Estudos sugerem que os leitores de “Harry Potter” tendem a ser menos preconceituosos

Estudos sugerem que os leitores de “Harry Potter” tendem a ser menos preconceituosos

Os livros de “Harry Potter” não só tornaram infâncias e adolescências mais felizes, como também ajudaram a formar pessoas mais empáticas e sensíveis às dores dos outros.

É o que sugere o estudo The Greatest Magic of Harry Potter: Reducing Prejudice (“A Maior Mágica de Harry Potter: Diminuir o Preconceito”, em português), publicado pelo Journal of Applied Social Psychology, cujos pesquisadores avaliaram jovens do ensino fundamental, médio e universitários da Itália e do Reino Unido, os quais foram perguntados sobre como se sentiam em relação a LGBTs, imigrantes e refugiados, e com quais personagens se identificavam mais: Harry ou Voldemort.

Às crianças italianas do ensino fundamental foi dado um questionário sobre imigrantes. Em seguida, por seis semanas, elas discutiram trechos de “Harry Potter” que tratam de preconceito e intolerância. Feito isso, elas voltaram a responder o questionário, e mostraram-se mais empáticas com o grupo, especialmente por se identificarem com o bruxo mais famoso do mundo. Contudo, o resultado não foi aplicado àqueles que leram outros trechos ou que não se identificavam com o protagonista.

Já os jovens do ensino médio da Itália que leram os livros escritos por J.K. Rowling, e que se identificam com Harry, mostraram-se mais abertos e viam gays, lésbicas, bissexuais e pessoas trans com mais cuidado, diferente daqueles que não leram “Harry Potter”.

Já os universitários britânicos mais velhos foram avaliados sobre suas atitudes com refugiados. Foi descoberto que aqueles que leram os livros conseguiam ter mais empatia com essas pessoas.

Segundo o Refinery29, os resultados mostraram que aqueles que leram os livros e se identificavam com Harry aceitavam e eram mais receptivos com aqueles que vêm de grupos marginalizados. O contato do protagonista com as pessoas do seu universo contribuiu para uma visão melhor desses indivíduos fora dos livros. “Enquanto ele aprende a entender e cria empatia com vários grupos estigmatizados em seu mundo – trouxas, elfos e duendes -, os leitores aprendem a criar empatia junto com ele”, explica o site.

E um outro estudo sugere que ler “Harry Potter” distancia as pessoas dos discursos de Donald Trump, candidato à presidência dos Estados Unidos pelo partido Republicano. Chamada de Harry Potter and the Deathly Donald (“Harry Potter e o Donald Mortal”, em português), a pesquisa foi feita pela professora Diana Mutz, que afirma que “as visões políticas de Trump são amplamente contrárias aos valores apresentados na série ‘Harry Potter'”. “A exposição ao personagem pode ter um papel influente na forma como os americanos respondem a Donald Trump”, considera Mutz.

Para realizar o estudo, foram utilizados três temas que guiam os livros: tolerância e o respeito às diferenças, oposição à violência e oposição ao autoritarismo. O resultado aproximou Trump a Voldemort, rival de Harry. Foram avaliados 1.142 americanos em 2014 e em 2016, que foram perguntados se já haviam lido “Harry Potter”, suas opiniões sobre questões como afogamento, pena de morte, o tratamento de muçulmanos, gays, e seus sentimentos sobre Donald Trump em uma escala de 0 a 100 (esta última foi realizada em 2016).

“Talvez seja muito difícil para os leitores da série ignorarem as similaridades entre Trump e o louco por poder que é Voldemort”, explica a professora. “Ao longo da saga, amor e gentileza triunfam consistentemente sobre a violência e preconceito. É um tema poderoso e positivo, e por isso não surpreende que os leitores entendam a mensagem que está por trás da história e se sensibilizem com ela”.


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *