu ir mais além e criaram uma produtora, a We Do It Together (“Nós fazemos juntas”, em português), cujo objetivo é financiar e produzir conteúdos que ajudem a melhorar a representação feminina no cinema e na televisão.

A organização não governamental tem em seu conselho consultivo as atrizes Jessica Chastain, Queen Latifah, Juliette Binoche, Freida Pinto, Ziyi Zhang e a diretora Catherine Hardwicke. Juntas, elas querem trazer produções feitas por e sobre mulheres, de forma que desfaçam velhos estereótipos sobre elas. O primeiro filme da We Do It Together será anunciado em maio, durante o Festival de Cinema de Cannes.

“O cinema sempre teve o poder de desafiar convenções e mudar corações e mentes, e esse poder e potencial devem ser aproveitados para desafiar as atuais normas arcaicas relacionadas às mulheres dentro da indústria do entretenimento”, explicou à Variety, Chiara Tilesi, produtora e parte do conselho da ONG. “Sentimos que o jeito para tornar isso realidade é dar às mulheres, do mundo todo, uma forma concreta de expressarem-se e uma estrutura em curso que garanta que essas histórias serão financiadas e distribuídas.”

De acordo com as informações do Deadline, a We Do It Together “vai levantar dinheiro de governos, empresas e doações de pessoas físicas para investir em suas produções, cujos lucros serão reinvestidos na empresa para a criação de uma organização auto-sustentável.”

Também fazem parte do conselho: Hany Abu-Assad, Amma Asante, Marielle Heller, a brasileira Katia Lund, Malgorzata Szumowska, Alysia Reiner, Henry Louis Gates e Haifaa Al Mansour. No conselho administrativo estão Albert Berger, Dana Archer, Sandra Lucchesi, Paul Nelson, Carol Polakoff, Shelby Stone, Chiara Tilesi e Hanna Weg.

No dia 29 de fevereiro, a ONG participa do Encontro Global das Nações Unidas para a Colaboração Global, onde Tilesi irá discursar sobre a instituição e debaterá o tema “Um Vislumbre para a Próxima Parada: Conversas com Homens (E Mulheres) em Hollywood” (“A Glimpse to Next Stop: Conversations With Men [And Women] in Hollywood”, em inglês).

Mulheres em Hollywood:

A iniciativa vem após chegar ao conhecimento do público o machismo da indústria cinematográfica. Em 2015, Jennifer Lawrence reclamou da desigualdade salarial entre homens e mulheres através de um artigo que levou outras profissionais da área a fazer a mesma denúncia; Viola Davis tornou-se a primeira mulher negra a ganhar um Emmy, e aproveitou seu momento para chamar a atenção para a exclusão de mulheres negras e de outras etnias na televisão e no cinema; e Natalie Portman segurou um filme até que uma mulher fosse contratada para dirigir o longa.

Ava DuVernay também criticou o excesso de filmes dominada pelas perspectivas de homens brancos e héteros, um ponto que foi comprovado por um estudo de uma universidade americana: mulheres representam apenas 30% dos personagens no cinema, um percentual ainda menor quando se leva em consideração a raça e a idade da atriz. E quanto mais nova a artista, mais chances ela têm de ficar nua ou em roupas sensuais. No geral, o cinema é 73,1% branco e 69,8% masculino.

Atrás das câmeras, a figura também não é positiva, seja no cinema ou na televisão. Em 2014, as mulheres representaram 15,8% de todos os cargos de direção, roteiro e produção no cinema. Na televisão, somente 16% de todos os episódios das séries exibidas entre 2013 e 2014 foram dirigidos por mulheres. É por isso que uma agência federal iniciou, em outubro do ano passado, uma investigação em Hollywood sobre a baixa contratação de mulheres na direção das produções.

“As diretoras não estão trabalhando em condições de igualdade e não têm as mesmas oportunidades de sucesso. Discriminação por gênero é ilegal e Hollywood não está imune quando se trata de direitos civis e discriminação de gênero”, contou à Variety Melissa Goodman, diretora do Projeto de Justiça Reprodutiva, Gênero e LGBT da American Civil Liberties Union (ACLU).

Portanto, em tempos de #OscarsSoWhite e a falta de diversidade da Academia do Oscar e de Hollywood escancarados, a iniciativa das mulheres da indústria cinematográfica em criar a We Do It Together chega em um bom momento. Uma atitude similar foi feita por Reese Whiterspoon, que criou a produtora Pacific Standard, ao lado da produtora Bruna Papandrea, cujo objetivo é criar mais projetos sobre mulheres.

“Se você estiver na política, mídia, indústria tecnológica, ou trabalhando como empreendedora, professora, construção civil ou educadora, você sabe quais são os problemas que todas nós enfrentamos. Eu suplico a cada uma de vocês que se perguntem: o que faremos agora? Essa é uma grande questão”, disse Whiterspoon em um evento da revista Glamour. “Imagine isso: o que aconteceria se nós fossemos corajosas o suficiente e fossemos um pouco mais ambiciosas? Acho que o mundo mudaria.”

E eu acredito que a mudança já esteja acontecendo. E ela será retratada nas grandes telas.


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