Para Kerry Washington, a democracia só funciona com “diversidade de pensamento”

Para Kerry Washington, a democracia só funciona com “diversidade de pensamento”

Desde que assumiu a presidência dos Estados Unidos, Donald Trump tem recebido diversas críticas (acertadas, diga-se de passagem) e enfrentado protestos contra o seu governo. Um dos maiores foi a Marcha das Mulheres, realizada um dia depois de sua posse. A manifestação uniu mulheres famosas e anônimas, todas juntas contra o retrocesso que a administração do Republicano representa para os direitos das minorias.

E uma das celebridades que marcharam contra o presidente dos EUA foi Kerry Washington, a Oliva Pope da série “Scandal”. No evento, a atriz fez um poderoso discurso, pedindo a todos os presentes que dissessem bem alto: “eu sou importante. Nós somos importantes. Nós somos o povo”.

Se você está surpreso que a artista se envolva em causas sociais, não deveria. Já há algum tempo, Kerry vem utilizando sua plataforma para conscientizar o público sobre as diferentes formas de violência contra mulher, os direitos da população negra e pela liberdade de expressão da comunidade LGBT. Não só fora das telas, mas dentro delas também, a atriz faz questão de escolher projetos que mobilizem as pessoas.

Para ela, ativismo e arte andam lado a lado.

Em maio, ela é capa da revista Glamour americana, e admitiu que quer fazer com que todos possam se sentir vistos e acolhidos por seu trabalho, que agora também envolve produzir obras audiovisuais. Washington é produtora, chefe da Simpson Street, responsável pelo aclamado “Confirmation”, filme exibido pela HBO no ano passado, e que recorda um período importante na história dos Estados Unidos: quando Anita Hill denunciou o então nomeado ao Supremo Tribunal de Justiça dos EUA, Clarence Thomas, por assédio sexual.

“A função da minha produtora, a Simpson Street, é contar histórias sobre pessoas, lugares e situações que talvez não sejam sempre consideradas pelo que é popular”, disse a atriz à Glamour. “Inclusão não é sobre criar um mundo onde homens héteros e brancos tenham uma voz. É sobre criar um mundo onde todos nós tenhamos uma voz”.

Para ela, a arte é, ao mesmo tempo, como um espelho e um martelo, pois “cria compaixão, quebra muros e nos permite calçar os sapatos de outras pessoas”.

Contudo, Kerry Washington sabe que nem todo mundo gosta que artistas e celebridades manifestem suas visões políticas. No começo do ano, durante o SAG Awards, ela afirmou que pensa de forma diferente, dizendo que “atores são ativistas, porque nós incorporamos o valor e a humanidade de todas as pessoas”.

E de acordo com a atriz, é importante que haja uma pluralidade de vozes e ideias para fazer com que a democracia funcione. Isto é: mulheres, minorias étnicas e religiosas, a comunidade LGBT, pessoas com deficiência e demais minorias devem ter o direito de se expressar.

“Para a democracia funcionar, todos precisam ter uma voz. Não é sobre demonizar outras vozes. É importante que hajam conversas reais por aí. Há pessoas do outro lado do espectro político que acreditam que eu sou parte da propaganda da esquerda. Isso me entristece porque eu acredito que, para a democracia funcionar, é preciso diversidade de pensamento”, ela contou à Glamour. 

A artista foi além, comentando ainda sobre o atual cenário político dos Estados Unidos (e do mundo).

“Não sei como isso está mudando quem eu sou ainda. A ideia de segurar as mãos umas das outras na Marcha das Mulheres, parece que somos convidadas a fazer isso todos os dias. Muitos de nós estão sentindo-se atacados, seja o direito de escolha de uma mulher, ou a lápide de um cemitério judeu, ou imigrantes sendo banidos ou deportados. Muitos de nós sentem a necessidade de proteger e defender nossa democracia. E marcham pelo sonho de ser ‘nós, o povo’. Isso é animador, assustador e frustrante. Estamos despertos. Estamos mais despertos do que nunca, e precisamos continuar assim”.

Para ler a entrevista completa, acesse o site da Glamour.


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