“Gypsy” tem uma história muito interessante, mas o ritmo lento atrapalha o andamento da série

“Gypsy” tem uma história muito interessante, mas o ritmo lento atrapalha o andamento da série

Antes de mais nada, eu devo confessar que sou fã de filmes e séries que envolvam psicologia em suas tramas. Já comentei há muito tempo como gostei da versão argentina do seriado “En Terapia”, pois a produção nos faz adentrar na vida dos pacientes e a entendê-los junto do protagonista. É um retrato interessante de como todo ser humano é problemático, ainda que muitos tentem aparentar ter uma “vida perfeita”.

Portanto, logo que a Netflix anunciou o drama “Gypsy”, eu me vi atraído por ela. E quando a série estreou na Netflix, logo me acomodei no sofá para assisti-la. Posso dizer que não me decepcionei, mas também não me emocionei como imaginei que iria. Mas vamos por partes.

A premissa do drama é muito interessante: Jean Holloway (Naomi Watts) é uma terapeuta que atende vária pessoas: uma mãe controladora, um rapaz que não consegue superar o fim do relacionamento com a namorada e uma menina com problemas com drogas. Tudo normal, como é na vida real, porém, Jean cria uma personagem e começa a se envolver com os objetos de discussão de seus pacientes no consultório. Uma atitude anti-ética e perigosa, mas muito tentadora.

Criada por Lisa Rubin, “Gypsy” tem uma protagonista como muitas mulheres em seriados recentes: difícil de se gostar e que toma más decisões. Porém, é isso o que a torna tão humana quanto seus pacientes ou eu e você. E esse era o objetivo de Lisa quando escreveu seu seriado. Não só isso, ela tem uma irmã que é psicóloga comportamental, e que a auxiliou na composição de sua personagem. Depois de escrever o piloto do seriado, ela ouviu de sua irmã que “um terapeuta não pode fazer isso”. Uma resposta óbvia, e que motivou ainda mais Rubin.

“Eu gosto da ideia das linhas proibidas e o que elas significam”, disse a roteirista à revista Vanity Fair. “Eu pensei muito sobre terapeutas e o poder que eles têm ao saber de detalhes íntimos das vidas dos pacientes. De alguma maneira, é um trabalho de observador. A ideia de que alguém teria poder e agiria para o bem ou para mal parecia algo sombrio, até excitante. E se o terapeuta desenvolvesse um relacionamento usando as informações que tem, isso seria muito perigoso”. 

Portanto, “Gypsy” tem elementos para nos prender a atenção e esperar as reviravoltas. Porém, isso leva tempo. Muito tempo. Os episódios têm quase uma hora de duração e, muitas vezes, nos fazem ter a sensação de que estamos esperando nada acontecer. O ritmo lento acaba nos fazendo perder o interesse, olhar o celular ou pensar na lista de compras do supermercado. Isso não quer dizer que a série seja ruim. Como disse anteriormente, ela tem uma história muito interessante, mas a execução acaba nos afastando da trama. Talvez isso tenha levado à indiferença do público em relação à obra, e as críticas negativas da imprensa. O que provavelmente resultou no cancelamento prematuro do seriado pela Netflix.

Talvez, o trunfo de “Gypsy” seja a atuação de Naomi Watts, que vive a personagem principal, a qual tem uma vida tranquila, mas que cria um jogo de manipulação com seus pacientes e seus objetos de desejo. Casada e com uma filha pequena, ela vive essa vida dupla, muito mais comum de ser vista e atribuída a personagens masculinos. Fora isso, o ritmo lento atrapalha demais o andamento da série. 

Muitas melhorias poderiam ser feitas na segunda temporada: segredos sobre a vida de Jean poderiam ser revelados, além de sua relação difícil com a mãe. Mas nada disso vai acontecer. Teremos de nos contentar com a primeira temporada de algo que poderia ser bem maior do que realmente foi. 


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