Um até logo e obrigado aos leitores do Prosa Livre

23. janeiro 2019 Internet 0
Um até logo e obrigado aos leitores do Prosa Livre

Quando eu (Artur) comecei o Prosa Livre em 2014, eu jamais imaginaria que ele ficaria mais de 4 anos no ar. De todo o coração, não era minha intenção: naquela época, eu estava desempregado, tinha acabado a faculdade e, com as poucas economias que eu tinha, quis fazer um blog para ter um espaço para desafogar minhas ideias, além de ter um portfólio online. Vai que alguém lê o que eu escrevo e me contrata para trabalhar, né? Jamais pensei que ele se tornaria parte tão grande da minha vida.

E ele se tornou uma enorme parte da minha vida, afinal, grandes conquistas que eu tive vieram daqui. O Prosa me preenchia, pois eu podia expressar minhas ideias, minhas opiniões, ser criativo e conhecer pessoas. Foram 4 anos de muito trabalho, de várias noites acordado escrevendo, fazendo pesquisa e buscando aprender mais. Uma coisa que eu digo com muita segurança, é que o Prosa me tornou uma pessoa melhor: conheci histórias de várias pessoas, tive contato com realidades muito diferentes da minha, e tive a oportunidade de enxergar o mundo com outros olhos. Minha meta sempre foi criar um espaço para que as pessoas pudessem sentir que eram vistas e acolhidas, de criar um espaço de empatia, no qual a diversidade fosse realmente valorizada. E sinto que cumpri isso até hoje. Errei em alguns momentos, mas é aquela história: estamos em constante evolução. E eu aprendi muita coisa nesses mais de 4 anos.

E mesmo amando tudo o que o Prosa representa e faz, é preciso dar um tempo nele. Já há um bom tempo eu não tenho conseguido postar como eu gostaria, consequência do cansaço da rotina, já que trabalho em uma agência de publicidade durante uma boa parte do dia. Aos poucos, fui perdendo a disposição e até a animação para escrever. E, assim, o que antes era uma fonte de prazer, tornou-se uma obrigação – uma com a qual eu me culpo por não estar conseguindo cumprir. Há um bom tempo eu penso: vou voltar a escrever, a planejar os conteúdos, pesquisar, postar e etc. Mas a verdade é que tenho me frustrado por não conseguir, o que gera um sentimento de culpa e de vergonha em mim mesmo, que por fim acarreta em uma ansiedade enorme por não conseguir realizar algo que por muito tempo era o que eu mais gostava de fazer na vida.

Há mais do que isso também: embora eu nunca tenha criado o Prosa e o mantido até hoje pensando em lucrar com ele, é fato que manter um blog na internet demanda tempo e dinheiro. Por três anos, eu sustentei o Prosa com o dinheiro que guardei do final do meu estágio, pois eu sempre acreditei no que estava fazendo; fui a eventos em outras cidades com dinheiro emprestado e contado; investi em cursos e leituras para me profissionalizar. Ao mesmo tempo, a preocupação com o blog é constante e, como todo mundo sabe, os boletos batem à porta. Perdi as contas de quantas vezes fiquei em casa porque não tinha dinheiro nem para um café ou para pegar um ônibus para visitar um amigo. E tudo bem, como eu disse, sempre acreditei no que fiz, mas chega um momento em que você se questiona se vale a pena investir tanto em algo que não é rentável. Hoje eu tenho um emprego e tentei continuar atualizando o Prosa conforme conseguia, porém, o que era um prazer tornou-se uma obrigação que, como disse antes, gera uma ansiedade enorme por não ser mais capaz de cumpri-la.

Eu sou muito grato a tudo que conquistei nesses mais de quatro anos: com o blog, participei de um documentário que conta a evolução do movimento LGBTQ no Brasil; conheci a sede do Google; entrevistei a Elza Soares; fui aos shows do Ed Sheeran e Ariana Grande como imprensa; fiz um publieditorial; criei uma comunidade; conheci pessoas maravilhosas; fiz parcerias – inclusive com um time de blogueiras nerds e feministas que são incríveis. E me tornei uma pessoa mais madura, confiante e empática. Do lado de cá da tela, percebo o quanto me transformei com essa experiência extraordinária que é ter um blog na internet. 

E é por respeito a tudo que construí e pelo que o Prosa é, que aceito que é hora de dar um tempo. É hora de arejar a cabeça, pensar em outras coisas (ou não pensar em nada), viver outras experiências e me permitir crescer de outras maneiras, sem a obrigação de ter de realizar frequentemente uma atividade que hoje não me preenche mais como antes. Sou muito grato, de todo o coração, a todo mundo que lê, curte, compartilha, manda sugestão de pauta, que me corrige e que elogia. Meu coração salta de orgulho e gratidão com tanto carinho. Obrigado mesmo a quem acompanhou tudo até aqui. E seria injusto da minha parte não agradecer algumas pessoas:

  • ao Fernando Américo, que por muito tempo foi meu braço direito e com quem dividi pautas, risadas e conversas;
  • ao Murilo Pinhata, que fez a logo do Prosa;
  • ao Jean Carlos Gemeli, com quem dividi minha vida e quem fez toda a identidade visual do Prosa, e ficou acordado várias noites comigo para não me deixar desistir de nada e sempre me incentivando a continuar (e mandando sugestões de pauta também);
  • à Sybylla, que foi mais do que uma amiga, mas uma mentora e uma inspiração enorme para mim;
  • ao Bruno, Felipe e Ana, que estiveram comigo escrevendo no Prosa no último ano. Obrigado pela confiança e por terem embarcado nessa jornada comigo.

Não é o fim do Prosa. É um até logo – ou ao menos eu gosto de pensar assim. Sempre mudo de ideia e posso voltar a escrever daqui um mês, seis meses ou daqui um ano. Nunca gostei de planejar nada, por isso mesmo, não quero dizer que é o fim. É um até breve. Eu quero voltar a escrever, mas por enquanto, preciso de uma pausa.Vou deixar o blog ativo para quem quiser ler, mas sem novas atualizações.

Obrigado por ler e me acompanhar até aqui. Gratidão enorme. Nos vemos nessa estrada online (e fora dela também, quem sabe?).

Um abraço apertado e carinhoso,

Artur.

PS: sigam as meninas do Momentum Saga, Nó de Oito, Valkírias, Preta Nerd & Burning Hell, Nebulla, Séries Por Elas e Delirium Nerd.