Janelle Monáe faz discurso inspirador para mulheres negras no mundo todo

26. março 2017 Famosos 0
Janelle Monáe faz discurso inspirador para mulheres negras no mundo todo

O ano de 2016 foi memorável para Janelle Monáe, que saiu dos palcos e foi para as telas do cinema com dois filmes indicados ao Oscar: “Estrelas Além do Tempo” e “Moonlight – Sob a Luz do Luar”. No primeiro, ela deu vida à engenheira Mary Jackson, enquanto no segundo, ela foi Teresa, a doce esposa do traficante Juan (Mahershala Ali).

Aplaudida por seu trabalho em ambas as produções, foi sem surpresa alguma que ela foi homenageada na décima edição do Black Women in Hollywood, evento para as mulheres negras da indústria cinematográfica, realizado pela revista Essence. Ela levou o prêmio de Artista Revelação e fez um discurso inspirador para as mulheres negras no mundo todo, lembrando que assim como qualquer pessoa, elas merecem ter suas histórias contadas.

“Shirley Chisholm [política negra americana] falou bem quando disse: ‘servir aos outros é o aluguel que você paga pelo seu quarto aqui na Terra’. Mulheres como a minha mãe, que está aqui hoje, vestiram seus uniformes com orgulho, como zeladoras de um colégio. Minha avó, que colhia algodão no Mississipi, também vestia seu uniforme com orgulho, assim como as cozinheiras de uma cadeia local, as quais acreditam nessa mensagem, e me encorajaram a estar sempre servindo a essa comunidade. Vocês todas são a minha comunidade”, começou a artista.

Em seguida, compartilhou as lições que aprendeu com as duas personagens que interpretou em 2016.

“A forma que encontrei para retribuir foram as artes. E quando eu li o papel de Teresa em ‘Moonlight’… Alguns podem ver a Teresa como sendo apenas a namorada de um traficante. Mas, para mim, ela reflete a necessidade da nossa sociedade em cuidar um dos outros. Teresa nos lembra que é nossa responsabilidade proteger aqueles que sofrem bullying, que são deixados de lado, somente porque são diferentes. Teresa nos lembra que precisamos oferecer abrigo e conforto para os outros. Precisamos oferecer um espaço seguro para que outras pessoas possam ser celebradas por quem são.

“Alguns podem ter visto a senhora Mary Jackson como uma mulher negra briguenta e raivosa da década de 60. Mas eu a vi como um lembrete de que todos nós devemos nos defender, mesmo em tempos de dúvida e medo. Ela é um lembrete de que nós temos direito ao sonho americano e de que todas nós pertencemos. Quando dizem a nós que nós não somos boas o bastante por aqueles que buscam deteriorar, desmoralizar e deslegitimar nossas existências, por conta de nosso gênero e nossa raça, coisas que nós não podemos mudar. Nós temos o poder de dizer: ‘hoje, não, demônio’. Essas duas mulheres são rainhas em suas próprias origens, mas igualmente importantes em suas comunidades”.

Teresa e Mary Jackson não são as únicas rainhas, mas Janelle Monáe também é. E como estamos falando de um evento que homenageia as importantes contribuições de mulheres negras para a indústria cinematográfica, a cantora e atriz deixou um importante e poderoso recado para as mulheres como ela.

“Mulheres negras: o mundo precisa continuar a saber que nós não somos suas expectativas. Nós não somos o receptáculo de vocês. Nós não somos seus objetos, tampouco seus objetos de estudo até o final dos tempos. Foram mulheres negras como Katherine Johnson, Dorothy Vaughan e Mary Jackson que levaram vocês para o espaço. Nós fizemos isso. Mulheres negras, como Raye Montague, aquela engenheira que desenhou navios para a marinha americana. Nós fizemos isso. Nós demos à luz, nós parimos essa nação. Nós ajudamos alguns dos maiores americanos. Coisas extraordinárias aconteceram nessa nação. Nós fomos a espinha dorsal das comunidades, dos guetos até o Vale do Silício.

“Nós não somos um monólito; somos multidimensionais e temos o direito de ter nossas histórias contadas. Alguma menina talvez esteja nos assistindo agora, e ela pode estar sentindo que precisa mudar sua aparência para fazer sucesso. Eu encorajo você a continuar, como eu sempre disse, a abraçar as coisas que tornam você única, mesmo que elas deixem alguém desconfortável. Se você entrar em uma sala, e sentir-se como ‘a outra’, e sentir que sua voz não é importante, nesses momentos, escolha a liberdade em vez do medo. E eu também queria destacar que foram as mulheres negras Taraji P. Henson, Octavia Spencer e Janelle Monáe, três protagonistas femininas, que arrecadaram mais de 140 milhões de dólares bem aqui nos Estados Unidos. Quando disseram que mulheres negras não chegariam ao topo. Quem fez isso por duas semanas seguidas? Não há nada que não possamos fazer. A sororidade é forte aqui. E quanto mais percebermos que somos mais fortes juntas, é assim que mudaremos as circunstâncias”.


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