Jessica Chastain rejeita trabalhos em que seu salário seja muito menor que o do homem

18. abril 2017 Cinema 0
Jessica Chastain rejeita trabalhos em que seu salário seja muito menor que o do homem

A igualdade salarial entre homens e mulheres em Hollywood é uma história ainda sem conclusão. Enquanto as atrizes não forem remuneradas de forma justa, elas continuarão a se manifestar sobre uma das formas de discriminação mais conhecidas na indústria cinematográfica (e em qualquer indústria).

No mais recente capítulo dessa saga está Jessica Chastain, que voltou a se manifestar sobre a desigualdade de gêneros no seu meio de trabalho. A artista é uma das mulheres que estampam a capa de uma edição especial da revista Variety, a qual destaca celebridades femininas que utilizam suas grandes plataformas para chamar atenção a causas urgentes.

E é exatamente isso o que Jessica vem fazendo. Feminista, ela tem atuado por melhores representações das mulheres e das demais minorias no cinema, além de lutar pelos direitos das mulheres, o que inclui a igualdade salarial. Em conversa com a publicação, ela disse que não aceita mais trabalhos em que seu salário não seja igual ao de seus colegas homens.

“Estou recusando trabalhos em que eu sou paga um quarto do que é pago ao homem. Não estou mais permitindo isso na minha vida”, contou. “O que eu faço hoje, quando aceito um filme, é sempre perguntar sobre a equidade de salário. Eu pergunto quanto eles estão me oferecendo em comparação ao homem. Eu não me importo quanto me paguem, estou em uma indústria em que somos pagos além da conta pelo trabalho que realizamos. Mas eu não quero estar em um set de filmagem, fazendo o mesmo trabalho de alguém e ele está recebendo cinco vezes mais do que eu”.

Duas vezes indicada ao Oscar, ela revelou que mudou a forma como negocia seus contratos. Segundo ela diz, a atriz tinha de esperar que o estúdio decidisse quem seria o ator que contracenaria com ela, para que depois ela pudesse negociar o seu papel.

“Eles não queriam negociar comigo até que o homem fosse escalado. Eles esperavam e viam quanto tinham de sobra, mesmo que tivessem me procurado primeiro”, disse Jessica. “Então, eu parei de fazer isso. Hoje, se alguém vem até mim com uma oferta, mas quer esperar, eu digo: ‘adeus’. Se você me quer no seu filme, não determine o meu valor com base no que sobrou”.

A Celia Foote de “Histórias Cruzadas” também contou que, por conta dessa atitude, perdeu um trabalho grande, mas que está criando uma nova reputação.

“Eu pensei que tinha cometido um erro, mas não cometi, porque todo mundo no estúdio soube o que eu fiz. O que eu estou fazendo é criando uma reputação: ‘não leve para a Jessica algo que ela não seja compensada com justiça em relação ao ator’. Mesmo que eu tenha perdido um filme, eu criei um limite. Eu desenhei uma linha na areia. O poder do ‘não’ significa que você está educando as pessoas em como tratá-la”.

Outra luta de Jessica Chastain é pela sobrevivência da Planned Parenthood, uma organização americana cujo trabalho é voltado para a saúde reprodutiva da mulher. A instituição tem seu fundo federal sob ameaça pela administração de Donald Trump e do partido Republicano, os quais tentam fechá-la.

A atriz conta que já recorreu à Planned Parenthood quando era mais nova, por ser uma opção acessível a mulheres sem dinheiro e com pouca educação.

“Foi ali onde eu consegui minhas pílulas anticoncepcionais. Foi onde eu aprendi sobre educação sexual. Foi um lugar importante para mim”, afirmou à Variety. “Eu sou a primeira mulher na minha família a não ter um filho durante a adolescência. Sou a primeira a ir para a faculdade. Quando minha avó era mais nova, ela não tinha acesso a pílulas anticoncepcionais ou educação sexual. A mesma coisa aconteceu com a minha mãe. É muito importante que a nossa sociedade proteja as mulheres que não possuem meios financeiros para um plano de saúde. E a Planned Parenthood faz isso. As mulheres estão resistindo a esses ataques. Elas sabem que ao falar e se manifestar, elas podem mudar a direção desse governo”.


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