Freida Pinto: sucesso com um propósito

09. julho 2015 Cinema 0
Freida Pinto: sucesso com um propósito

Freida Pinto ganhou o mundo com o longa indiano “Quem Quer Ser um Milionário?”, vencedor de oito Oscars – incluindo “Melhor Filme” -, em 2008. Contudo, a atriz não tem aparecido tanto em frente às telas. Isso porque ela tem focado mais seu trabalho atrás das câmeras, em produções independentes, onde atua como produtora. “É muito difícil fazer um filme independente hoje em dia, mais do que se imagina. Você pode achar que há muito dinheiro rolando por aí, mas não em projetos que você quer fazer”, desabafa Freida em entrevista para o The Talks.

Atualmente, a estrela produz dois filmes e um documentário. Esse último será lançado para a campanha ‘Girls Rising‘, um movimento global pela educação de meninas em todo o planeta, iniciativa essa que tem Malala Yousafzai como grande defensora. “Se o mundo se abrir à ideia de que toda garota deve ser educada, então estaremos lutando menos contra o sistema. Estamos criando uma força de trabalho agora, saindo e deixando mais fácil para minhas filhas, netas e bisnetas”, conta Freida. “Então, para mim, é interessante, cara! Não é nada gratificante no presente, mas tudo bem. Não é uma decisão para minha carreira. É mais uma decisão humana”.

Essa mudança de funções – de atriz para produtora -, Freida Pinto acredita ser uma escolha altruísta. “Eu me perguntei, ‘por que estou produzindo um documentário, que não vai me dar nenhum ganho em termos de dinheiro ou em  termos de popularidade ou exposição?'”. “Então eu pensei, ‘a vida não é sobre isso'”, responde a sua própria indagação.

A atriz e produtora é defensora das causas das mulheres, e já discursou sobre o assunto no lançamento do documentário “India’s Daughter” nos Estados Unidos. O longa foi banido em seu país de origem, com a justificativa de ser capaz de “inflamar tensões”. “Esse filme precisa ser transmitido. Não é o tipo de documentário para envergonhar a Índia”, afirmou Freida à época. “Ainda parece existir uma rede ideológica muito complexa e normas culturais que amaldiçoam nossa sociedade e fazem da misoginia global, na minha opinião, um grande flagelo e o problema mais urgente da nossa época. Nosso orgulho foi deslocado, porque há um gênero nesse planeta que ainda precisa ser emancipado”.

“India’s Daughter” é um documentário sobre o estupro de uma jovem indiana por vários homens, em 2012. A menina morreu e o caso ganhou atenção mundial.

E apesar dos diversos avanços, citados por Freida, muito ainda precisa ser feito pela igualdade de gêneros. “Eu me encontro lutando contra coisas que comuns entre todas as mulheres, como papéis sensíveis em filmes”, afirma. E a reclamação da atriz é muito pertinente numa indústria conhecida por dar continuidade a velhos estereótipos femininos. “Por que as duas falas que a personagem possui é ‘me salve’ ou ‘me ajude?’ Por que somos tão desamparadas nos filmes? Nós não somos assim na vida real, então por quê somos tão desamparadas nos filmes?”, indaga ela, que cresceu assistindo a longas centrados em narrativas femininas, influenciada por seu pai.

“Não sei se foi uma decisão consciente dele. Acho que não, porque ele não é o tipo de pessoa que premedita as coisas”, reflete ela, que teve contato com o cinema internacional na faculdade. “Percebi que eu não queria fazer filmes para a Índia ou para os Estados Unidos. Eu adoraria que minhas produções, ou qualquer coisa que eu faça, sejam coisas que o mundo possa apreciar. Sempre quis algo num nível internacional. Mas eu lembro dizer às minhas irmãs que eu não faria sucesso na Inglaterra ou nos Estados Unidos ou qualquer outro lugar no mundo, porque eles não são abertos à Índia”.

Foi então que Freida Pinto alcançou o patamar internacional desejado com “Quem Quer Ser Um Milionário”, cujo todo o elenco do filme é indiano. A fama repentina, contudo, não a assustou ou lhe trouxe qualquer tipo de problema a ela. “Em grande parte parecia que eu estava drogada, da forma mais linda possível. Era a minha versão de LSD ou ecstasy. Eu olhava tudo em volta e dizia, ‘aquela árvore é a árvore mais linda que eu já vi na minha vida'”, brinca a produtora.

Por fim, Freida diz finalmente conseguido ser quem é, com falhas e qualidades. “Eu quero que a pessoa na minha frente saiba que eu sou apenas humana. E isso acontece com confiança, acredite ou não. E questionamento. ‘Quem sou eu? Estou confortável com quem eu sou?’ Somente quando você está confortável com que você, é aí que você se apresenta como é. Levou um tempo, mas agora eu alcancei isso e estou muito confortável”, finaliza ela ao The Talks.