Mulheres dirigiram apenas 4,3% dos filmes nos últimos 11 anos

15. Janeiro 2018 Cinema 0
Mulheres dirigiram apenas 4,3% dos filmes nos últimos 11 anos

Quando Natalie Portman anunciou “todos os homens indicados” na categoria de Melhor Diretor no Globo de Ouro, ela chamou a atenção e demonstrou sua insatisfação com a exclusão das mulheres no prêmio. Mesmo fazendo filmes elogiados no ano passado, Greta Gerwig (“Lady Bird”), Dee Rees (“Mudbound”) e Patty Jenkins (“Mulher-Maravilha”) foram ignoradas pela premiação.

Mas a realidade é que as mulheres vêm sendo ignoradas pela indústria cinematográfica como um todo. Um estudo recente do instituto Annenberg, da Universidade do Sul da Califórnia, analisou 1.100 longa-metragens lançados entre 2007 e 2017 e o gênero dos 1.223 cineastas do período, e descobriu que as mulheres foram apenas 4,3% de todos os diretores.

O percentual pouco mudou nesses 11 anos: em 2007, havia 2,7% de mulheres diretoras. Em 2017, o índice chegou a 7,3%. O maior pico foi em 2008, quando chegou a 8%. A proporção é de que a cada 22 homens, uma mulher consegue dirigir um filme.

Mas diferente de seus colegas, elas tiveram bem menos oportunidades para dirigir um segundo filme: 84% das mulheres fizeram apenas um, contra 55% dos homens.

No que diz respeito à raça, somente 5,2% dos diretores eram negros e 3,2% eram asiáticos. A situação é pior para mulheres de minorias étnicas: dos 64 diretores negros que dirigiram algum dos 1.100 grandes filmes dos últimos 11 anos, apenas 4 eram mulheres. Enquanto isso, dos 39 diretores asiáticos, só 3 mulheres. Indo além, mulheres de minorias étnicas têm menos oportunidades de fazer um segundo filme (29%) em comparação aos homens de minorias étnicas.

No total, dos 1.223 diretores, apenas 8 eram mulheres de minorias étnicas. A maior parte das oportunidades na direção de longa-metragens ainda estão com as mulheres brancas, as quais dirigiram 36 filmes entre 2007 e 2017.

A idade também é outro empecilho para as mulheres: enquanto a carreira dos homens como diretores acontece muito mais cedo (na casa dos 20 anos) a das mulheres acontece mais tarde (aos 30) e termina mais cedo (aos 60). Porém, seus colegas do gênero oposto conseguem muito mais trabalhos aos 30 e conseguem continuar exercendo a função até os 80 anos.

É curioso notar, também, que filmes independentes oferecem mais oportunidades para as mulheres: 27,5% trabalharam nesses tipos de produções, seguidas por primeiras experiências dirigindo episódios de televisão (22,2%), diretoras regulares em seriados (17%) e blockbusters (4%). Contudo, isso mostra a dificuldade que elas enfrentam em dirigir grandes produções. Ava DuVernay, por exemplo, é a primeira mulher negra a dirigir um filme com mais de US$ 100 milhões de orçamento: “Uma Dobra no Tempo”, da Disney.

“O ‘problema da mulher diretora’ de Hollywood se tornou a fonte de muito diálogo nos últimos anos”, disse Stacy L Smith, autora do estudo, ao jornal The Guardian. “A evidência revela que, apesar da atenção ter aumentado, não houve mudança para as mulheres atrás das câmeras. Uma mera conversa não é a resposta para esses problemas – e a hora da conversa chegou. Até que as grandes empresas de mídia tomem ações concretas para corrigir o problema que impede a contratação [de mulheres], nada vai mudar”.

As diretoras citadas pelo estudo (que pode ser acessado aqui), são:

Angelina Jolie, Anna Foerster, Anne Fletcher, Ava DuVernay, Betty Thomas, Brenda Chapman, Catherine Hardwicke, Diane English, Elizabeth Allen Rosenbaum, Elizabeth Banks, Gina Prince-Bythewood*, Greta Gerwig, Hallie Meyers-Shyer, Jennifer Flackett, Jennifer Lee, Jennifer Yuh Nelson, Jessie Nelson, Jodie Foster, Julie Anne Robinson, Julie Taymor, Kathryn Bigelow, Kimberly Peirce, Kirsten Sheridan, Lana Wachowski, Lilly Wachowski, Loveleen Tandan, Lucia Aniello, Nancy Meyers, Niki Caro, Nora Ephron, Patricia Riggen, Patty Jenkins, Phyllida Lloyd, Sam Taylor-Johnson, Sanaa Hamri, Sarah Smith, Shari Springer Berman, Sharon Maguire, Stacy Title, Stella Meghie, Susanna White, Thea Sharrock e Trish Sie.