Kesha enfrentou distúrbios alimentares como muitas mulheres – e revela como deu a volta por cima

Kesha enfrentou distúrbios alimentares como muitas mulheres – e revela como deu a volta por cima

A luta de Kesha para se ver livre do produtor Dr. Luke, o qual ela acusa de abuso físico, sexual e psicológico, está longe de ser a única batalha na vida da cantora, que explodiu no cenário pop com o hit “Tik Tok”.

Além de do processo judicial, que parece muito com um pesadelo, ela também enfrentou distúrbios alimentares. Em 2011, a artista revelou à revista Elle UK que esse foi o motivo para ter dado entrada em uma clínica de recuperação.

“Eu sentia que parte do meu trabalho era ser o mais magra possível. E para fazer com que isso acontecesse, eu estava abusando do meu corpo. Eu não estava dando a energia que ele precisava para ficar forte e saudável”, contou Kesha.

Foi um período muito difícil na vida da voz de “We R Who We R”, mas que ela decidiu revisitar em um texto escrito por ela para o site da revista Teen Vogue. Nele, ela recorda que nunca se encaixou em lugar algum, mas que sua mãe sempre a incentivou a expressar sua individualidade.

“Ela me dizia para eu nunca ter vergonha de quem eu era. As outras crianças não sabiam o que fazer comigo. Eu era um alvo frequente de bullying e me faziam ter vergonha das coisas que me tornavam única”, afirmou a cantora. “Quando eu penso no tipo de bullying que eu sofri quando era criança e adolescente, ele se parece quase pitoresco perto do que acontece hoje. A quantidade de insultos na internet sobre os corpos das pessoas e slut-shaming sem fundamento me deixam enojada”.

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Slut-shaming, para quem não está familiarizado com o termo, é fazer com que as mulheres tenham vergonha de suas próprias sexualidades e corpos. Isso se dá por meio de compartilhamento de fotos e vídeos íntimos sem consentimento, até agressões físicas e verbais por terem uma vida sexual ativa.

“Por experiência própria, eu sei o quanto comentários podem destruir a confiança e a auto-estima de uma pessoa. Eu me sentia incapaz de receber amor depois de ler as palavras cruéis escritas por estranhos que não sabem nada sobre mim”, continuou.

Esses comentários, que vinham em fotos suas tiradas por paparazzi, fizeram com que Kesha questionasse o seu valor e vivesse em briga com seu próprio corpo, fazendo com que ela desenvolvesse os transtornos alimentares.

“A pior ironia de tudo isso era que, quando eu estava em um dos piores estágios da minha vida, eu continuava ouvindo o quão linda eu parecia”, disse. “Eu sabia que eu estava destruindo meu corpo com meu distúrbio alimentar, mas a mensagem que eu recebia era de que eu estava muito bem”.

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Segundo o Manual de Psiquiatria de diagnóstico de distúrbios mentais, publicado pela Associação Americana de Psiquiatria, estima-se que uma a cada cinco mulheres sofra com algum tipo de transtorno alimentar, sendo mais frequente em jovens mulheres, entre 12 e 24 anos. Ou seja, o caso de Kesha não é o único, mas um entre vários.

Foi depois de reconhecer o problema, que a cantora decidiu procurar por ajuda e mudar sua vida. Ela diz que “trabalhar em si mesma” não é fácil, mas “tentar viver com base no que as outras pessoas pensam de você pode te levar à loucura”.

“Você precisa descobrir o que faz você se sentir bem e o que faz com que você fique positiva”, ela contou à Teen Vogue. “Esse é um dos motivos pelos quais eu mudei minha relação com as redes sociais. Eu as amo, porque é como eu me comunico com meus fãs – e nada significa mais para mim do que meus fãs – mas ficar muito tempo nelas podem aumentar minha ansiedade e depressão”. 

Alguns estudos apontam que passar muito tempo conectado pode não fazer muito bem para a saúde mental. Em um deles, pesquisadores da Ottawa Public Health, agência de pesquisas e programas de saúde da cidade de Ottawa, no Canadá, examinaram um grupo de 750 estudantes, os quais foram convidados a responder perguntas sobre seus hábitos nas redes sociais e saúde mental. Foi descoberto que os jovens que passam mais de duas horas por dia conectados eram mais ansiosos e apresentavam quadros de depressão e pensamentos suicidas.

“Neste ano, eu prometi que faria mais pausas nas redes sociais e telas e passaria mais tempo na natureza. Para mim, algumas das experiências mais terapêuticas incluem escalar uma montanha ou andar de bicicleta na praia. Estar em meio aos animais em seus habitats naturais me lembram que meus problemas são muito pequenos. Nossas vidas não são mais importantes que a de outros animais. Somos todos animais, afinal de contas”, disse a cantora, fazendo referência à forma como chama sua fã-base: animais.

“Atualmente, estou escrevendo um álbum que explora como minhas vulnerabilidades são a minha força, não a fraqueza”, conclui. “Com esse texto, eu quero passar uma mensagem a todo mundo que esteja lutando com um distúrbio alimentar, depressão, ansiedade ou qualquer outra coisa. Se você tem cicatrizes físicas ou emocionais, não tenha vergonha delas, pois elas são parte de você. Lembre-se que a beleza vem em todas as formas e tamanhos. E ninguém pode tirar a sua mágica”.

Ficamos felizes que Kesha esteja muito melhor e trabalhando em novas músicas! Nós mal podemos esperar pelo que vem por aí. Com certeza, algo que continuará inspirando pessoas pelo mundo afora.

Leia o artigo completo no site da Teen Vogue.

Tradução: “Eu tinha um distúrbio alimentar que ameaçou a minha vida, e eu tinha muito medo de confrontá-lo. Eu fiquei cada vez mais doente e o mundo todo continuava dizendo o quão linda eu parecia. Foi aí que eu percebi que queria ser parte da solução”.


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