“Insecure”: a história de uma mulher negra que é particular e universal ao mesmo tempo

“Insecure”: a história de uma mulher negra que é particular e universal ao mesmo tempo

Julho é o mês da celebração da luta e da resistência da mulher negra. Marcadamente, o dia 25 representa o Dia Internacional da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha. Durante todo o mês, núcleos e coletivos articulam entre si, campanhas de cultura, identidade e empoderamento dessas mulheres. Participam dessa ação o Collant, Séries Por Elas, Kaol Porfírio, Delirium Nerd, Valkirias, Momentum Saga, de Oito, Ideias em Roxo, Preta, Nerd & Burning Hell, e o Prosa Livre. #WeCanNerdIt #FeminismoNerd

Em 2017, prometi a mim mesmo duas coisas: assistir a mais seriados e a seriados cujos protagonistas fugissem do padrão masculino e heterossexual. Depois da quinta temporada de “Orange Is The New Black” (eu só consigo assistir a uma série por vez), chegou a vez de “Insecure”, atração do canal pago HBO.

A produção é uma adaptação da web série “The Mis-Adventures of Awkward Black Girl”, criada e estrelada por Issa Rae, que levou sua obra para a televisão no ano passado. Trata-se de uma história particular de uma mulher negra perto de entrar na casa dos 30 anos, mas que ao mesmo tempo poderia ser a história de qualquer pessoa.

Issa Dee (Rae) tem 29 anos e sente que sua vida poderia ter tomado um rumo completamente diferente, caso tivesse tomado outras decisões. Ela trabalha em uma organização educacional para crianças do ensino fundamental (a grande maioria delas é negra e latina), onde é, curiosamente, a única negra. Isso faz dela, muitas vezes, o alvo do olhar de desconfiança de alguns de seus colegas, os quais não a veem como muito competente.

Mas além da vida profissional, sua vida pessoal também não está muito bem. Ela mora com seu namorado Lawrence (Jay Ellis), o qual tentou sem sucesso abrir sua própria empresa e está desempregado. A relação entre os dois também deu uma ‘esfriada’, o que faz com que ela flerte com um antigo crush. Acho que dá para imaginar como a situação atual de Issa está complicada.

Mas por mais que a vida da protagonista esteja uma bagunça, ela não está sozinha. Ao seu lado, está sua melhor amiga Molly Carter (Yvonne Orji), uma advogada bem sucedida, que luta para conseguir um namorado. As histórias dessas duas mulheres se complementam, e a química em cena entre elas é tão boa, que é fácil imaginar Issa e Yvonne tomando um vinho juntas em uma sexta-feira à noite.

E como disse antes, “Insecure” conta a história particular de uma mulher negra, mas que é ao mesmo tempo universal. E não que isso seja impossível, não. É que a mídia tem uma mania de classificar séries e filmes liderados por minorias étnicas e mulheres como produções de nicho.

Embora seja verdade que a produção da HBO lida com temas próprios de mulheres negras, como o racismo e a solidão que essas mulheres enfrentam (não é raro elas serem preteridas por mulheres brancas em relacionamentos), o seriado também aborda questões que poderiam ser vivenciadas por qualquer um de nós, como estar em um relacionamento que já não funciona mais, dúvidas profissionais, a pressão para ter uma vida bem sucedida aos 30 anos e etc. 

No que diz respeito a Issa Dee, é impossível não ficar ao lado dela. Ela tem um charme irresistível, que até quando erra, fica difícil não simpatizar e pensar que você provavelmente não faria o mesmo. Ela é uma mulher divertida, mas diferente do que diz o título da série, é mais decidida do que ela parece acreditar.

“Insecure” é divertida, inteligente e carismática. A história pode não ser dos mais originais, mas por ser protagonizada por uma mulher negra (o que ainda é raro vermos na TV), essa série ganha uma roupagem muito mais interessante e uma perspectiva nova. 

Faça a você mesmo um favor e comece a ‘maratonar’ “Insecure” agora. Você não vai se arrepender!


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