Há algo em comum nas campanhas da internet por personagens LGBT, mulheres e negros no cinema

Há algo em comum nas campanhas da internet por personagens LGBT, mulheres e negros no cinema

Durante a semana, uma campanha que pede à Marvel para que dê um namorado ao Capitão América ganhou a internet. Através da hashtag #GiveCaptainAmericaABoyfriend, os usuários do Twitter compartilharam mensagens e montagens de fotos do famoso personagem ao lado de possíveis pretendentes, como o Bucky Barnes e o Homem de Ferro. A iniciativa teve início pouco tempo depois da campanha que pede à Disney que arrume uma namorada para a princesa Elsa, da animação “Frozen”.

Nos últimos tempos temos visto várias pessoas mobilizarem-se na internet para pedir uma mudança nas histórias clássicas contadas no cinema, geralmente protagonizadas por homens brancos. Por exemplo, a mudança de cor de James Bond, que desde quando foi criado, é um homem branco heterossexual. Há quem o queira negro e gay e quem o queira como uma mulher. Até mesmo “Star Wars”, cujo último filme teve o elenco mais diversificado de toda a franquia, também viu as pessoas pedirem por um relacionamento amoroso entre os personagens Finn e Poe.

E o que todas essas campanhas têm em comum? Elas pedem por mais diversidade.

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Finn e Poe em “Star Wars”

Uma recente pesquisa da Escola Annenberg de Comunicação e Jornalismo comprova a exclusão de grupos minoritários em Hollywood. O instituto avaliou 414 filmes e séries para televisão e serviços de streaming lançados entre 2014 e 2015, e verificou que apenas 28,3% dos personagens são de minorias étnicas e raciais, enquanto as mulheres representaram somente 33.5% de todos os personagens. Gays, lésbicas e bissexuais foram 2% dos personagens. Já pessoas trans foram apenas representadas em apenas 7 personagens. Para os autores da pesquisa, o cinema “ainda funciona como um clube de meninos héteros e brancos.”

Isso nos faz voltar a falar sobre a importância da representatividade. Através dela nos reconhecemos e nos afirmamos enquanto sujeitos, algo que deveria ser possível para todos, não somente a um restrito grupo de pessoas. Não só isso, quem está fora do grupo representado ainda pode aprender muito com uma pessoa que possui vivências diferentes. A diversidade na mídia possibilita a construção da empatia, tão urgente em tempos como os nossos.

Infelizmente, embora positiva, a representação de grupos minoritários incomoda, principalmente a quem sempre foi representado. Basta lembrarmos das campanhas pedindo boicote a “Star Wars” por conta do protagonismo ser dado a um negro e uma mulher, ou a rejeição às “Caça-Fantasmas”, que agora são um grupo formado totalmente por mulheres, ou ainda a rejeição ao Tocha Humana ser negro no cinema.

Além disso, há o fato de que os estúdios não fazem muitos filmes protagonizados por mulheres, minorias étnicas e raciais e LGBTs. A desculpa, segundo dizem, é que um filme cujo personagem principal seja negro, por exemplo, é de que ele não vende no exterior. Um estudo, contudo, questiona esse argumento: produções com até 50% do elenco diverso obtêm um retorno muito maior de bilheteria do que aquelas com até 10% dos personagens vindo de grupos minoritários.

Muitos artistas – e o público – têm reclamado da falta de diversidade em Hollywood, que acabou se tornando um assunto muito discutido. A hashtag #OscarsSoWhite, por exemplo, surgiu no ano passado, após os indicados ao Oscar serem predominantemente brancos, e voltou a circular em 2016, depois de mais um ano sem diversidade entre os escolhidos para o prêmio conhecido para ‘os melhores do cinema’. Com as críticas, a Academia do Oscar começou a diversificar seu corpo de membros.

E o que as pessoas querem com essas campanhas na internet vai além da representatividade. Elas querem que o cinema acompanhe o mundo como ele é de verdade: repleto de mulheres, negros, asiáticos, latinos, indígenas, LGBTs, pessoas com deficiência e tantas outras pessoas. Nosso planeta não é ocupado somente por homens brancos e heterossexuais, mas o cinema parece ser.

Um namorado para o Capitão América, uma namorada para Elsa, ou uma ‘Jane Bond’ não mudam o cenário de Hollywood, mas seriam bons primeiros passos e um sinal de que a indústria cinematográfica está escutando o público, que quer mais dos filmes e séries que consome.

Tome nota, Hollywood!


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