Levy Fidelix legitima a violência e a morte da população LGBT em debate na Record

29. setembro 2014 Internet 1

Na noite de domingo (28), mais um debate entre presidenciáveis foi realizado. Desta vez, na Record. Bem morno, poucos foram os momentos emblemáticos entre os candidatos. Foi assim até o momento em que Luciana Genro, do PSOL, fez uma pergunta a Levy Fidelix, do PRTB, sobre a recusa das pessoas que defendem a “família” serem contra famílias formadas por casais homossexuais. Como bem disse o Sakamoto, “ele soltou um rosário de impropérios que fariam corar até os mais fundamentalistas dos parlamentares religiosos“.

Resumindo o vídeo acima, que mostra claramente a homofobia do candidato, Levy legitimou todos os ataques, violências e a morte da população LGBT, ao dizer “Nós somos maioria, vamos enfrentar essa minoria. Vamos enfrentá-los”. Não só promoveu o ódio contra os homossexuais em rede aberta, para milhões de pessoas assistirem, como as chamou para juntarem-se contra uma população que é atacada todos os dias e morta a cada 28 horas por crimes de homofobia e transfobia.

Não demorou para que as redes sociais, como o Twitter, fossem inundadas por mensagens contra a fala de Levy. A hashtag #LevVocêÉNojento rapidamente subiu na lista de assuntos mais comentados:

twitter_levy_nojentolevy_comentarios_twitter

Claro que a fala do candidato também legitimou o discurso dos homofóbicos utilizando a famosa “liberdade de expressão” como argumento. Espalhar preconceito e disseminar uma cultura de ódio não é liberdade de expressão. É desrespeito com quem sofre violência todos os dias. É falta total de empatia com outro ser humano, que não está pedindo sua aprovação para nada, mas que só quer ter sua identidade e sua existência respeitadas.

Homofobia não é só pegar uma lâmpada e quebrá-la na cabeça de um homossexual. Devemos jogar na conta de Levy, do Malafaia, Bolsonaro e Feliciano a responsabilidade da morte de tantos gays, lésbicas, transsexuais e travestis, já que incitam a violência contra essas pessoas, tornando esse ato tão repulsivo em algo corriqueiro, normal.

Num dia onde a descriminalização do aborto deveria ter sido tema a ser debatido entre os presidenciáveis (28 de setembro é o Dia de luta pela descriminalização do aborto na América Latina), a homofobia tomou o lugar. Mais uma vez a voz das mulheres foram silenciadas por aqueles que preferem manter a sociedade como está: sem direitos a elas e aos homossexuais. Luciana Genro reiterou seu apoio à descriminalização da prática (somente ela e o Eduardo Jorge, candidato do PV, são favoráveis a essa questão), porém, ao final do debate, preferiu angariar votos do que comentar o discurso de Levy. Aliás, nenhum dos presidenciáveis disse coisa alguma. Se omitiram e foram coniventes com a violência. Melhor garantir os votos, né?

Se houvesse uma lei que criminalizasse a homofobia, Levy iria para a cadeia. Mas como não existe, a luta continua.

PS: Luciana Genro e Eduardo Jorge foram ao Twitter, após o debate, dizer que são a favor da criminalização da homofobia e que falas como a de Fidelix não podem continuar. Ótimo, mas poderiam ter feito isso ao vivo.

PS 2: Você pode denunciar o candidato na Sala de atendimento ao Cidadão. Clique aqui e colabore.


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