Frank Ocean fala sobre a tragédia de Orlando: “Muitos nos odeiam e queriam que nós não existíssemos”

22. junho 2016 POP 0
Frank Ocean fala sobre a tragédia de Orlando: “Muitos nos odeiam e queriam que nós não existíssemos”

Frank Ocean quebrou o silêncio sobre a tragédia de Orlando, que aconteceu no dia 12 de junho, quando um atirador matou 49 pessoas e deixou mais de 50 feridos em uma boate gay. O cantor, que é assumidamente gay, refletiu sobre religião e a violências homofóbica em um post em seu Tumblr pessoal.

“Eu li no jornal que meus irmãos estão sendo jogados de telhados, de olhos vendados, com suas mãos amarradas nas costas, por violarem a sharia. Eu ouvi que as multidões jogam pedras nesses homens, caso eles se mexam após atingir o chão. Ouvi falar que isso é em nome de Deus”, escreveu o rapper. “Ouvi meu pastor falar por Deus também, citando o seu livro. Palavras como abominação desprenderam-se da minha pele feito gordura quente, enquanto ele continuava a descrever um lago de fogo que Deus queria me colocar.”

Frank Ocean seguiu falando sobre o tiroteio de Orlando, e recordou de um episódio de violência transfóbica na infância, cometida por seu pai, apontando assim como as agressões às pessoas LGBT estão enraizadas na sociedade e acontecem diariamente.

Ouvi no noticiário que o crime de ódio deixou pilhas de corpos numa pista de dança neste mês. Eu ouvi que o atirador fingiu-se de morto entre todas as pessoas que matou. Eu ouvi nas notícias de que ele era um de nós. Eu tinha seis anos quando ouvi meu pai chamar a garçonete transgênera de viado enquanto me arrastava para fora de uma lanchonete de bairro, dizendo que nós não seríamos atendidos porque ela era suja. Essa foi a última tarde em que vi meu pai e a primeira vez que eu ouvi aquela palavra, embora não fosse me chocar se não fosse a primeira vez.

Muitos nos odeiam e queriam que nós não existíssemos. Muitos ficam irritados com nosso desejo de nos casarmos como todo mundo ou usar o banheiro correto como todo mundo. Muitos não veem problema em transmitir os mesmos velhos valores que enviam milhares de crianças à depressão suicida todos os anos. Então, nós dizemos orgulho e expressamos amor por aqueles que são quem são. Porque, sinceramente, quem mais faria isso? Eu sonho com a ideia de que, talvez, toda essa barbárie e todas essas transgressões contra nós seja uma reação igual e oposta para que algo melhor aconteça nesse mundo, alguma grande onda de abertura e despertar.”

Por fim, o recluso rapper conclui dizendo que somos todos iguais e diz querer entender por que as pessoas usam a religião para discriminar as pessoas LGBT.

“A realidade, por comparação, é cinza, nem preta ou branca, mas também fria. Somos todos filhos de Deus, eu ouvi. Deixei meus irmãos fora disso e falei diretamente com meu criador, e ele soa muito como eu. Se ser eu mesmo fosse mais maravilhoso ao ser descolado da minha própria história, eu nunca conseguiria ser eu mesmo. Eu gostaria de saber o que os outros ouvem, tenho medo de saber, mas eu queria saber o que os outros ouvem quando conversam com Deus. Os loucos ouvem uma voz distorcida? Os doutrinados ouvem uma voz completamente diferente?”


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *