Sobre o filme 500 Dias Com Ela: assista, mas não se apegue!

19. junho 2014 Cinema 0
Sobre o filme 500 Dias Com Ela: assista, mas não se apegue!

AVISO: esse texto contém SPOILER. Se você ainda não assistiu ao filme (???), procure outra coisa para ler.

“500 Dias com Ela” (500 Days of Summer, no original) é um dos meus filmes preferidos. Acho que eu já assisti a esse filme umas 10 vezes. Sou apaixonado pela história, pelos personagens, pela trilha sonora… Sempre que eu vou à locadora, quero levar o filme para ver de novo, já que ele ainda não está disponível no Netflix (tá na hora de ver isso aí!).

O filme é narrado por Tom Hansen, jovem arquiteto que trabalha numa empresa de cartões comemorativos. Ele é daqueles que acreditam cegamente no amor e de que o único jeito de ser feliz é estando com alguém. É aí que chega Summer Finn, nova assistente de seu chefe. Ela é bem o oposto dele: não acredita no amor. Pelo enredo, temos a ideia de que o filme é daquelas comédias românticas clichês. Mas não é. Já no começo do filme somos avisados de que o filme não é uma história de amor.

O filme segue uma sequência não-linear. Tom narra os acontecimentos fora de ordem cronológica, passando pelos 500 dias de momentos bons, ruins, o término do caso dos dois (Summer não gosta de colocar rótulos nas coisas), até o pós-término. Assim como ele, nós ficamos tentando entender o que deu errado. Mas será que algo deu realmente errado?

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“Você lembra dos momentos que passou com alguém, repassa-os na sua cabeça várias vezes, e procura os primeiros sinais de problema”.

Quem assiste ao filme pela primeira vez fica com muita raiva de Summer (eu também fiquei!). Afinal, Tom é carinhoso, atencioso, faz de um tudo para vê-la feliz, mas acaba levando um dolorido pé na bunda. Mas por quê?

Desde o começo do relacionamento dos dois, ela deixa claro que não quer algo sério, e Tom concorda. Acontece que o cotidiano dos dois é igual ao de qualquer casal de namorados. No entanto, Summer sempre está na defensiva. Quando a ligação entre os dois se aprofunda, ela joga um balde de água fria nele (e em nós também). Sabemos no começo do filme que os pais da moça se separaram quando ela ainda era nova, porém, não sabemos o quanto isso a afetou a ponto de não acreditar que exista o amor. Talvez essa seja a única falha do filme: não sabemos o que acontece(u) no mundo dela, já que a história se passa inteiramente pela perspectiva do jovem escritor de cartões.

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Já Tom, o eterno romântico, mesmo sabendo que o relacionamento entre os dois, provavelmente, não vai dar em nada, tenta o tempo todo provar a ela que o amor existe e que eles vivem isso. Mas ele já começa errado ao entrar num relacionamento onde apenas uma pessoa vai se entregar por inteiro. Ele passa o filme todo esperando algo dela, mas nunca recebe. E acaba frustrado. Acaba ferido e magoado. No entanto, ele sabia como seria. Na esperança de tentar “salvar” a mocinha, é ele quem terminou precisando ser salvo. Salvo de sua própria carência e de sua insegurança.

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É possível que cada pessoa se enxergue em um personagem. No meu caso, me vi sendo um pouco dos dois.

O diretor Marc Webb fez um ótimo trabalho com “500 Dias com Ela”. O filme é apaixonante, a trilha sonora tem um papel importantíssimo na história e Joseph Gordon-Levitt e Zooey Deschanel estão maravilhosos. Não me canso de assistir a esse filme. São 500 dias de coração partido e de um aprendizado importante: se um não quer, não entre nessa. E se entrar, não se apegue.

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