O filme Malévola é mais do que você viu ou verá

06. junho 2014 Cinema 3
O filme Malévola é mais do que você viu ou verá

Eu estava super ansioso para assistir Malévola. Tenho assistido todos os filmes live-action (por que raios tudo tem que ter nome em inglês?) da Disney. E esse eu não queria perder. Eu já havia assistido, quando pequeno, o filme “A Bela Adormecida”, e agora conhecer a história da bruxa era algo que eu não podia perder.

Bom, antes de ver o filme, eu li algumas críticas a respeito. Enquanto algumas davam a história como previsível, outras diziam que ela era fantástica por vários motivos. Fui com sentimentos mistos, mas ainda muito curioso. O texto possui spoilers. Se você ainda não assistiu ao filme e não quer detalhes do enredo, esse post não é para você!

Lendo as críticas, constatei algo: quem achou o filme previsível, eram homens. E quem achou o contrário, eram mulheres. Elas viram algo que, para nós, homens, passou despercebido. Também, já reparou como em quase todos os filmes o personagem principal é homem? Que é ele quem salva a mulher de algum perigo (isso quando não salva o mundo e a mulher)? Que muitos filmes sobre mulheres, elas estão sempre à procura do príncipe encantado? Ou que o final só é feliz se ela estiver de braço dado com algum homem? A gente só repara nisso depois que prestamos atenção ou quando nos contam.

Eu não sou nenhum crítico de cinema. Alguns dos filmes que eu amo nem são daqueles que todo mundo rasga elogios. Mas quando fui ao cinema, fiz questão de tentar enxergar a história que muita gente não viu. Como foi anunciado, nós conheceríamos quem foi Malévola, antes de ser a bruxa que foi.
O que eu vi ali é uma personagem que era boa e, por conta de uma traição, ficou ruim. Talvez não ruim, mas ressentida. Afinal, quem de nós, quando traídos, não sentimos raiva e guardamos rancor? É natural. E a Disney quis humanizá-la, fazendo com que ela pareça comigo e com você. A forma que ela encontrou de se vingar, foi amaldiçoando a pequena princesa Aurora, filha do homem que ela confiou e amou.

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Como sabemos, o rei manda as três fadas cuidarem da pequena princesa, até ela fazer 16 anos. E conforme ela cresce, Malévola acompanha seu crescimento, mesmo de longe. No entanto, elas acabam se conhecendo e a “agora-não-boa-fada” acaba criando um vínculo com a menina. Elas se tornam amigas. Elas criam uma bela amizade, a ponto de Malévola querer desfazer o feitiço que ela mesma fez. Repare que isso foge daquela propaganda de que “mulheres não podem ser amigas”. O confronto só surge quando a menina descobre que foi amaldiçoada por sua então melhor amiga.

Mesmo seguindo o conto, vemos Malévola indo socorrer a princesa. Claro, o príncipe está lá para dar o “beijo do amor verdadeiro”. No entanto, quem realmente salva Aurora é Malévola. É aí que vemos que não é preciso um homem para salvar uma mulher, mas uma pode salvar a outra. O gesto salvador da “agora-fada-de-novo”, na verdade, a salva de todo ressentimento que ela carregou durante todos os anos. Ela encontrou o amor verdadeiro e ainda se redimiu. E não foi preciso nenhum homem para fazer isso.

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Ou seja, Malévola conta a história de uma personagem tão humana quanto nós. É uma mulher que ama, mas também guarda rancor, busca vingança e se redime. E isso não é diferente de ninguém. O filme é mais do que se propõe. Esse pode ser um ponto de vista feminista. Ou humanista, se você preferir este termo. E essa é a grande tacada do filme. Palmas para a Disney. Mas como tudo é uma questão de interpretação, espero que você consiga ver mais do que aparece na telona.


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