Jessica Chastain ensina como usar seu privilégio para o bem, ajudando Octavia Spencer a receber um salário maior

25. Janeiro 2018 Cinema 1
Jessica Chastain ensina como usar seu privilégio para o bem, ajudando Octavia Spencer a receber um salário maior

A disparidade salarial em Hollywood é uma pauta que já há algum tempo rende discussão. Porém, o que pouco se conversa é sobre a diferença de salários entre mulheres brancas e de outras minorias étnicas. Ainda que, coletivamente, mulheres recebam menos em comparação aos homens, negras, latinas e indígenas recebem bem menos do que suas colegas brancas.

Mas do que depender de Jessica Chastain, essa desigualdade vai acabar nos projetos em que estiver envolvida. É o caso, por exemplo, de seu novo filme, o qual será uma comédia estrelada pela própria atriz, ao lado de Octavia Spencer. Ambas trabalharam juntas anteriormente em “Histórias Cruzadas”, longa que rendeu a Octavia seu primeiro Oscar.

De acordo com Spencer, que participou de um painel no Festival de Cinema de Sundance, chamado “Mulheres que Quebram Barreiras”, Chastain lutou para que ambas recebessem o mesmo salário. 

“Eu tenho uma história”, disse Octavia durante o evento. “Há uns 15 meses, Jessica Chastain me ligou dizendo que queria fazer uma comédia comigo. E eu disse que sim. Ela tinha uma ideia. Ela me ligou de novo depois de uns seis meses. Nós conversamos sobre igualdade salarial entre homens e mulheres. Ela disse: ‘é hora das mulheres receberem o mesmo que os homens’. E eu concordei. ‘É hora mesmo’. E nós falamos palavrões e falamos sobre isso. 

“E, então, eu disse: ‘mas eis o seguinte: mulheres negras, nesse espectro [de salário], nós recebemos bem menos que as mulheres brancas. Por isso, se nós vamos trazer essa conversa sobre equidade salarial, nós temos que falar sobre mulheres negras”.

“Eu contei a ela minha história, falamos sobre números e ela ficou quieta. Ela não sabia que era assim para mulheres negras”, continuou Octavia. “Eu amo aquela mulher porque ela faz o que diz e faz acontecer. Ela disse: ‘Octavia, nós vamos fazer com que você seja paga nesse filme. Você e eu vamos estar juntas nisso e vamos receber a mesma coisa e você vai receber aquela quantia. E avançando para semana passada, nós vamos receber cinco vezes mais do que pedimos.

“A Jessica Chastain faz o que diz. E, agora, eu quero chegar ao que os homens estão sendo pagos, mas já é ótimo estar nessa conversa”, concluiu a atriz.

Nos Estados Unidos, mulheres recebem, em média, 20% a menos do que os homens. No caso das mulheres brancas, a cada 1 dólar de um homem branco, elas recebem 77 centavos. Contudo, essa diferença é maior em comparação com negras (64 centavos) e latinas (56 centavos).

Segundo uma pesquisa do Pew Research Poll, nos últimos 30 anos, brancas e asiáticas conseguiram diminuir a disparidade entre seus salários e de homens brancos de maneira diferente de negras e latinas. Enquanto, as mulheres brancas conseguiram 22 centavos a mais em seus pagamentos entre 1980 e 2015, mulheres negras fizeram apenas 9 centavos a mais, e latinas somente 5 centavos.

Mas não é só nos EUA onde isso acontece: no Brasil, a realidade das mulheres negras também é ruim. Por aqui, de acordo com o  estudo “O Desafio da Inclusão”, feito pelo Instituto Locomotiva, com dados da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), as negras recebem 43% menos que um homem branco, mesmo que ambos tenham a mesma graduação. Isso as coloca em último lugar no quesito renda entre os trabalhadores com ensino superior completo.

Portanto, a atitude de Jessica Chastain é um exemplo positivo de como usar seu privilégio para ajudar outras pessoas. Pelo Twitter, ambas as atrizes comentaram a situação:

Tradução: “Isso está correto, exceto que eu devo esclarecer que eu vou receber 5 vezes mais o meu salário porque Jessica se manifestou comigo. Eu não sei o que ou se isso custou algo para ela. O que eu sei é que ela se manifestou comigo e eu serei eternamente grata”.

Tradução: “Ela foi desvalorizada por muito tempo. Quando eu descobri isso, eu percebi que poderia atrelar o salário dela com o meu para elevar o pagamento dela. Os homens deveriam começar a fazer isso com suas colegas”.

As duas estrelas protagonizarão um filme de natal, da Universal, que também teve de brigar para produzir a obra com a Fox e a Paramount.

E nessa história toda, quem sai ganhando não são só as atrizes, mas nós também, já que poderemos vê-las atuando juntas de novo. Quando as mulheres se unem, só coisas boas acontecem mesmo.