Laverne Cox celebra Caitlyn Jenner, mas lembra que a luta das pessoas trans continua

Laverne Cox celebra Caitlyn Jenner, mas lembra que a luta das pessoas trans continua

Ontem, após a revista “Vanity Fair” divulgar a capa de sua edição de julho, que traz Caitlyn Jenner à frente da publicação, a atriz Laverne Cox, do seriado Orange Is The New Black, foi uma das celebridades a demonstrar apoio à coragem de Caitlyn. Cox, que é uma mulher transexual e ativista pelos direitos das pessoas trans, no entanto, foi ao seu Tumblr lembrar que a luta pelos direito dessas pessoas ainda não acabou e que é preciso celebrar mais do que a beleza de Caitlyn.

http://lavernecox.tumblr.com/post/120503412651/on-may-29-2014-the-issue-of-timemagazine

Em seu texto, Laverne escreve que ficou comovida com todo o apoio que Caitlyn Jenner recebeu nas últimas horas, dizendo sentir que as coisas estão mudando. “É um novo dia, quando, de fato, uma pessoa trans pode apresentar sua autenticidade para o mundo pela primeira vez e ser celebrada por isso universalmente”. No entanto, por mais que faça coro pela beleza de Caitlyn, a atriz lembra que é necessário lembrarmos que a beleza que precisamos enxergar é a coragem de seu ato. “Sim, Caitlyn está maravilhosa e linda, mas o que eu acho muito mais lindo nela é seu coração e sua alma, e as formas como permitiu o mundo a adentrar em suas vulnerabilidades. O amor e a devoção que ela tem por sua família e o mesmo que eles têm por ela. Sua coragem de deixar a negação para trás e viver a verdade publicamente. Essas coisas são muito mais do que lindas para mim”.

Laverne não deixa de apontar, também, algo importante: pessoas trans não seguem – pela falta de recursos -, e muita nem querem, ser encaixadas no padrão cisgênero que ela e Caitlyn Jenner representam. Além disso, ela ressalta que o movimento pela mudança e pelos direitos das pessoas trans continua:

“Há um ano, quando a revista “TIME” saiu, vi pessoas trans dizendo que eu sou ‘maravilhosa’ e que isso não representa a maioria das pessoas trans (Foi novidade para mim ouvir que sou maravilhosa, mas com certeza eu aceito). Mas o que eu acho que eles quiseram dizer é que, de algum prisma, de certo ângulo, eu sou capaz de encorporar certos padrões de beleza cisgênero. Agora, há muitas pessoas trans que, por conta da genética e/ou falta de recursos, jamais serão capazes de encorporar esses padrões. Mais importante ainda: muitas pessoas trans não querem encorporá-los […]. É importante notar que esses padrões são feitos por raça, classe e habilidade, entre outras intersecções. Eu sempre estive consciente de que eu jamais poderia representar todas as pessoas trans. Nem uma, nem duas ou nem três pessoas trans poderiam. É por isso que nós precisamos de uma diversidade de pessoas trans representadas na mídia, para que se multiplique as narrativas trans na mídia e que descrevam nossas belezas diversas. […] Muitas pessoas trans não possuem os privilégios que eu e Caitlyn temos agora. São essas pessoas que nós devemos continuar a levantar, e conseguir acesso ao sistema de saúde para elas, empregos, moradia, ruas e escolas seguras e casas para nossa geração mais jovem. Precisamos levantar as histórias de quem está mais vulnerável, estatisticamente, pessoas trans negras, que são pobres e que fazem parte da classe trabalhadora. Eu esperei, nos últimos anos, que o amor incrível que tenho recebido do público possa ser traduzido na vida de todas as pessoas trans. Pessoas trans de todas as raças, expressões de gênero, habilidades, orientação sexual, de todas as classes, imigrantes, de qualquer status de trabalho, de qualquer status de transição, status de genital etc… Espero, assim como a Caitlyn, que esse amor que ela vem recebendo possa ser traduzido na mudança de corações e mentes sobre quem são as pessoas trans, assim como mudar as políticas públicas para que possam apoiar integralmente as vidas e o bem estar de todos nós. A luta continua…”.

Laverne Cox aproveitou ainda para lançar o movimento #TransIsBeautiful, uma forma de mostrar que a beleza das pessoas trans é plural. “Uma forma de celebrar todas essas coisas que nos fazem únicas, coisas essas que não necessariamente se alinham com os padrões cisnormativos de beleza”.