Tomara que mais times de futebol se posicionem contra a LGBTfobia como o América-MG

Tomara que mais times de futebol se posicionem contra a LGBTfobia como o América-MG

Embora seja uma paixão nacional, o futebol ainda não é um esporte tão inclusivo para mulheres e LGBTQs, grupos que sofrem constantes discriminações dentro e fora dos gramados. Atitudes preconceituosas de torcedores, jogadores e de dirigentes de clubes fazem com que a experiência com o futebol seja negativa e, em muitos casos, até impossível de acontecer.

Por isso, é preciso reconhecer quando times tomam atitudes positivas em relação ao combate contra o machismo, homofobia e transfobia. É o caso do América-MG, que aproveitou o dia de ontem (28), data que marca a celebração do Orgulho LGBTQ, para pedir o fim do preconceito contra lésbicas, gays, bissexuais e pessoas trans. Para transmitir a mensagem, foram gravados vídeos com jogadores das equipes masculinas e femininas do Coelho, que falaram sobre a importância do respeito nos estádios e na sociedade.

“É uma coisa meio triste esse preconceito”, disse João Ricardo, goleiro do América-MG. “Cabe a todos nós, jogadores, torcida e todo mundo dar um abraço mais forte nessa causa”. “As pessoas usam termos como xingamentos. [Chamam] De gay, de lésbica como se fosse xingamento e a gente vê muito isso, principalmente dentro dos estádios”, acrescentou Luciana, coach do América Locomotiva. “Para começar, tem que ter respeito de todas as partes. Eu não deixo de jogar bola por ser lésbica. Eu não jogo bola por ser lésbica. As coisas não estão ligadas”, disse Lorena, lateral do time feminino.


Além dos vídeos, o clube mineiro ainda colocou o seu famoso escudo verde nas cores da bandeira do arco-íris, e pediu nas redes sociais o fim da homofobia. “No Dia Internacional do Orgulho LGBT, o Coelhão levanta a bandeira por mais respeito, cores e diversidade no futebol. Valorizamos todas as formas de amor”, escreveram. “No futebol ou em qualquer outro lugar, cada um tem o direito de ser respeitado pelo que é”.

Esse é um gesto muito positivo e ainda raro no Brasil. No ano passado, Flamengo, Internacional, Grêmio e Avaí se manifestaram em defesa do respeito no ano passado, apesar dos comentários ofensivos de vários torcedores. Em 2018, apenas o Inter voltou a falar sobre o respeito à população LGBTQ.

“O Inter só é gigante porque desde o começo da sua história sempre acolheu todos. Não é por nada que somos o Clube do Povo. Hoje, Dia Internacional do Orgulho LGBTI, reafirmamos a nossa luta contra todas as formas de preconceito”.

São atitudes muito positivas, pois demonstram o interesse dos times em abrir um diálogo com seus torcedores, a fim de fazê-los repensar como se comportam e o que dizem dentro dos estádios e em outros espaços. A campanha do América-MG é ainda mais interessante, pois trouxe jogadores para conversar e fazer essa ‘ponte’ com o público, afinal, essas são as pessoas para as quais torcem e que representam o clube. Quem sabe mais times possam ‘sair do armário’ pela diversidade, depois desse exemplo?

O futebol ainda é muito excludente, mas é possível que, no futuro, a LGBTfobia seja considerada gol contra e o respeito tenha mais espaço em campo. E já que estamos falando de inclusão, ontem, o estádio Mineirão, em Belo Horizonte, realizou dois casamentos homossexuais e um hétero. Melhor jeito de comemorar a data do Orgulho LGBTQ não há. Viva os casais!