Julianne Moore: “O sexismo não acontece só na indústria do cinema”

16. março 2015 Cinema 0
Julianne Moore: “O sexismo não acontece só na indústria do cinema”

A talentosa Julianne Moore levou o Oscar de Melhor Atriz na cerimônia deste ano, por seu papel no filme “Para Sempre Alice”, e trabalha na campanha “Women of Worth“, da L’Oreal Paris, um projeto que premia mulheres que comandam instituições de caridade.

Ao site Refinery29, Moore falou sobre a campanha, a importância de apoiar outras mulheres e sobre sexismo na indústria do entretenimento. “Quando as pessoas falam que sexismo é endêmico no show business, especificamente, não acho que seja verdade. É um problema global”.

De fato, o sexismo está presente em qualquer sociedade e em qualquer país. No Brasil, por exemplo, mulheres ainda recebem 30% menos do que os homens executando a mesma função. “Acho que estamos mais conscientes de que há uma diferença de tratamento entre gêneros no mundo todo, e isso não acontece só na minha indústria”, afirmou Julianne Moore ao Refinery29.

Na indústria cinematográfica, nunca falou-se tanto sobre sexismo como agora. Após o vazamento de emails da Sony no ano passado, veio a público de que atrizes recebem menos do que seus colegas de profissão. Em um dos casos mais emblemáticos, Jennifer Lawrence recebeu 7% dos lucros do filme “Trapaça”, enquanto Bradley Cooper, por exemplo, recebeu 9%.

Além disso, é comum as atrizes serem questionadas, no tapete vermelho e em entrevistas, sobre as roupas que vestem, maquiagem e como conseguem conciliar trabalho e família, enquanto o mesmo não é perguntado aos homens.

É por isso que a campanha #AskHerMore (Pergunte Mais a Ela) foi criada: para repórteres perguntarem mais do que a marca do vestido usado na ocasião. Juliane Moore disse adorar a campanha. “Acho incrível. Uma das razões pelas quais eu amo filmes é porque eles são sobre quem somos, enquanto pessoas: o que amamos, o que fazemos e o que nos importamos – e é sobre isso que nós deveríamos falar. É por isso que eu faço filmes”.

Para a atriz, é fundamental, também, mulheres apoiarem outras mulheres. Ainda mais depois de ganhar o Oscar, Moore sente-se mais responsável em contribuir para uma sociedade melhor. “Penso que todos temos responsabilidade, somos todos interdependentes. Eu acredito naquela máxima ‘Ele, que muito recebeu, muito lhe será cobrado’. Acho que fui tão sortuda na minha vida, que tudo que eu puder fazer para um mundo melhor é importante fazer”.

E se ela pode ajudar alguma mulher que está começando sua carreira como atriz, o conselho é: persista. “E esteja preparada. Sempre digo para quem está começando que é necessário sair e conseguir audições. Então, esteja pronta, conheça-se, seja profissional e leve a sério. Mas, saiba que você não precisa fazer tudo de uma vez. Não é como se você saísse da escola e conseguisse o emprego dos sonhos. Há pequenas coisas no meio do caminho. Cada passo e tudo o que você fizer durante o percurso conta! Todos os pequenos empregos, até seu trabalho como garçonete. Seja boa fazendo isso. Não rejeite nada. Toda experiência é valiosa”.

Por fim, Moore disse ainda que se há algo que precisa acabar é esse medo de falar a idade. “É ridículo! E agora é algo que está na internet, todo mundo fica sabendo de qualquer forma. Tenho 54 anos [risos]. De alguma forma, é libertador, porque a idade não é algo que importa. Sempre que você sentir que deve esconder algo sobre si, pense que não terá sucesso. É muito libertador ser honesta sobre tudo que diz respeito a você”, aconselhou durante a entrevista.

A entrevista completa com Julianne Moore está no Refinery29.