Facebook, Spotify, Google, Apple e Airbnb se movimentam contra discursos de ódio

Facebook, Spotify, Google, Apple e Airbnb se movimentam contra discursos de ódio

Desde que aconteceram manifestações nazistas em Charlottesville, nos Estados Unidos, as empresas de tecnologia se viram em um grande desafio: como identificar, banir e proibir que discursos de ódio sejam propagados em suas plataformas? Não é uma tarefa fácil, mas Facebook, Spotify, Google, Apple e Airbnb já começaram a se movimentar contra esses tipos de conteúdo.

Facebook:

Mark Zuckerberg, criador da maior rede social do mundo, se manifestou contra a passeata que ocorreu na cidade do Estado da Virgínia. Em um texto publicado no Facebook, ele disse que é importante que o site seja “um lugar onde pessoas possam compartilhar seus diferentes pontos de vista e ideias”. Ele ressaltou a importância dos debates saudáveis nas redes, mas afirmou que discursos de ódio não podem ter espaço na plataforma. “Mas quando alguém tenta silenciar ou atacar os outros com base em quem eles são ou naquilo em que eles acreditam, isso atinge a todos e é totalmente inaceitável”.

Para certificar que o Facebook não seja contaminado por mensagens discriminatórias, Zuckerberg garantiu que posts que “promovam ou celebrem crimes de ódio ou atos terroristas” serão removidos. “Incluindo o ocorrido em Charlottesville”, continuou. “Com a possibilidade de novas manifestações, estamos observando a situação de perto e iremos remover quaisquer ameaças de danos físicos. Não seremos perfeitos, mas vocês tem meu comprometimento de que estamos trabalhando para tornar o Facebook um lugar em que todos possam se sentir seguros”.

Spotify:

Dias depois da manifestação nazista de Charlottesville, o site Digital Music News publicou um artigo intitulado “I Just Found 37 White Supremacist Hate Bands on Spotify”, listando uma série de grupos neo-nazistas e de supremacistas brancos na plataforma de streaming de música. Tratavam-se bandas com poucos seguidores, mas cujas canções disseminavam conteúdos extremamente ofensivos e perigosos. 

A empresa agiu rápido e, assim que o texto viralizou, a companhia começou a apagar as músicas.

“O Spotify toma medidas imediatas para remover materiais deste tipo assim que eles são trazidos ao nosso conhecimento. Ficamos agradecidos por termos sido alertados sobre esse conteúdo e já removemos muitas bandas identificadas enquanto investigamos outras”, disse a marca. Para a revista Billboard, ela também afirmou que “conteúdo ilegal ou material que favoreça o ódio ou incite violência contra raça, religião, sexualidade ou algo parecido não é tolerado por nós”.

Google:

A gigante de buscas também tomou medidas contra discursos de ódio. Há poucos dias, o Google suspendeu e removeu a rede social Gab do Google Play. Segundo o Fast Company, “embora se declare uma rede para liberdade de expressão, ela atraiu principalmente usuários da extrema direita”. 

Como justificativa para a exclusão, o Google afirmou em uma nota que o site “viola a política de discurso de ódio”. A empresa também removeu músicas de neo-nazistas do Youtube e do Google Play, e se comprometeu a apagar qualquer conteúdo similar em suas plataformas.

Airbnb:

Como lembra o site B9, no começo do ano, a Airbnb fez um comercial contra as políticas xenofóbicas do presidente Donald Trump. E na semana da manifestação de Charlottesville, a companhia cancelou reservas e bloqueou contas de usuários que queriam participar da passeata racista. Ou seja, antes mesmo da situação acontecer, a empresa tomou uma atitude de prevenção, evitando que pessoas com o intuito de  causar qualquer mal a alguém utilizasse seu serviço.

“Levemos ainda em consideração que, devido a natureza do seu serviço, provavelmente não ocasionaria repercussão negativa para a empresa [Airbnb]. O que só faz valer ainda mais a decisão de não permitir que sua plataforma seja usada por supremacistas brancos para espalhar a violência”, elogiou o B9.

Apple:

Tim Cook, presidente da Apple, enviou uma carta a seus funcionários, discordando das palavras de Donald Trump, o qual culpou supremacistas brancos e manifestantes antirracismo pela violência que aconteceu em Charlottesville, que terminou com a morte de uma mulher de 32 anos. Heather Heyer morreu atropelada por um homem que jogou seu carro contra os ativistas que protestavam contra os nazistas e supremacistas brancos. 

“Eu discordo do presidente e de outros que acreditam que há uma equivalência moral entre supremacistas brancos e nazistas e aqueles que se opõem a eles ao defender direitos humanos. Igualar os dois vai contra nossos ideais como norte-americanos”, disse o executivo. “O que ocorreu em Charlottesville não tem lugar no nosso país. Ódio é um câncer e se o deixarmos impune vai destruir tudo em seu caminho. As cicatrizes dele duram por gerações. A história nos ensinou isso repetidas vezes, tanto nos Estados Unidos quanto ao redor do mundo”.

Além da carta, Tim Cook prometeu que a Apple doará US$ 1 milhão para organizações de direitos humanos. Mas além dessa atitude, a Apple começou a apagar músicas nazistas de seu catálogo no iTunes.

É muito difícil para que empresas de tecnologia consigam identificar todos os conteúdos que se qualifiquem como discurso de ódio. Muitas delas contam com as denúncias feitas por usuários e organizações, o que nem sempre garante que o conteúdo seja excluído de forma correta. Porém, depois dos acontecimentos em Charlottesville, é perceptível que elas estão dispostas a se mover. Resta saber se as ações serão temporárias. Nós esperamos que não.


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