Jessica Biel lança iniciativa para educação sexual de mulheres

18. setembro 2015 Internet 1
Jessica Biel lança iniciativa para educação sexual de mulheres

Antes de ter seu primeiro filho, Silas, nascido em abril deste ano, a atriz Jessica Biel teve muitas dúvidas sobre a futura gestação. “O que acontece agora? Estive tomando a pílula por tanto tempo; quanto tempo leva para engravidar?”, revelou à revista Glamour. Perguntas como período fértil rondavam sua cabeça, e foi então que ela se deu conta de que pouco sabia sobre o funcionamento do seu próprio corpo. “Foi chocante”.

Jessica Biel, que é casada com o ator Justin Timberlake, procurou Saundra Pelletier, fundadora da organização sem fins lucrativos WomanCare Global, para encontrar as respostas que procurava. Pelletier entende que a atriz não está sozinha e lembra que, enquanto crescia numa pequena cidade do Maine, “a vida para meninas era sobre casamento e quantos filhos teria no futuro”. “Entender seu próprio corpo e fazer essas escolhas não era falado.”

Ela então se tornou uma ativista, atuando em países em desenvolvimento na África, como a Etiópia, e o Camboja, no sudeste asiático, doando coletores menstruais (os famosos “copinhos”) para que as meninas não parem de estudar por não terem acesso a absorventes. A ação faz parte do “Projeto Dignidade”, que já ajudou 50 mil garotas nesses países.

Mas a realidade mostra que Jessica Biel não é a única mulher que pouco entendia sobre seu corpo. Educação sexual é algo que quase não existe nas escolas, seja no Brasil, seja nos Estados Unidos. Um estudo mostra que 33% das jovens americanas não receberam uma educação sexual formal e muitas aprendem apenas que não fazer sexo é a única maneira de evitar gravidez indesejada e DSTs.

No Brasil, as escolas também não oferecem educação sexual obrigatoriamente em sala de aula e qualquer esforço nesse sentido encontra resistência pelas famílias, como foi o caso da prefeitura de Guarulhos, que distribuiu livros escolares para crianças aprenderem sobre igualdade de gênero e como acontece a gravidez. O caso acabou parando na Câmara Municipal, onde foi tema de muita discussão.

A maior dificuldade das escolas do país em oferecer a educação sexual no currículo é a falta de recursos. “No âmbito das escolas públicas, já se tentou criar um parâmetro para que a educação sexual fosse um tema transversal, ou seja, atravessasse diversas matérias. Mas sem verbas e nem capacitação suficientes, o projeto não foi adiante”, conta a educadora sexual e diretora do Instituto Kaplan, Maria Helena Vilela, em reportagem da BBC Brasil. Ela explica ainda que muitos diretores acreditam ainda que “problema é dos pais, e não deles”.

A importância do tema se dá pela necessidade de criar jovens e adultos mais conscientes de seus corpos e de seus parceiros, respeitando as escolhas de cada um, evitando doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) e uma gravidez indesejada. Num país como o Brasil, onde o aborto não é permitido e onde há uma disparidade econômica grande, as escolas, principalmente as públicas, deveriam discutir a educação sexual. “É na escola pública onde se vê a gravidez na adolescência de perto e, consequentemente, a evasão escolar das meninas que ficam grávidas.”

Com isso, os jovens acabam se tornando adultos que não entendem seus corpos, principalmente as mulheres como Jessica Biel, que resolveu tomar uma atitude. Ao lado de Saundra Pelletier, as duas criaram uma série de vídeos online, “que cobrirão tudo, desde a puberdade até a contracepção”. “Mais da metade das gravidezes da nossa nação [Estados Unidos] não são planejadas e apenas 22 Estados exigem que escolas públicas ensinem educação sexual”, conta Pelletier à Glamour. “Jessica e eu percebemos que podemos ajudar a mudar isso”. “Às vezes você precisa de coragem para defender aquilo que acredita”, afirma a atriz.

Os vídeos estarão disponíveis no site womancareglobal.org. No manifesto escrito na página, é dito que é hora de acabar com a falta de informações, mitos e equívocos sobre os corpos das mulheres. “Nosso desejo é começar uma conversa – começar milhões de conversas, para destruir a noção de que tudo sobre o corpo da mulher é um tabu. Se você não contar a elas, então quem vai?”. Para a Glamour, Jessica Biel diz que o objetivo é o de que “as meninas saibam o que acontece em seus corpos, de forma que não tenham medo, vergonha ou nojo [deles]”. “Há poder e dignidade em entender seu corpo”, finaliza Saundra Pelletier.

Foto de destaque: Regan Cameron para a Glamour.