Porque o feminismo precisa ser interseccional, de acordo com a Pitty

02. outubro 2018 Famosos 0
Porque o feminismo precisa ser interseccional, de acordo com a Pitty

Em fevereiro do ano passado, Pitty participou de uma discussão sobre o feminismo contemporâneo,em um evento promovido pelo Senac Lapa Scipião, que teve a condução da filosofa Marcia Tiburi. Na ocasião, a roqueira baiana utilizou o palco para desconstruir mitos acerca do feminismo.

“O louco é que alguém ache que machismo e feminismo são a mesma coisa. Feminismo é a luta por direitos iguais e machismo é a supremacia de um gênero oprimindo outro. São duas coisas diferentes, mas tem muita confusão sobre isso”, disse cantora e compositora. “Percebo que quando se fala nisso a gente ouve muita maluquice, como se fosse as mulheres querendo dominar os homens, que feministas não se depilam, que feministas não casam”, diz.

Ainda no evento, ela aproveitou a oportunidade para explicar a importância do movimento ser interseccional. A fala dela já tem algum tempo, mas como um trecho em vídeo começou a circular pela internet, é válido repostá-lo e ouvir com atenção as palavras de Pitty.

“É você entender que existem outros tipos de mulher”, começou. “A gente não pode construir um feminismo com base em uma mulher, porque nós temos privilégios diferentes e a gente tem que rever nossos privilégios. Eu, hoje em dia, sou muito mais protegida do que a maioria das mulheres. Então, eu não posso olhar só para a minha condição de mulher, eu tenho que olhar para a condição das outras, tenho que dar vazão à voz das outras, que passam por diferentes situações”.

E continuou:

“Eu andei de ônibus a minha vida inteira, mas faz um bom tempo que eu não ando de transporte público. Então, como eu vou saber como é a situação de uma mulher no transporte público hoje em dia se eu não der voz a quem passa por isso? Eu acho que é esse o tipo de alteridade que a gente precisa dentro do feminismo, porque, senão, a gente constrói um feminismo branco, elitista, hétero, que só atende a uma determinada parcela de mulheres. E quando se fala de feminismo, pra mim, se trata de todas as mulheres, inclusive as mulheres trans, que determinados tipos de feminismo não reconhecem como mulheres. E, para mim, é mulher. Se vê como mulher, se veste de mulher, se reconhece como mulher, é mulher. E [as mulheres trans] ainda passam por questões relativas às misoginia e ao machismo, ainda passam por questões de transfobia”.

Esse ponto levantado pela voz de “Equalize” é importante porque as mulheres, como um todo, formam um grupo oprimido e em busca de direitos. Porém, esse grupo não é homogêneo, isto é, nem todas as mulheres passam pelas mesmas experiências: mulheres negras, além do machismo, ainda enfrentam o racismo. Mulheres indígenas precisam lidar com o machismo e brigar por suas terras. Mulheres trans lutam para ter suas identidades reconhecidas, e assim por diante. Embora pareça que há uma ‘Olimpíada de opressão’, o que acontece é que as mulheres têm necessidades diferentes e, reconhecê-las, é um ponto de partida para combater as injustiças, construir leis que contemplem suas questões e, assim, formar uma sociedade mais inclusiva e que respeite as mulheres. Todas elas.

Não só o feminismo, mas o movimento LGBTQ também precisa ser interseccional, abarcando as pautas das pessoas bissexuais, mulheres lésbicas, trans, não-binárias e demais minorias de gênero e sexualidade. Dessa maneira, conseguimos avançar na construção de um Brasil para todas, todos e todes.

Alguma dúvida de que a Pitty é a rainha do pop nacional?