Mulheres e minorias étnicas ganham mais espaço em filmes e séries, mas continuam pouco representadas

Mulheres e minorias étnicas ganham mais espaço em filmes e séries, mas continuam pouco representadas

Mulheres e minorias étnicas ganharam mais espaço em filmes e séries de televisão, mas continuam pouco representadas em relação a homens brancos. É o que revela um estudo da UCLA’s Ralph J. Bunche Center for African American Studies, que acrescenta ainda que produções com elenco misto, isto é, com mais diversidade entre os protagonistas, atraem mais audiência.

O levantamento levou em conta 200 longa-metragens lançados em 2015, além de 1.206 seriados lançados entre 2014 e 2015 na televisão aberta, a cabo e plataformas de streaming. O objetivo é identificar se mulheres, negros, latinos, asiáticos e demais minorias estão trabalhando na frente e atrás das câmeras em 11 diferentes funções em Hollywood.

Minorias étnicas tiveram um avanço em cinco áreas: protagonismo em filmes, séries e reality shows da TV aberta, criação de conteúdo para a TV aberta e protagonismo em produções digitais. Contudo, em relação ao último estudo, esses indivíduos recuaram em outros quatro campos: direção e roteiro de filmes, protagonismo em séries de TV a cabo e criação de conteúdo para produções digitais. Ainda assim, apesar de alguns ganhos, eles seguem pouco representados no cinema e na televisão.

As mulheres seguem pouco representadas, mas ganharam um pouco mais de espaço em todas as áreas, exceto protagonismo em reality shows na TV aberta e na TV a cabo. Ainda assim, elas continuam pouco representadas, principalmente no cinema (29% das protagonistas), enquanto na televisão a figura melhorou em 2015.

“Embora algumas melhorias tenham sido feitas, especialmente na televisão, os números permanecem ruins em todas as áreas. Fato é que Hollywood simplesmente não está estruturada para aproveitar as realidades do mercado atual”, disse Darnell Hunt, um dos autores do estudo, acrescentando que as minorias étnicas representam quase 40% da população dos Estados Unidos, mas foram apenas 13,6% dos protagonistas em filmes e 10,1% dos diretores.

De acordo com o levantamento, o público prefere assistir a obras com elencos diversos. Pessoas entre 18 e 49 anos deram mais audiência para seriados com mais de 40% de personagens que não sejam brancos. Filmes com elencos mistos obtiveram bilheteria maior no mundo todo, e as minorias foram responsáveis pela maior parte dos ingressos vendidos em 2015 (45%).

A média de bilheteria global foi maior para os 25 filmes com elencos entre 21 e 30% mistos, arrecadando US$ 105 milhões. Dentre as produções citadas, estão “007 Contra Spectre”, “Homem-Formiga”, “Terremoto: A Falha de San Andreas” e “O Exterminador do Futuro: Gênesis”. Na contramão, os 64 filmes com 10% ou menos de diversidade no elenco fizeram US$ 41,9 milhões. Isso significa que embora o público esteja mais interessado em longa-metragens mais diversos, eles continuam sendo feitos em menor quantidade.

No que diz respeito à televisão, atrações com elencos diversos também atraíram mais audiência. Séries e realities com personagens entre 41 e 50% de minorias, como “Brooklyn Nine-Nine,” “New Girl” e “Elementary”, fizeram maior sucesso nessa categoria. Obras com a maioria do elenco vindo de minorias também se destacaram. Entre elas, estão “Empire” e “black-ish”.

“Produtos menos diversos performam mal no mercado e, ainda assim, eles dominam. Isso não faz sentido financeiro”, disse Ana-Christina Ramón, co-autora do estudo. “Histórias autênticas humanizam aqueles que são frequentemente representados como estereótipos ou que nem chegam a ser representados. A representatividade importa para aquela garotinha que ainda vai sonhar com o que vai se tornar e para a avó que nunca se viu nas telas”.

O estudo completo pode ser acessado neste link.


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