“Girlboss” é o tipo de série que você ama odiar (ou odeia amar?)

“Girlboss” é o tipo de série que você ama odiar (ou odeia amar?)

Minhas expectativas para “Girlboss”, nova série da Netflix, estavam altas, afinal, eu adoro produções com protagonistas femininas e histórias que giram em torno da moda (já dá para imaginar o quanto eu amo “O Diabo Veste Prada”, né?).

E, para ser sincero, depois de assistir aos 13 episódios do seriado, posso afirmar que elas ficaram longe de ser atingidas. Mas isso não é porque a atração seja necessariamente ruim, mas porque a protagonista, Sophia Amoruso (Britt Robertson) torna muito difícil a tarefa de criar uma conexão entre ela e o público. E ainda assim, é difícil parar de ver.

“Girlboss” é uma adaptação bem livre (como a série avisa antes de cada episódio) do livro de mesmo nome escrito pela verdadeira Sophia Amoruso, no qual conta a história de criação da sua empresa, a Nasty Gal. Foi uma longa jornada até fazer com que seu negócio vingasse, mas essa não é uma história típica de uma mulher que ralou para chegar onde chegou. Ela ralou, sim, mas também não mediu esforços para fazer sucesso, inclusive, roubando e passando por cima de quem aparecesse em seu caminho. 

A Sophia do seriado é uma menina mimada, egoísta e que não quer crescer. Ou melhor, não quer lidar com os problemas da vida adulta. Tanto é, que logo no primeiro episódio ela diz que precisa “descobrir um jeito de crescer sem me tornar uma adulta chata”. Esse ‘lema’ faz com que a menina adote atitudes irresponsáveis com todos que a cercam e com sua própria vida. E não se engane, ela é auto-consciente, chegando a se questionar por que é tão babaca.

Também no primeiro episódio, a vida da protagonista desaba: ela perde seu emprego, fica sem dinheiro e está prestes a ser despejada de seu apartamento por falta de pagamento. Obviamente, isso tudo acontece por falta de maturidade dela. Curiosamente, ao mesmo tempo, a gente meio que acaba torcendo para que as coisas terminem bem, mesmo sabendo de todos os defeitos de Sophia. E tudo acaba bem em cada um dos 13 capítulos da construção da Nasty Gal, do contrário, não teríamos uma história para contar. Contudo, é como se “Girlboss” perdoasse todos os erros da garota, inclusive sua falta de ética nos negócios. O tempo todo ficamos entre o amor e ódio pela jovem empreendedora.

Mas seria injusto não destacar os pontos positivos da trama. A começar pelo figurino, já que estamos falando de uma produção que fala sobre moda. O estilo dos anos 70 de Sophia orna muito bem com a loja de roupas vintage que ela cria no eBay.

A própria Britt Robertson se sai muito bem no papel da explosiva protagonista, assim como os personagens secundários, cujas histórias poderiam ter sido melhor exploradas. Por exemplo, temos a divertida Annie (Ellie Reed), que funciona como um contraponto muito bom em relação à personagem principal. Elas são melhores amigas e a química entre as duas é contagiante. RuPaul como Lionel, apesar dos poucos momentos, também oferece uma boa atuação, além de Alphonso McAuley (Dax, namorado de Annie) e Jim Rash (Mobias, dono de um brechó). Já Johnny Simmons (Shane, namorado de Sophia) e Dean Norris (Jay, pai da garota) pouco se destacam em seus trabalhos.

A trilha sonora é outro ótimo elemento no seriado, com músicas que casam com as situações e nos fazem sentir saudade da década passada.

Tudo isso é muito bonito, mas não nos faz esquecer da problemática Sophia, que não vê tamanho para sua ambição. É ótimo vê-la ganhando espaço e mostrando aos homens que mulheres podem prosperar e construir verdadeiros impérios, mas é um tanto decepcionante a forma como ela faz tudo isso. Chega a ser contraditório se a série estaria passando pano ou condenando as ações da garota. Vai da interpretação de cada um.

Além disso, a menina não é fácil de gostar, o que também nos faz pensar se a Netflix quer mesmo que criemos um laço com a protagonista ou não. Homens detestáveis podem ser vistos em várias produções por aí, o que me faz pensar se não é justo o mesmo acontecer com as mulheres.

Em todo o caso, “Girlboss” não é uma série totalmente ruim. Mas a história poderia ser melhor trabalhada, o que talvez aconteça numa possível segunda temporada. Se você quer uma personagem para amar, talvez esse seriado não seja para você. Mas se você estiver disposto a encarar uma pessoa com muitas falhas e que não pede desculpas por nenhuma delas, vá em frente. É bem possível que você a termine sem saber se você ama ou odeia a série.

Ou talvez você a termine como eu: amando-a e odiando-a ao mesmo tempo.


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