Histórias de teste de elenco comprovam que o machismo em Hollywood segue vivo e forte

26. Abril 2016 Cinema 0
Histórias de teste de elenco comprovam que o machismo em Hollywood segue vivo e forte

Em fevereiro passado, o produtor Ross Putman foi ao Twitter compartilhar as descrições de personagens femininas presentes nos roteiros que recebe. Surpreendentemente (ou não), as mulheres são reduzidas à aparência e a estereótipos.

Uma atitude similar foi tomada pelas amigas e artistas Laura E. Bray, Julie Asriyan e Jenna Ciralli, que criaram o projeto “Casting Call The Project”, o qual traz histórias reais do que as mulheres ouvem em testes de elenco. Inspiradas pelo Tumblr “Casting Call Woe”, que reúne diversos relatos, elas mostram como as descrições das personagens femininas são “discriminatórias, estereotipadas, machistas, racistas e possuem preconceito com a idade.”

No vídeo que compila essas histórias, atrizes de diferentes idades, raças e tipos de corpos leem as descrições de personagens, as quais são voltadas para a aparência física (magra, jovem e feminina) e para estereótipos (a garota nerd, a bibliotecária sexy e a gorda divertida). Enquanto no começo do clipe as mulheres dão risada das situações, a partir da metade o tom fica mais sério, pois elas percebem como são discriminatórios os convites para testes de elenco.

“Ela ama ser mulher, por isso, provavelmente ela usa um sutiã push-up.”

“Seu decote é sua melhor característica.”

“Por favor, aplique-se somente se for magra, pois o espaço para a performance é limitado.”

“Prefira uma atriz que não é magra. É um ótimo papel para uma feminista.”

“Ela é verdadeiramente bonita, mesmo sem maquiagem.”

“Você não será explorada. O diretor fica pelado em todos seus filmes, então você não estará sozinha.”

“O protagonista masculino deve ter entre 30 e 55 anos. A protagonista feminina deve ter entre 20 e 35.”

O Mic ouviu algumas atrizes que já passaram por situações vexatórias em testes de elenco. Morgan Pelligrino, de 27 anos, contou que é sempre escalada como a ‘vizinha esquisita’ e que já encontrou recomendações do tipo ‘é necessário usar um biquíni’ ou ‘é preciso usar roupas íntimas em uma cena’.

Outra atriz, Heather Olsen, de 26 anos, revelou que é sempre contratada para o papel da melhor ‘amiga esquisita’ e acredita que os papéis dados às mulheres caem na dualidade ‘vadia’ e ‘interesse romântico’. “Você também precisa parecer a [modelo] Kate Moss ou estará sempre presa a papéis que não mostram nada exceto apoio ao homem.”

A roteirista Laura E. Bray e as atrizes Julie Asriyan e Jenna Ciralli, criadoras da iniciativa, contam que o objetivo não é somente criticar o machismo da indústria do cinema, mas “contribuir para uma conversa sobre as ideias completamente erradas sobre personagens femininas”.

E Hollywood precisa repensar urgentemente a representação feminina. Como resume Heather Olsen ao Mic: “nós somos pessoas. Somos multifacetadas.”


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