Geena Davis explica como vem batalhando para diminuir a desigualdade de gênero

16. outubro 2015 Cinema 1
Geena Davis explica como vem batalhando para diminuir a desigualdade de gênero

A desigualdade de gênero não é novidade para ninguém, muito menos em Hollywood. Estudoscomprovaram que há uma falta de representatividade feminina na frente e atrás das câmeras. Não só isso, há ainda a diferença salarial entre homens e mulheres, algo que as atrizes Jennifer Lawrence e Charlize Theron conhecem bem e resolveram se manifestar.

Na lista de celebridades que protestam contra o machismo da indústria cinematográfica, adicione Geena Davis, artista conhecida por seus papéis em “O Turista Acidental” e “Stuart Little”. Além de atuar, Davis também é fundadora de um instituto que leva seu nome, realizando pesquisas sobre representação feminina na mídia e na indústria do entretenimento, cujo objetivo é o de “engajar, educar e influenciar a necessidade de melhorar dramaticamente a igualdade de gênero, reduzir estereótipos e criar personagens femininas diversas no entretenimento”.

Em entrevista para o Entertainment Tonight, a atriz veterana revelou que foi após “Thelma & Louise” e “Uma Equipe Muito Especial” que ela percebeu a importância de papéis diversos para as mulheres em Hollywood.

“Me deu nos nervos de uma forma boa e recebi muitas reações negativas e estranhas também, como ‘agora o mundo está arruinado, mulheres possuem armas [sobre sua personagem Thelma, que vive uma fugitiva da polícia]'”, ela recorda. “Isso abriu muito meus olhos, porque me dei conta das poucas oportunidades que são dadas às mulheres para que saiam do cinema animadas e inspiradas por personagens femininas. O filme que fiz em seguida foi ‘Uma Equipe Muito Especial’, e jovens meninas vieram até mim e disseram, ‘eu faço esportes por causa do filme! [no longa, Geena interpreta uma jogadora de baseball]'”

É fato que a indústria cinematográfica dá poucas oportunidades para que mulheres possam se inspirar com alguma personagem feminina. De acordo com um estudo da Universidade do Sul da Califórnia (USC), mulheres representam apenas 30% dos personagens em filmes. Quando levamos em conta o que acontece atrás das câmeras, o cenário é ainda mais desanimador: elas representam apenas 1,9% dos cargos de direção e 11,2% de roteiro. Então, é fácil dizer com todas as letras que Hollywood é muito machista.

Mas o que levou Geena Davis a começar sua luta contra a desigualdade de gênero na indústria em que atua não foi somente a escassez de papéis para mulheres mais velhas (o mesmo relatório mostra que nenhuma atriz acima de 45 anos protagonizou qualquer um dos maiores filmes de 2014), como também a ausência de personagens femininas nos programas que sua filha adolescente assistia.

“Imediatamente, eu percebi que havia muito mais personagens masculinos do que femininos no que estava sendo feito para as crianças, e isso me deixou horrorizada. Que tipo de mensagem é essa? De verdade, eles deveriam mostrar meninos e meninas dividindo a caixa de areia igualmente, com garotas fazendo metade das coisas interessantes também”.

No Festival de Cinema de Londres, realizado no dia 7 de outubro, Geena realizou um simpósio, uma parceria de seu instituto e a organização do evento, onde discursou sobre a desigualdade de gênero no cinema, utilizando o resultado de suas pesquisas realizadas, afirmando que personagens femininas estão em pequena quantidade e, muitas vezes, carregam muitos estereótipos negativos, o que acaba “enviando uma mensagem perigosa para meninas”.

“Os resultados foram chocantes. Num mundo que é metade composto por mulheres, em pleno século 21 estamos passando uma mensagem de que mulheres e garotas possuem menos valor do que homens e meninos. A pesquisa mostra que, quando personagens femininos existem, frequentemente são estereotipados e hiper-sexualizados”.

O que foi constatado pelo instituto da atriz é preocupante: em filmes ditos para família, há 3 personagens homens para cada 1 mulher. Para piorar, a organização diz ainda que esta proporção de personagens é a mesma desde 1946. Contudo, ela se mantém positiva e acredita que seu trabalho pode criar frutos num futuro próximo.

“Eu trabalho com todas as redes de televisão e estúdios, divido nossas pesquisas de uma forma muito gentil e privada, e eles foram profundamente impactados ao ouvir os números. Eles não perceberam que estavam excluindo as mulheres”, ela conta ao ET. “Estou muito confiante e otimista pela mudança que vem por aí”.

“Gasto minha energia trabalhando diretamente com criadores ao invés de educar o público, porque é mais eficiente fazer desta maneira. Mas é fantástico, pois se você vai atingir um ponto de virada na cultura, então precisa ser algo impressionante. Todo mundo precisa decidir se quer que isso mude”, concluiu a atriz.