Humans of New York inspira projetos similares no Brasil

Humans of New York inspira projetos similares no Brasil

No verão de 2010, o jovem Brandon Stanton iniciou um projeto fotográfico que se espalharia pelo mundo todo, o “Humans of New York”. Com uma máquina em mãos, o rapaz vai às ruas da cidade de Nova York fotografando seus habitantes e postando os retratos em seu site e em sua página no Facebook, que já conta com mais de 8 milhões de curtidas. O trabalho já virou até livro.

humans of new york A ideia inicial de Stanton era fazer um catálogo fotográfico de 10 mil nova-iorquinos em um mapa interativo online. Com o tempo, o projeto tomou outro rumo e o resultado é um site com milhares de fotos de anônimos, cheios de histórias para contar.

Inspiradas pelo “Humans of New York”, várias pessoas fizeram uma adaptação em seus países. Basta fazer uma busca no Facebook e páginas como “Humans of Paris“, “Humans of Sydney“, “Humans of Amsterdam“, “Humans of Buenos Aires” e muitas outras logo aparecem.

O Brasil também tem seus representantes. São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba possuem suas próprias páginas dedicadas a dar cara e voz aos anônimos de suas cidades.

São Paulo

Os amigos Edson Weslenn e Bruna Fernandes são os responsáveis pela página “Humans of São Paulo” no Facebook e pelo tumblr de mesmo nome. Segundo Weslenn, a ideia de fazer uma versão paulistana veio após uma decepção com a falta de qualidade das páginas já existentes. “Eram fotos de qualidade ruim, de celular, sem nenhuma estrutura como a do HONY, ligada a conhecer as pessoas”. Decidido a fazer algo mais profissional, Edson convidou a amiga Bruna para o projeto. “Ele me convidou porque sabia que eu gostava de São Paulo e de tirar fotos”, conta a fotógrafa.

humans of sao pauloEnquanto Edson convida e entrevista as pessoas, Bruna tira as fotos. Num projeto totalmente voltado a conhecer pessoas, histórias emocionantes acabam marcando os dois. “Tem a da senhora que ajudou o sobrevivente do holocausto, do menino com fome no CEU… Todas são especiais, mas, com toda certeza, meu personagem preferido é o Nico, que fala sobre o espírito e a felicidade. Eu passei quase duas horas conversando com ele, e poderia passar muito mais. Foi uma das pessoas mais especiais que já conheci”, lembra o rapaz. Bruna recorda de um turco que conheceram na FIFA Fan Fest, durante a Copa. “É até difícil escolher uma para citar, mas algo que ele disse que ficou guardado foi que a vida nos dá experiências e cabe apenas a nós tirar conhecimento delas”.

Um dos desafios, para Edson, é fazer com que as pessoas se abram e dividam suas experiências e histórias. “É um caminho muito delicado ter o tato de não invadir o espaço dela e, ao mesmo tempo, continuar garimpando cada vez mais fundo. Ser genuinamente interessado é peça-chave”, explica. Já para Bruna, responsável pela parte técnica, a fotografia, o desafio é outro. “O maior desafio ao tirar uma foto é fazer com que tudo dê certo: o foco, o enquadramento, a luz… Outro obstáculo é o sol, já fiz várias pessoas girarem para todos os lados possíveis até conseguir a foto”.

humans of são paulo

Mas o que os leva em frente com o projeto é justamente a oportunidade de conhecerem pessoas e histórias novas. “Uma coisa é saber que todo mundo tem sua história, mas ao ver como até as mais simples pessoas tem suas lutas e um passado rico, é a melhor parte de todas”, conta Edson. “Eu gosto muito de tirar fotos e de conhecer pessoas, a combinação é ótima e ouvimos histórias incríveis. É muito divertido fazer o HOSP”, completa Bruna.

humans of sao paulo

Rio de Janeiro

Eiran Kreimer, Fábio Minduim e Dominique Valansi administram o Humans of Rio de Janeiro. A página no Facebook já conta com mais de 33 mil curtidas. “O que eu mais gosto é poder ajudar as pessoas e a cidade em que eu vivo. Não se trata apenas de fotos, vai muito além disso”, conta Eiran, que começou o projeto em 2012 e chamou os dois amigos de longa data para se juntarem a ele.

humans of rio de janeiro

Kreimer, no entanto, acredita que, por mais que as páginas “Humans of…” tenham se inspirado no projeto fotográfico nova-iorquino, elas não são iguais. “Apesar de ter sido a fonte de inspiração, cada cidade é diferente e tem suas peculiaridades”.

humans of rio de janeiro

E são essas características únicas de cada cidade e cada pessoa que tornam esses trabalhos tão interessantes e populares. E o retorno vindo de quem participa e de quem acompanha é, em geral, positivo. “A receptividade é boa, outras vezes não, mas eu diria que 80% das pessoas são receptivas e gostam bastante de tudo: fotos, projeto, etc. Como boa parte do nosso público é de outros países, muitos manifestam o desejo de visitar a cidade ao ver as fotos”, conta Eiran.

humans of rio de janeiro

Curitiba

Gustavo Jordaky é o fotógrafo por trás do “Humans of Curitiba. O rapaz, que já tinha o costume de ir às ruas fotografar em seu tempo livre, conta que o projeto começou após um amigo lhe contar sobre o “Humans of New York”. “Quando estou com tempo ocioso, contumo ir para as ruas fotografar. Passei uma dessas fotos para um amigo que é criador de uma fanpage, a XV Curitiba. A foto era de um morador de rua, bastante expressiva e triste com uma breve história dele. Então, meu amigo me falou sobre o “Humans of New York”, e me propôs uma coluna semanal sobre o assunto”, lembra.

humans of curitiba

A página entrou no ar em julho, e vem chamando atenção pela simplicidade das pessoas retratadas. Aliás, essa é uma das preocupações de Gustavo. “A proposta são fotos bem tiradas, porém, simples. Procuro manter a simplicidade das ruas e do momento”, explica.

humans of curitiba

E, assim como os administradores das páginas paulistana e carioca, Jordaky partilha da alegria de poder conhecer novas pessoas e contar um pouco de suas histórias. “Me anima estar nas ruas vivendo, sentindo essa energia, conhecendo pessoas, histórias e podendo mostrar humanos tão diferentes e tão iguais para as outras pessoas. Temos histórias felizes e tristes, são elas que fazem o nosso dia a dia, são elas que movimentam a sociedade e são por elas que estamos aqui”, finaliza.

humans of curitiba

Instagram

O fotógrafo Marcos Isbert também inspirou-se no “Humans of New York” para criar seu próprio projeto, o @quatrozerodois, no Instagram. 402 não foi uma escolha ao acaso: é o número de seu apartamento e sua meta de retratos.

@quatrozerodois marcos isbert

O jovem anda pelas ruas de Curitiba, cidade onde mora, à procura de rostos anônimos, que permitam, através da foto tirada, compartilhar um pouco de si com os seguidores do perfil. E é isso que motiva Isbert a continuar com o projeto. “É exatamente isso que me anima: conhecer um pouquinho das pessoas que eu passo no dia a dia, e torná-las inspiração para outras tantas pessoas que acompanham o projeto. Além do mais, com o @quatrozerodois, já tive a chance de fazer boas amizades. Algumas pessoas entram no projeto e na minha vida também. Isso é bacana demais”, conta.

Para facilitar a aproximação com as pessoas, Marcos utiliza apenas o celular para fazer as fotos. “É uma maneira de não chamar atenção e de não assustar as pessoas com uma câmera. O @quatrozerodois só tem plataforma no Instagram, então acabo estando dentro da vibe do aplicativo”, explica.

@quatrozerodois

Marcos optou pelo Instagram, rede social de compartilhamento de fotos, pela familiaridade com a plataforma. “O Instagram está presente na minha vida há uns 3 anos já. É a plataforma de fotografia que eu mais me identifico. É um espaço de compartilhamento rápido e eficiente nesse sentido”, esclarece.

Marcos e o @quatrozerodois já passaram por Curitiba, São Paulo e Salvador, mostrando as diferentes nuances do povo brasileiro. E a alegria de fotografar tantos “brasis” continua a levá-lo para frente.”Demorei um pouco a ter coragem para colocá-lo [o projeto] em prática, mas a partir do momento em que fiz o primeiro perfil, sabia que estava iniciando algo que me daria mesmo muito prazer em continuar. E é isso o que continuo sentindo”, finaliza.

@quatrozerodois


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