Modelo negra recria campanhas de moda para fazer protesto contra a falta de diversidade

08. dezembro 2016 Estilo 0
Modelo negra recria campanhas de moda para fazer protesto contra a falta de diversidade

Para chamar a atenção para a falta de diversidade na indústria da moda, a modelo Deddeh Howard recriou campanhas famosas, como a da Gisele Bundchen para a Vivara, substituindo as modelos brancas por imagens suas fazendo as mesmas poses. Para realizar a tarefa, ela se juntou ao fotógrafo Raffael Dickreuter, que juntos fizeram um ensaio batizado de “Black Mirror” (“espelho negro”, em português).

“Eu achei [o nome] perfeito porque estamos espelhando duas imagens. Quando você [mulher negra] se olha no espelho, você se pergunta: ‘essa poderia ser eu. Por que não sou eu?'”, disse a modelo para o Buzzfeed News.

Criada na Libéria, Deddeh vive hoje em Los Angeles, e afirmou que a inspiração para as fotos veio de sua própria experiência enquanto modelo. Mesmo sendo elogiada pelas empresas por onde passava, era comum ouvir “não”, com a desculpa de que já havia outra negra sendo agenciada.

“As agências diziam frequentemente para mim: ‘nós adoramos você, mas nós já temos uma menina negra’. Não deveria ser limitado a uma garota negra, poderia haver mais do que uma”, contou. “É como se elas [as agências] tivessem vergonha de representar a diversidade. Isso é muito dolorido e isso já me fez sentir insegura e péssima comigo mesma”.

E Deddeh Howard não está errada quando pede por mais diversidade na moda. De acordo com um levantamento realizado pelo site FashionSpot, que analisou as modelos apresentadas desfiles das Semanas de Moda e em campanhas publicitárias, essa indústria ainda é muito branca – e jovem, magra e cisgênera.

A publicação examinou 190 anúncios da temporada de outono (no Hemisfério Norte) veiculados neste ano, os quais apresentaram 438 modelos. Desse total, somente 23,3% das modelos eram de minorias étnicas, sendo 11,2% negras, 5,9% asiáticas, 2,5% latinas e 0,2% árabes. Além disso, modelos plus size foram apenas 3,2% das modelos e mulheres com mais de 50 anos foram 4,1%. Nenhuma pessoa trans fez parte de alguma campanha.

Contudo, em comparação com a temporada de primavera deste ano, todos os índices tiveram um pequeno aumento, com exceção de modelos trans, que não foram representadas em nenhuma propaganda.

Nas passarelas das Semanas de Moda de Nova York, Londres, Paris e Milão na temporada de primavera, as figuras também não são muito animadoras, mas o resultado geral é um pouco melhor do que o registrado nos anúncios: 25,35% das 8.832 modelos que desfilaram para 299 marcas eram de minorias étnicas. Desse total, porém, 10,33% eram negras, 7% eram asiáticas, 3,36% eram latinas e 0,40% eram árabes.

De acordo com o Fashion Spot, a New York Fashion Week foi a mais diversa da sua história e em comparação com as outras, mas ainda há espaço para muito mais. Das 2.973 modelos que desfilaram por lá, 16 eram plus size (0,54%). Aliás, NY foi a única cidade onde modelos plus size puderam desfilar. Mulheres com mais de 50 anos foram 13 e modelos trans foram 10.

Ou seja, ao olhar para esses números, fica claro que a moda precisa ser mais inclusiva e diversa. Como Howard pontua em um texto publicado no site onde as imagens foram postadas, a representação de todos os indivíduos é importante.

“A visibilidade nesses comerciais e outdoors importam tanto quanto eleger o primeiro presidente negro”, disse. “A próxima geração só poderá ter inspiração e alcançar as estrelas se ela acreditarem que também podem fazê-lo. Por isso, a diversidade nas campanhas publicitárias, na minha opinião, é mais importante do que você pode acreditar. O mesmo vale para a representação em filmes e na política também.

“Com o projeto ‘Black Mirror’, espero mostrar ao mundo que é a hora de todos nós sermos vistos. Assim como a Gisele Bundchen, Kate Moss ou Candice Swanepoel podem viajar pelo mundo, fazer campanhas maravilhosas e viver vidas excitantes para inspirar jovens meninas, vamos dar à próxima geração algo para acreditar”.


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