Jill Soloway, Jeffrey Tambor, Uzo Aduba, Viola Davis e Andy Samberg fazem discursos poderosos no Emmy 2015

22. setembro 2015 Televisão 1
Jill Soloway, Jeffrey Tambor, Uzo Aduba, Viola Davis e Andy Samberg fazem discursos poderosos no Emmy 2015

No domingo, 20, rolou o Emmy Awards 2015, premiação para os melhores da televisão durante os anos 2014 e 2015. As séries “Game of Thrones” e “Veep” levaram quatro estatuetas cada, Viola Davis foi finalmente consagrada por sua atuação como Annalise Keating em “How to Get Away With Murder”, e Regina King foi premiada como ‘Melhor Atriz Coadjuvante numa Minissérie ou filme para TV’.

E, como de costume, discursos poderosos foram feitos, como aconteceu no Oscar, Globo de Ouro e SAG Awards, realizados neste ano. Aqui vão aqueles que roubaram a cena durante o Emmy Awards 2015:

Jill Soloway – Melhor direção de série de comédia:

https://www.youtube.com/watch?v=Gi-5Es10yro

Após agradecer à sua família e equipe, a criadora da série “Transparent”, que conta a história de Maura Pfefferman, uma mulher transgênero, pai de três filhos, comentou a situação de seu pai, uma mulher trans e que inspirou a criação do seriado.

“Algo interessante sobre ela, Carrie, é que ela poderia tentar procurar um apartamento amanhã. Mas em 32 Estados, é legal o proprietário olhar para ela e dizer ‘não alugamos para pessoas trans’. Nós não temos um ponto de virada trans ainda, nós temos um problema de direitos civis para pessoas trans. Portanto, acessem transequality.org e vote para que o projeto de lei de Igualdade Trans seja aprovado. Obrigada”.

O site citado por Soloway pertence à ONG National Center for Transgender Equality, fundada por ativistas trans, e que luta por políticas públicas para essas pessoas. É ótimo que uma pessoa com uma grande plataforma use-a para ajudar outras pessoas.

Jeffrey Tambor – Melhor Ator em Série de Comédia:

https://www.youtube.com/watch?v=No4y21G0g20

Jeffrey Tambor, que atua na série “Transparent” como a Maura Pfefferman, dedicou seu prêmio á comunidade trans. “Eu tinha uma professora que dizia ‘quando você atuar, atue como se a sua vida dependesse disso’. E agora me foi dada a oportunidade de atuar porque a vida de pessoas depende disso”. Vale lembrar que os números de suicídio e homídio de pessoas trans são muito altos.

“Não querendo repetir o que disse, mas repetindo especificamente o que disse, gostaria de dedicar minha atuação e essa estatueta à comunidade transgênero. Obrigado por sua paciência, por sua coragem, por suas histórias, por sua inspiração, obrigado por nos deixarem ser parte da mudança”.

O ator, assim como outros artistas usaram um laço verde em seus trajes. O símbolo que é usado para conscientizar sobre doenças doenças mentais e câncer de rim, de acordo com a revista Elle, foi usado na premiação para cobrar ações de líderes mundiais acerca do aquecimento global.

Uzo Aduba – Melhor Atriz Coadjuvante em Série Dramática:

Uzo Aduba levou a estatueta dourada por sua atuação como a Crazy Eyes do seriado “Orange Is The New Black”, do Netflix. Muito emocionada, a vencedora pela segunda vez do Emmy agradeceu à criadora da série, Jenji Kohan. “Eu só queria dizer ‘obrigada’ umas mil vezes. Se eu pudesse agradecer mil vezes, ainda assim não seria o suficiente”.

A atriz seguiu agradecendo à plataforma de streaming, à equipe, agente, advogado e empresário dizendo “eu os amo muito porque vocês me deixam ser eu mesma”. Ao final, Uzo agradeceu à família, que “ficou do meu lado minha vida toda”, e à sua irmã, a quem chamou de “melhor amiga”. “Tenho orgulho de chamá-la de irmã. Eu te amo demais”.

Viola Davis – Melhor Atriz em Série Dramática:

https://www.youtube.com/watch?v=685jYZGcFh8

Viola Davis fez história ao ser a primeira mulher negra a ganhar um prêmio por sua atuação numa série dramática em toda a história do Emmy Awards. Seu discurso merece ser assistido várias vezes. Com o prêmio em mãos, ela lembrou a escassez de personagens para mulheres negras. As atrizes negras presentes ficaram sensibilizadas com seu discurso emocionante.

“Na minha mente eu vejo uma linha. E acima dessa linha, eu vejo campos verdes, flores e lindas mulheres brancas estendendo seus braços até mim, mas eu não consigo ultrapassar essa linha. Essa foi Harriet Tubman, em 1800. Deixem-me dizer uma coisa: a única coisa que separa mulheres não-brancas de todos os outros é a oportunidade. Você não consegue ganhar um Emmy por papéis que simplesmente não existem.

Esse é para todos os roteiristas, as pessoas incríveis que são Ben Sherwood, Paul Lee, Pete Nowalk, Shonda Rhimes. Pessoas que redefiniram o que significa ser linda, sexy, protagonista e ser negra. E esse também é para Taraji P. Henson, Kerry Washington, Halle Berry, Nicole Beharie, Meagan Good, Gabrielle Union [todas atrizes negras]. Obrigada por nos fazerem atravessar aquela linha”.

Andy Samberg – apresentador do Emmy Awards:

https://www.youtube.com/watch?v=HyXSDIfhh5o

O apresentador da premiação, Andy Samberg (“Brooklyn Nine-Nine”), brincou com o machismo, o racismo e a falta de diversidade de Hollywood. Logo no começo de seu monólogo ele diz estar feliz por fazer parte da lista de apresentadores do Emmy, citando os atores Robert Blake, acusado de ter matado sua segunda esposa Bonny Lee Bakley, e Bill Cosby, acusado de drogar e estuprar diversas mulheres. “Eu preciso sair daqui”.

“Mas a grande história esse ano é diversidade. Esse é o grupo mais diverso de indicados na história do Emmy”, lembrou Samberg. “Parabéns, Hollywood. Você conseguiu! O racismo acabou – não vá checar isso”, brincou. “Claro, dada nossa história, mais diverso do que nunca não quer dizer muito. Quero dizer, aposto que no dia em que Jackie Robinson [primeiro jogador negro de baseball a atuar na Major League americana] jogou baseball pela primeira vez, o diretor executivo disse ‘o [time] Brooklyn Dodgers deste ano é o mais diverso da história. Sabe? Isso é bom’. Isso é provavelmente o que ele disse”.

Em seguida, Andy falou sobre machismo em Hollywood. “A diferença salarial entre homens e mulheres contratados para grandes papéis ainda é um problema. Esperem, desculpem-me, eu li errado. A diferença de idade entre homens e mulheres contratados para grandes papéis em Hollywood ainda é um problema. Esperem, desculpem-me mais uma vez. Eu li errado. Ambos ainda são um problema. Uma porcaria em ambas as frentes”.

O ator brincou ainda com Donald Trump, que concorre ao título de candidato do partido Republicano para as eleições presidenciais do ano que vem, e tirou uma onda com Kim Davis, uma funcionária judicial que se recusou a oficializar casamento de pessoas do mesmo sexo.

Em um número musical, que precedeu seu monólogo, Samberg ironizou dizendo ser qualificado como apresentador por “ter assistido a todas as séries… E eu sou branco!”

https://www.youtube.com/watch?t=246&v=uQKOBzINo-Y


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