Jennifer Lawrence continua sendo honesta sobre ansiedade e isso importa

16. setembro 2015 Cinema 4
Jennifer Lawrence continua sendo honesta sobre ansiedade e isso importa

Jennifer Lawrence voltará em dose dupla aos cinemas no final do ano. A atriz interpreta a inventora do “mop milagroso”, Joy Manganoda, no filme “Joy” e se despede de Katniss Everdeen, sua personagem em “Jogos Vorazes: A Esperança – Final“. A americana, hoje a atriz mais bem paga de Hollywood, também está escrevendo o roteiro para um longa com sua nova melhor amiga, a também atriz Amy Schumer. Uma parceria entre as duas é muito bem-vinda e, com certeza, muito esperada!

Lawrence revelou a novidade ao jornal The New York Times, dizendo que “Amy e eu fomos criativamente feitas uma para a outra. Temos diferentes sabores. Tem sido a experiência mais divertida da minha vida”. Com seu jeito descontraído, ela respondeu a diversas perguntas, inclusive sobre ansiedade, um tema em que a atriz não foge quando perguntada.

E como ela lida com a ansiedade? “Eu tomo remédios”, respondeu brincando ao jornal. “Eu encontro uma certa paz ao pensar em mim publicamente como um tipo de avatar de mim mesma. Você pode ter um avatar de mim. Eu posso me manter. E tento ver que esse escrutínio é estressante e que todos pensam da mesma maneira. Então, eu tento deixar pra lá e ser eu mesma, e focar em coisas mais importantes, como recolher o cocô do cachorro”.

Jennifer Lawrence vem falando sobre ansiedade desde 2013, quando foi capa da revista Vogue americana. Sempre honesta quanto à forma utilizada para lidar com ela, Jennifer comentou que sua infância não fora muito boa por conta da ansiedade. “Eu era esquisita. Sempre tive essa ansiedade esquisita. Eu odiava o recesso, não gostava de excursões, festas me estressavam muito. E eu tinha um senso de humor diferente”.

Medicada e frequentando terapia, a atriz contou à revista francesa Madame Figaro que encontrou na atuação uma forma de aliviar a ansiedade.

“Meu apelido era ‘nitro’, de nitroglicerina. Eu era hiperativa e curiosa sobre tudo. Quando minha mãe fala comigo sobre minha infância, ela sempre diz que havia uma luz em mim, uma faísca que me inspirava constantemente. Quando entrei na escola, a luz sumiu. Nós nunca soubemos o que era, um tipo de ansiedade social. Mas eu tinha amigos. Acho que não me sinto esperta porque eu não era uma aluna boa o suficiente. Acho que algumas pessoas são estúpidas, mas eventualmente caem fora e eu era uma delas (risos).

Eu me encolhi, nada funcionava. Um dia eu implorei aos meus pais que me levassem a uma audição. Fomos a Nova York e foi aí que comecei a atuar. Só de estar no palco, minha mãe viu as mudanças que eu tive. Ela viu minhas ansiedades desaparecerem. Ela encontrou sua filha, aquela com luz e alegria antes da escola. Eu finalmente encontrei um caminho, uma porta aberta para um universo que eu eu entendia, que era bom para mim e me fazia feliz, porque eu me sentia capaz, quando eu me sentia sem valor. É por isso que minha mãe lutou para que eu fosse atriz”.

Jennifer Lawrence pode não fazer conscientemente, mas falar abertamente sobre o assunto, ainda mais quando se é uma celebridade conhecida no mundo todo, ajuda a conscientizar as pessoas sobre o tema, fazendo com que a condição perca o estigma de “algo passageiro”, assim como outras doenças mentais, como a depressão, são encaradas.

Todo mundo vivencia a ansiedade em algum momento da vida e isso é perfeitamente normal. Acontece que, em excesso, ao invés de levar o indivíduo a tomar ações, ela o paralisa. “[A ansiedade] É o gatilho para desencadear outros transtornos. Dentro do ponto de vista psicológico, podemos definir ansiedade como um estado mental praticamente subjetivo carregado de apreensão e recheado de incertezas”, define o psicólogo Alexandre Bez, especialista em relacionamentos pela Universidade de Miami e em ansiedade e síndrome do pânico pela Universidade da Califórnia em reportagem do UOL. Os sintomas mais comuns são a falta de concentração, inquietação, fadiga, tensão muscular, gastrite, úlceras e outras enfermidades.

Não há resposta fácil para a causa da ansiedade, pois, de acordo com a psicóloga Sâmia Aguiar Brandão Simurro, também ouvida pelo UOL, “é um processo que pode ser tanto hereditário como adquirido através das experiências que temos nos ambientes mais hostis. A ansiedade está intimamente vinculada à forma como interpretamos as situações da vida”.

De acordo com o Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, 12% da população brasileira, ou 24 milhões de pessoas, sofre de ansiedade, algo muito estigmatizado, como se fosse algo temporário. Falar abertamente sobre isso é um passo para a cura, porque há tratamento para ela, como terapia e medicação. “Ter força de vontade e entender que essa ansiedade descontrolada não é normal são requisitos básicos para o processo de cura inicial”, explica o psicólogo Alexandre Bez. “Quando a ansiedade ultrapassa o limite e a pessoa não consegue mais realizar suas tarefas diárias sem sofrimento, é hora de buscar ajuda especializada e dar início a um tratamento”, conclui a também psicóloga Sâmia Aguiar Brandão Simurro.

O importante é procurar ajuda e não ter medo de fazê-lo. Não falar sobre determinados assuntos não os fazem desaparecer, como Bekah Miles nos lembrou há pouco tempo, quando fez uma tatuagem para poder começar uma conversa sobre depressão.

Jennifer Lawrence achou na atuação sua forma de terapia e não tem vergonha de falar a respeito da ansiedade. E só esse ato, por si só, já ajuda quem a acompanha e sofre do mesmo, pois mostra que é possível achar uma saída. Por isso, não tenha medo ou vergonha de procurar auxílio profissional. Você não está sozinho. A Katniss também está contigo.

Foto de destaque: Richard Shotwell/ Invision/ AP.