Jordan Gavaris, da série “Orphan Black”, assume que é gay

Jordan Gavaris, da série “Orphan Black”, assume que é gay

“Orphan Black”, que chegou  à sua quinta e última temporada, sempre foi um seriado elogiado por conta de sua representação positiva e cheia de nuances de LGBTs. Felix Dawkins, irmão e parceiro de Sarah Manning (Tatiana Maslany) é um dos raros retratos de um gay afeminado que vemos em uma série, o que o torna um personagem tão importante para a televisão.

Ele é interpretado por Jordan Gavaris, que assumiu publicamente que é gay em uma entrevista para a revista Vulture na semana passada. Não que isso fosse um segredo, mas segundo o ator, “ninguém nunca me perguntou”.

“Nunca fui perguntado sobre isso durante todo o curso da série”, ele disse. “Acho que é nesse ponto onde estou em termos de me assumir publicamente: quando eu comecei o show, eu achava que isso não deveria importar. E eu acredito nisso. Eu espero que um dia o mundo chegue num estágio em que você não precisa mais policiar sua sexualidade. E que ninguém tenha medo, talvez, de se assumir. Mas também, que ninguém fique tão obcecado em saber se alguém é gay ou não. Seria maravilhoso viver em um mundo onde as pessoas não sintam que precisam se proteger e que outras pessoas não comecem uma inquisição”.

Jordan revelou sua orientação sexual aos pais aos 19 anos, afirmando que eles sempre foram muito liberais, e sabia que não o rejeitariam por ser gay. Contudo, ter de contar a eles foi algo esquisito – como ainda é para muitos LGBTs.

“Minha mãe e meu pai são maravilhosos”, elogiou. “Acho que foi na faculdade que eu comecei a ficar confortável comigo mesmo para contar aos meus pais. Eu não tinha medo de ser chutado de casa, eu não me preocupava com as perguntas esquisitas. Foi emocionante e esquisito. É como confessar a eles que você quer se envolver romanticamente e sexualmente com outras pessoas. Tem o componente sexual. Tem o componente romântico. É uma coisa vulnerável para dizer aos seus pais. Aos 19 anos, eu achava que era nojento. Eu pensava que era nojento contar para eles e eles terem ciência que eu estava interessado em certos rapazes e que queria namorar e dormir com eles. Eles saberiam que eu era sexualmente ativo. Isso é muito esquisito. Tem esse outro lado que torna estranho, não importa o quão liberais e apoiadores seus pais sejam. E os meus eram muito apoiadores. Eu nunca duvidei do amor deles por mim, e eu nunca achei que poderia haver algo que eu fizesse que custasse o amor deles. Mas era esquisito. Tenho certeza que foi esquisito para todo mundo”.

A relação do ator com sua família é muito boa, tanto que os pais dele aceitaram muito bem seu namoro com o também ator e roteirista Devon Graye. Porém, a relação com Hollywood pode não ser tão boa assim, pois artistas assumidamente LGBTs ainda são poucos, e muitos do que estão ‘fora do armário’ ainda correm o risco de não conseguir novos papéis.

“Isso é algo complicado de dizer e eu nunca disse isso antes, mas acredito que eu vou perder trabalhos e acredito que vou conseguir outros. Talvez, não pelos motivos certos”, disse Jordan à Vulture. “Há uma grande discussão na indústria sobre contratar atores gays para papéis gays, e eu acho que isso é muito importante. Mas, honestamente, eu não estou interessado em trabalhar onde eu não possa dar tudo de mim ao personagem. E se isso significa que eu não sou a melhor escolha, então, provavelmente, eu não deveria ficar com o papel. Isso não quer dizer que há uma licença para discriminar atores gays. Há uma grande diferença aí”.

E no que diz respeito à representação LGBT na televisão, Gavaris tem algumas críticas a fazer. Principalmente no quesito histórias sobre ‘sair do armário’, as quais parecem ser as únicas que as redes de TV querem fazer.

“Acho que ainda estamos presos e preocupados em legitimizar ser gay na televisão ou legitimar casais gays. Há muitas histórias sobre se assumir gay. Ainda há muitas histórias sobre como é uma luta ser gay em um mundo homofóbico. Não há nada de errado com elas, eu amo essas histórias. Mas nós precisamos de outras histórias também”, afirmou. “Eu gosto de shows como ‘Looking’, que examinam o que não é tradicional, relações abertas, porque isso é um cruzamento na comunidade gay. Tenho muito interesse em histórias com mistérios, por exemplo, com protagonistas gays. Por que não? A preocupação não é sobre ele se assumir, não é sobre a sexualidade dele”.

Por fim, Jordan espera que seu exemplo ajude alguém, mesmo que ele não sinta que é tão famoso quanto outros famosos que também são gays.

“Meu cérebro diz: ‘você não acha que é arrogante ao pensar que isso terá algum impacto?’ A pior parte de mim tem raiva que eu possa ser arrogante o bastante para achar que alguém está prestando atenção, mas a melhor parte de mim sabe que sim, há pessoas prestando atenção. Talvez não tenha o mesmo impacto como alguém feito o Colton Haynes ou o Gus Kenworthy. Mas mesmo que uma pessoa se sinta mais confortável, que se veja representada de alguma maneira, isso vai ser mais importante do que eu me proteger”, concluiu o artista.


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