Se Katy Perry escrevesse “I Kissed a Girl” hoje, algumas mudanças seriam feitas na letra: ‘ela possui alguns estereótipos’

06. Fevereiro 2018 POP 0
Se Katy Perry escrevesse “I Kissed a Girl” hoje, algumas mudanças seriam feitas na letra: ‘ela possui alguns estereótipos’

Há 10 anos, Katy Perry surgia no cenário pop com “I Kissed a Girl”, música que deu início a uma carreira marcada por um enorme sucesso, recordes e turnês lucrativas.

Ainda assim, o primeiro single da cantora, apesar ter sido um hit, não foi recebido sem críticas. Isso porque “I Kissed a Girl” transforma a experiência de mulheres lésbicas ou bissexuais em fetiche para homens. Nos versos, ela canta sobre beijar uma menina com “lábios com gosto de cereja”, ao mesmo tempo em que diz que “isso não é o que meninas boas fazem”, “espero que meu namorado não se importe” e “eu só queria experimentar”. Tudo isso faz soar o velho alarme de que o prazer feminino precisa estar atrelado a um homem. 

Mas uma década depois, Katy Perry quer que você saiba que, se escrevesse “I Kissed a Girl” novamente, ela provavelmente faria algumas mudanças na letra. A revelação veio em um vídeo feito para a revista Glamour americana, da qual a californiana é a capa da edição de março. Enquanto ouve versões cover de suas canções, ela faz uma pausa para comentar seu primeiro single.

Assista a partir da marca de 8 minutos e 23 segundos:

“Nós mudamos muito a conversa nesses últimos 10 anos”, começa Katy. “Nós trilhamos um longo caminho. A bissexualidade não era tão conversada lá atrás, assim como qualquer tipo de fluidez. Se eu tivesse que escrever essa música de novo, eu provavelmente faria algumas edições. Em termos de letra, ela possui alguns estereótipos. Sua mente muda muito em 10 anos e você cresce bastante. A verdade é que você pode, sim, evoluir”.

O comentário da artista se alinha à mudança que tem feito no último ano, com a era “Witness”. No ano passado, ela também se desculpou pelas vezes em que se apropriou de culturas para vender sua música.

“Eu cometi muitos erros”, disse em entrevista para o ativista negro DeRay Mckesson. “Até no meu clipe ‘This Is How We Do’, sobre como eu usei meu cabelo. Eu tive uma conversa com uma de minhas anjas empoderadas, Cleo [Wade], sobre o por que de eu não poder usar meu cabelo daquela maneira, ou a história por trás daquele penteado. E ela me falou sobre o poder nos cabelos das mulheres negras, como ele é lindo e a luta que elas enfrentam. E eu ouvi. Eu não sabia. Eu nunca vou entender algumas coisas, por ser quem eu sou. Eu nunca vou entender, mas eu posso me educar. E isso é o que eu estou tentando fazer”

Atualmente, Katy Perry trabalha na divulgação de “Witness”, álbum lançado no ano passado, e que não rendeu a ela os hits que produziu nos últimos 10 anos. Mas segundo a própria cantora, essa foi uma experiência necessária.

“Eu tinha muitas expectativas no final de 2015 e 2016, as quais não foram correspondidas”, contou a voz de “Roar” à Glamour. “Foi a primeira vez em muito tempo que as coisas não aconteceram como eu queria. Acho que foi a maneira do universo de me testar e dizer: ‘vamos ver se você se ama de verdade’. Isso foi desafiador para mim, pois eu não percebia o quanto eu dependia da validação externa. Eu achei que não, mas uma vez que você é chutada do topo da montanha, você percebe que o clima é melhor lá em cima. Foi muito importante passar por isso”, continuou. “Esse último ano foi sobre matar meu ego, o que foi necessário para minha carreira. Porém, na minha vida pessoal, não funciona assim. Se eu quero encontrar equilíbrio, eu preciso ser Katheryn Hudson”.