Kristen Bell quer que você saiba que não é preciso ter vergonha em cuidar de sua saúde mental

Kristen Bell quer que você saiba que não é preciso ter vergonha em cuidar de sua saúde mental

Nos últimos tempos, várias celebridades têm compartilhado com o público suas experiências com doenças mentais. Jennifer Lawrence, Demi Lovato, Lady Gaga e outros artistas contaram como foi lidar com ansiedade, depressão, bipolaridade e outras enfermidades em entrevistas, sempre oferecendo uma mensagem de encorajamento aos fãs e às pessoas que as acompanham. Mais importante ainda, elas pedem para que ninguém tenha vergonha de admitir que está com problema e que precisa de ajuda.

Adicione a essa lista a atriz Kristen Bell, que vem divulgando seu mais novo filme, “Bad Moms”, e recentemente contou que vive com ansiedade e depressão. Em uma entrevista ao Off Camera, com o apresentador Sam Jones, ela admitiu que é codependente e sente-se mal quando alguém não gosta dela.

“Sou extremamente codependente. Eu quebro um pouco quando penso que as pessoas não gostam de mim”, contou a artista. “Isso é parte do motivo para que eu seja gentil e compense sendo muito alegre o tempo todo, porque me machuca muito não gostarem de mim. E eu sei que isso não é saudável, estou sempre lutando contra isso.”

Kristen revelou que era uma menina popular na escola, daquelas que todos querem estar por perto, mas que era, ao mesmo tempo, muito insegura, o que a fazia mudar seus interesses e gostos para agradar seus amigos. “Eu nunca percebi que estava mudando para agradar todo mundo até chegar nos meus 30 anos”, ela confessou.

Em seguida, a atriz disse que sua família possui um histórico com doenças mentais. Sua avó, segundo conta, trancava-se em um quarto e bebia muito álcool. Isso mexeu com a mãe de Bell, que é enfermeira, e que conversou com ela desde cedo sobre doenças mentais. “[Ela disse] Se você começar a sentir como se as coisas estivessem distorcidas à sua volta, sentir como se não houvesse raios de luz e se estiver paralisada pelo medo, o motivo é esse e é assim que você pode se ajudar.”

A atitude da mãe da artista é admirável, mas ainda não é a realidade para muitos que estão lidando com algum tipo de doença mental. A falta de informação sobre o assunto dificulta o reconhecimento do problema, o que acaba, por consequência, atrasando um possível tratamento. Além disso, a saúde mental não é tão priorizada quanto a saúde física. Não é raro ouvir por aí que a depressão, por exemplo, não é nada, e que é não é preciso dar tanta importância a ela.

“Em geral, o maior desafio está no início do tratamento, em ajudar a própria pessoa e sua família a vencerem o preconceito e o estigma em relação a realizar um tratamento psiquiátrico”, explica Marco Antônio Abud Torquato Junior, psiquiatra do Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP (Ipq/HCFMUSP) e do Hospital Universitário da USP, ouvido pela reportagem do UOL. No Brasil, estima-se que 23 milhões de pessoas precisem de algum atendimento para a saúde mental.

E Kristen Bell teve a sorte de ter o apoio e o cuidado de sua mãe, com quem ela sempre pode conversar sobre suas emoções.

“Eu sou muito grata a ela, porque você precisa ser capaz de lidar com isso”, disse. “Eu tomei medicamentos quando era mais nova, para que eles me ajudassem com minha ansiedade e depressão. Até hoje eu os tomo e não tenho vergonha disso. Minha mãe me disse: ‘se você começar a se sentir dessa maneira, converse com um médico e com seu psicólogo para que você descubra como quer se ajudar. E se decidir tomar remédios, saiba que o mundo vai querer fazer com que você tenha vergonha disso. Contudo, na comunidade médica, você não negaria insulina a uma pessoa com diabetes’.”

O mesmo sentimento foi expressado pela atriz Lena Dunham no Instagram há poucos meses. Ela escreveu em uma foto que era preciso acabar com o estigma sobre doenças mentais e medicação, principalmente no que diz respeito às mulheres que precisam deles. “Os remédios não me tornaram uma versão vazia de quem eu era. Eles permitiram que eu me conhecesse. Eu desejo o mesmo para cada mulher que já sofreu. Não há vergonha alguma.”

Então, se você estiver precisando de ajuda, não tenha medo de procurá-la. Você também pode ligar para o CVV – Centro de Valorização da Vida -, através do 141, ou converse com um especialista no site. E se você precisar tomar remédio por recomendação médica, saiba que não há mal algum nisso.