Desapontado, mas não surpreso: homens brancos falam bem mais que mulheres no cinema, diz estudo

09. agosto 2017 Cinema 0
Desapontado, mas não surpreso: homens brancos falam bem mais que mulheres no cinema, diz estudo

Estudos atrás de estudos sobre diversidade em Hollywood tem apresentado os mesmos resultados: mulheres e demais minorias têm pouco espaço em relação a homens brancos. E o recente levantamento realizado pela Escola Viterbi de Engenharia, da Universidade do Sul da Califórnia, chegou à mesma conclusão.

Com a ajuda de tecnologias especiais, como um aparelho que aprende a fazer análises linguísticas, a instituição analisou roteiros de 1.000 filmes populares lançados nas últimas décadas. Dos 7 mil personagens identificados, quase 4.900 eram homens, enquanto as mulheres eram pouco mais de 2.000. Com uma presença muito maior, eles tiveram 35 mil diálogos, enquanto as mulheres tiveram apenas 15 mil.

Esse não foi o único dado ruim do estudo: além da quantidade menor de mulheres, elas também eram menos essenciais para o desenvolver da narrativa. Minorias étnicas também foram pouco representadas. E quando apareciam, eram retratos marcados por estereótipos.

Cena do filme “Girls Trip”

O foco do estudo foi maior nas falas dos personagens. Verificou-se que latinos tinham mais diálogos ligados à sexualidade, enquanto negros falavam mais palavrões em suas conversas. No que diz respeito a gênero, mulheres tinham uma tendência maior a ser positivas e usar palavras mais associadas à família. Já os homens tinham diálogos ligados a conquistas e bravura.

A mesma pesquisa quis verificar ainda a importância das mulheres nas tramas. Basicamente, quando as mulheres são removidas dos filmes, a narrativa não sofria alterações. A exceção foi encontrada nas produções de terror, nas quais as personagens femininas são, geralmente, as vítimas.

“Entender o conteúdo da mídia é um passo a mais para entender o impacto dela nas pessoas”, afirmou o Dr. Narayanan Shrikanth, um dos autores do levantamento ao New York Times. “Essas são as ferramentas. Como elas são utilizadas, cabe às partes interessadas – os criadores – com as histórias para contar”.

Também foi identificado pelo estudo que o gênero dos roteiristas influencia nos personagens que aparecem na frente das câmeras. Quando há mais mulheres trabalhando no roteiro, há 50% mais personagens femininas em cena. Infelizmente, atrás das câmeras, elas também não contam com tanto espaço. Há 7 vezes mais roteiristas homens, quase 12 vezes mais diretores homens e 3 vezes mais produtores.

Ou seja, Hollywood é muito machista. Não que a gente já não soubesse, mas ver esse resultado é desanimador. E levando em conta que a indústria cultural é reflexo da sociedade como um todo, temos um grande trabalho a ser feito em todas as áreas.


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