Janelle Monáe se identifica como queer – o que isso significa

Janelle Monáe se identifica como queer – o que isso significa

Depois de fazer um clipe em homenagem às vaginas, Janelle Monáe voltou a sacudir a internet ao declarar que pode ser pansexual. E isso não é exagero meu: o Merriam-Webster, dicionário americano, afirmou que palavra teve um aumento de 11.000% nas pesquisas depois da entrevista da cantora à revista Rolling Stone.

Em conversa com a publicação, para divulgar seu mais novo álbum “Dirty Computer”, a artista revelou que pode ser pansexual, mas preferiu se classificar como queer.

“E ela tem outro rumor a confirmar. ‘Sendo uma mulher negra queer nos Estados Unidos’, ela diz, fazendo uma pausa enquanto sai do armário, ‘alguém que já teve relacionamentos com homens e mulheres – eu me considero uma mulher foda e livre’. Ela, que inicialmente se identificava como bissexual, esclarece: ‘mas, então, eu li sobre pansexualidade e pensei: oh, essas são coisas que eu me identifico também’. Estou aberta a aprender mais sobre quem eu sou”.

Ou seja, ela não descartou ser pansexual, mas se identifica como queer, provavelmente por estar ainda compreendendo melhor a si mesma. Queer é uma palavra cada vez mais utilizada ao se referir às pessoas que formam a comunidade do arco-íris, e já faz parte do acrônimo LGBTQ.

Nos países de língua inglesa, queer era utilizada como xingamento contra quem não era hétero e cisgênero. Segundo a revista Teen Vogue, houve um período em que queer era sinônimo de feliz e alegre, mas nos anos 1900, ela acabou sendo associada a homossexuais. E foi na década de 50 que a palavra ganhou uma conotação negativa, sendo utilizada como ofensa contra LGBTs.

Contudo, com a evolução do movimento, o termo foi retomado e foi ressignificado. Hoje, queer é o que chamamos de uma palavra guada-chuva para todos que se identificam como lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros, abrangendo também pessoas que fogem do binarismo de gênero e que estão em outros espectros da sexualidade, como assexuados, intersexuais e os pansexuais.

Portanto, antes de mais nada, queer se refere às pessoas que fujam do padrão cis e heteronormativo*. Há quem prefira ainda se identificar como queer em vez de gay ou lésbica, já que a palavra é interseccional e oferece mais possibilidades do que um termo mais restritivo. Ao mesmo tempo, não importa com quem você se relacione ou qual a sua identidade de gênero, se você é queer, essa é a sua identidade e ela é tão válida quanto as outras.

Porém, como ela já foi utilizada para desumanizar LGBTs, muitas pessoas não gostam de utilizá-la. Algumas não a utilizam simplesmente por não representá-las. Ou seja, não existe um jeito certo ou errado de se identificar, mas se for para ofender alguém, então, melhor não falar nada, certo?

Queer pode ainda não ser tão popular na língua brasileira, apesar de já ter conquistado algum espaço, mas é uma palavra que vale a pena ser conhecida. E já que começamos o texto falando sobre o novo álbum da Janelle Monáe, ela quer que você saiba – seja você gay, não-binária ou queer – que “Dirty Computer” foi feito para você.

“Eu quero que meninas e meninos, sejam gay, hétero, pessoas queer que estejam com dificuldade para lidar com a sua sexualidade, que estão sentindo-se esquecidas ou sofrendo bullying por serem únicos, saibam que eu vejo vocês”, disse a cantora à Rolling Stone. “Esse álbum é para vocês. Tenham orgulho”.

*Cis e heteronormativo: cis vem da palavra cisgênero, que é utilizada para designar as pessoas que se identificam com o gênero atribuído no nascimento (o contrário de quem é trans). Já heteronormativo diz respeito sobre o comportamento heterossexual, como casar e ter filhos e ver a heterossexualidade como padrão de sexualidade.