Estados Unidos lançam programa educacional para mulheres inspirado em “Estrelas Além do Tempo”

21. agosto 2017 Cinema 0
Estados Unidos lançam programa educacional para mulheres inspirado em “Estrelas Além do Tempo”

“Estrelas Além do Tempo” continua a causar um impacto positivo, mesmo depois de sair das salas de cinema. O filme conta a história de três mulheres negras que foram fundamentais para levar o primeiro americano ao espaço. Katherine Johnson, Dorothy Vaughan e Mary Jackson tiveram suas identidades quase apagadas da história, mas o jogo virou com o livro que virou um longa indicado ao Oscar, e que arrecadou mais de US$ 230 milhões no mundo todo.

No começo do ano, a produção começou a incentivar meninas a se interessar mais por ciência e tecnologia, e agora o filme inspira um movimento do Departamento de Estado americano, o qual criou um programa educacional de intercâmbio para mulheres. Chamada de #HiddenNoMore (“nunca mais escondidas”, em português), a iniciativa convidará 50 mulheres que trabalham com ciência, tecnologia, engenharia e matemática de diferentes partes do mundo (África, Europa, Ásia e América Latina), e que irão para os Estados Unidos para participar de eventos em universidades e organizações femininas que trabalham com ciência e tecnologia, inclusive a Girl Scouts, cuja missão é o empoderamento feminino.

A campanha será patrocinada pelo Departamento de Estado dos EUA e, segundo a revista The Hollywood Reporter, é a primeira vez que um filme leva à criação de um programa de intercâmbio que é financiado pelo governo.

“Essa obra ganhou sua própria vida e iniciou coisas que nós nunca vimos antes”, disse Liba Rubenstein”, diretora de impacto social da 21st Century Fox, à THR. “Da perspectiva de impacto social, a duradoura relevância desse filme significa que não há fim para as demandas de parcerias”.

As mulheres participantes da #HiddenNoMore viajarão para os Estados Unidos em outubro e farão encontros sobre diversos assuntos envolvendo ciência e tecnologia, além de tratar de diversidade. 

Assim como em muitas profissões, a disparidade de gênero também acontece no setor de C&T. Estima-se que, apenas no Brasil, o número de mulheres trabalhando nessa área seja de 19%. Nos EUA, de acordo com o Fórum Econômico Mundial, as mulheres formam apenas 35% dos formados em ciência e tecnologia, um percentual que não mudou em 10 anos.

Segundo a Hollywood Reporter, o Departamento de Estado americano ligou para a Fox, dizendo que estava recebendo muitos pedidos das embaixadas para a exibição de “Estrelas Além do Tempo”. Em abril e maio, o filme foi exibido para “80 localidades estrangeiras”.

“Nosso objetivo é fazer com que as pessoas de diferentes comunidades falem sobre essas questões”, disse  Stacy White, diretora do programa de Visitas do Departamento de Estado. “Elas são vitais para a prosperidade e segurança dos Estados Unidos”, acrescentado que era preciso aproveitar o momento do filme.

A iniciativa é uma boa forma de trazer mais meninas para uma área que precisa de novas mentes e ideias para moldar o futuro. Quem sabe esse é um pontapé para uma mudança necessária? Quem sabe ela não inspira atitudes similares por aqui? Isso só o tempo dirá, mas já podemos comemorar.