Justin Timberlake fazendo o show do intervalo do Super Bowl enquanto Janet Jackson ainda é banida do evento é prova do privilégio masculino

23. outubro 2017 POP 1
Justin Timberlake fazendo o show do intervalo do Super Bowl enquanto Janet Jackson ainda é banida do evento é prova do privilégio masculino

Depois de muita demora e especulações, Justin Timberlake foi finalmente confirmado como a atração do tradicional show do intervalo do Super Bowl 2018. O evento é um dos maiores transmitidos na televisão dos Estados Unidos, sendo que as performances musicais que acontecem tendem a atrair mais público do que a própria final da Liga do Futebol americano. Para se ter uma ideia, 118 milhões de pessoas assistiram à apresentação de Lady Gaga no SB deste ano, um recorde de audiência.

O cantor já era um dos nomes esperados, mas nada havia sido confirmado até o último domingo (22), quando o próprio músico deu a notícia em um curto vídeo postado nas redes sociais ao lado do apresentador e amigo Jimmy Fallon. “Eu tenho tempo. Metade do tempo”, escreveu Timberlake, comemorando as boas novas. 

É possível que ele lance seu próximo disco, o sucessor de “The 20/20 Experience – The Complete Experience”, entre o final deste ano e o começo do próximo, o que tornaria o timing para o Super Bowl muito favorável.

Contudo, é curioso – para dizer o mínimo – , que ele tenha sido escolhido para o show do intervalo enquanto Janet Jackson segue banida do evento esportivo. Aliás, deveria ser de espantar que ele tenha sido cogitado para tal posição. E se você não consegue entender o motivo, é preciso voltar a 2004, ano em que Justin se apresentou ao lado de Janet no Super Bowl e tirou parte da roupa da artista, o que acabou resultando em deixá-la com seu seio direito exposto para o mundo todo.

O caso rendeu uma grande polêmica e segue sendo lembrado até hoje como “Nipplegate”. Muito se debate se o incidente foi planejado ou não, embora a equipe de Jackson tenha dito que o ocorrido foi “um mau funcionamento da vestimenta” e “não intencional“. O que aconteceu depois, durante todos esses anos, é mais um exemplo de privilégio masculino e perseguição a uma mulher negra.

No mesmo ano do incidente, Janet Jackson foi banida do Grammy Awards (e nunca mais foi indicada à maior premiação musical dos EUA) e foi proibida de ser escalada em eventos futuros da Liga de Futebol americana. A carreira da cantora sangrou e ela viu seus álbuns e singles não repetirem o mesmo sucesso que havia encontrado nas décadas anteriores. Uma das maiores artistas dos Estados Unidos pagou um preço caro por algo que não teve culpa.

Ao mesmo tempo, Justin Timberlake viu sua carreira decolar. Ainda em 2004, enquanto sua colega de Super Bowl não pode comparecer ao Grammy, a voz de “Cry Me a River” não foi apenas convidado, como foi também indicado a prêmios e vencedor de dois gramofones dourados. No palco da premiação, ele pediu desculpas pelo que havia acontecido a “quem havia se sentido ofendido”. E de lá para cá, ele lançou álbuns bem sucedidos, fez turnês mundiais, fez filmes e ganhou mais prêmios.

É enfurecedor que JT tenha direito a uma “segunda chance”, enquanto a figura de Janet Jackson permaneça sendo discriminada. Isso prova que homens continuam sendo desculpados por suas ações (sejam elas de responsabilidade deles ou não), enquanto mulheres são julgadas e crucificadas. Será que ele convidará a voz de “That’s the Way Love Goes” para a sua apresentação no SB, ou continuará com o ciclo de apagamento da artista? Fica aí a dúvida.

Aliás, há muitas questões a serem respondidas, mas uma coisa é certa: Janet Jackson merece um grande pedido de desculpas.


1 thought on “Justin Timberlake fazendo o show do intervalo do Super Bowl enquanto Janet Jackson ainda é banida do evento é prova do privilégio masculino”

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    Sybylla on 31/10/2017 Responder

    Mas gente?? Eu tô passada com essa merda!

    O seio dela fica à mostra e… ela é banida e jogada no ostracismo por isso?? PQP, sabe?

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