James Franco, homossexualidade não é acessório, tá?

26. março 2015 Cinema 4
James Franco, homossexualidade não é acessório, tá?

Eu estava com esse post entalado. Não queria colocá-lo para fora, mas acho que ele precisa existir. E é sobre James Franco.

Gosto muito que o ator seja aliado dos homossexuais na nossa luta por direitos iguais. Também vejo com bons olhos que ele seja seguro com sua sexualidade, a ponto de não ligar para os rumores acerca dela. Porém, me incomoda muito que ele faça uso da homossexualidade para se promover. Prova disso (mais uma), foi sua última entrevista consigo mesmo (é!) para a revista Four Two Nine, onde afirmou que é “gay em sua arte e hétero em sua vida pessoal“.

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Enquanto alguns acharam uma ótima resposta aos fiscais da vida alheia, eu não consigo não me chatear com sua declaração. E me chateia porque, para ele, a homossexualidade é mais um acessório, que ele coloca quando vai trabalhar, mas tira quando chega em casa. Aí fica muito fácil, né, amigo? Usar pela conveniência de ser “transgressor” em sua arte é bacana, mas lidar com a realidade que xinga, violenta e mata todos os dias não é bacana para ele, afinal de contas.

“Acho que depende do que você define como gay. Se isso significa com quem você faz sexo, então sou hétero. Nos anos 20 e 30, a homossexualidade era definida pela forma como você age e não com quem você dorme. Marinheiros transavam uns com os outros o tempo todo, mas se eles se comportassem de forma masculina, então não eram considerados gays”.

Como a gente define gay? Com certeza não é um adjetivo para se classificar de vanguarda em seu trabalho. Ser gay é algo que te acompanha para o resto da vida. Não dá para tirar o gay de você quando chega em casa. Mas sinto que nesse aspecto ele não quer se envolver. Lucrar com a homossexualidade já é o suficiente para o James Franco.

Não me leve a mal, o ator pode se identificar da forma que quiser, é a vida dele e não a minha. Mas é muito mais fácil e seguro ser hétero e fazer essas declarações, do que ser homossexual e ter de lidar com o dia a dia. Ou como foi escrito no site Jezebel, “[…] há uma grande diferença entre ser gay de verdade na prática (e encarar todos os problemas que acompanham ao sair do armário) e teorizar sobre isso enquanto senta numa cadeira e sente seu próprio cheiro hippie”.