O que é o transtorno bipolar, doença que Mariah Carey possui

O que é o transtorno bipolar, doença que Mariah Carey possui

Embora pareça um assunto assustador para muita gente, falar abertamente sobre saúde mental ajuda a quebrar estigmas e a salvar vidas. Recentemente, Shawn Mendes contou sobre a ansiedade que adquiriu com a fama, e transformou sua experiência em uma bonita música.

Também em abril, Mariah Carey revelou seu diagnóstico de transtorno bipolar. A cantora contou à revista People que descobriu a doença em 2001, quando teve um colapso físico e mental, mas se negou a acreditar no quadro apresentado. Em vez disso, ela preferiu acreditar que estava passando por algum distúrbio do sono. A busca por tratamento só aconteceu há pouco tempo, depois “dos anos mais difíceis” que já havia vivido.

“Até pouco tempo, eu vivia em negação e isolamento e medo constante de alguém me expor”, disse Mariah à publicação. “Era um fardo muito pesado para carregar e eu simplesmente não aguentava mais. Eu procurei e recebi tratamento, coloquei pessoas positivas ao meu redor e voltei a fazer o que eu amo: escrever e fazer músicas”.

Segundo a revista People, a voz de “We Belong Together” foi diagnosticada com transtorno bipolar 2, que envolve períodos de depressão e hipomania, um estágio menos grave do que a mania, mas que traz mudanças no humor, irritabilidade, falta de sono e euforia. Para controlar o transtorno, ela faz terapia e toma remédios.

“Estou tomando medicação, que parece ser muito boa”, afirmou a artista. “Ela não me deixa muito cansada, fraca ou algo do tipo. Encontrar o equilíbrio é muito importante”.

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É possível que você já tenha escutado alguém dizer que é bipolar, em tom de brincadeira, por ser indeciso e uma hora querer uma coisa e depois outra. A verdade é que a bipolaridade é algo grave e sério e que precisa ser devidamente tratada, uma vez que afeta negativamente a vida de uma pessoa. 

A alternância de humor pode ser experienciada por todos, mas nos indivíduos que sofrem com transtorno bipolar, isso acontece de maneira mais acentuada. Neles, a mudança de humor varia entre picos de depressão e de euforia (ou mania), podendo durar dias, semanas até ou meses, e isso sem a necessidade de algum evento que cause essa alteração. A doença interfere nas relações e nos comportamentos dessas pessoas, as quais também veem uma mudança na sua energia, memória, apetite e sono. 

Segundo especialistas, o transtorno bipolar pode ser ligado a causas genéticas e ambientais, além de outros fatores. Filhos de pais com a doença têm mais chances de desenvolvê-la no futuro. Apesar da prevalência maior entre jovens adultos, o distúrbio pode atingir pessoas de todas as idades.

“O transtorno bipolar é mais frequente dos 18 aos 25 anos. Basicamente, é uma doença de adolescentes e adultos jovens. Filhos de pais com TB têm risco de 33% de ter a doença. Mesmo se não a apresentarem, carregam os genes. E se pai e mãe tiverem, a chance é maior ainda”, afirmou a uma reportagem da Pfizer o psiquiatra Ricardo Alberto Moreno, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP) e diretor presidente da Associação Brasileira de Transtorno Bipolar (ABTB).

Estima-se que esse distúrbio psíquico atinja 4% da população adulta no mundo e, no somente no Brasil, mais de 6 milhões de pessoas podem ter a doença, a qual registra o maior número de casos envolvendo suicídio entre os transtornos de ordem mental. O diagnóstico é complexo, mas o quanto antes a pessoa procurar ajuda, melhores são os prognósticos. Embora não exista cura, o tratamento é feito a longo prazo e envolve medicação e terapia.

Por isso, conviver com o transtorno bipolar não deve ser encarado como fim da linha. Procurando tratamento, é possível levar uma vida dentro da normalidade, como provaram Demi Lovato, Carrie Fisher, Catherine Zeta-Jones, Jean-Claude Van Damme, Ben Stiller e, Mariah Carey.

“Eu estou em um lugar muito melhor agora, onde me sinto confortável em discutir minhas lutas contra o transtorno bipolar II [uma das manifestações da doença]. Espero que possamos chegar a uma posição em que o estigma acabe e as pessoas não passem por nada sozinhos”, concluiu Mariah à revista People. “Isso pode ser muito incrivelmente isolador. Mas isso não define você e eu me recuso a permitir que  ele me defina ou me controle”.