A Espanha acaba de coroar sua representante no Miss Universo: Ángela Ponce, uma mulher trans

30. junho 2018 Estilo 0
A Espanha acaba de coroar sua representante no Miss Universo: Ángela Ponce, uma mulher trans

Concursos de beleza podem estar longe de ser considerados empoderadores ou inclusivos, mas há pequenas mudanças acontecendo dentro dessas competições.

Nos Estados Unidos, por exemplo, a organização do Miss America decidiu neste ano banir o tradicional desfile de biquínis, além de acabar com o desfile de vestidos de noite. Segundo Gretchen Carlson, presidente do conselho de diretores do concurso, o objetivo não é mais julgar mulheres por suas aparências, mas seus talentos, realizações e iniciativas sociais. A decisão foi tomada de forma unânime entre ela e todos os 9 membros do conselho, dos quais 7 são mulheres. É uma mudança bem-vinda e um primeiro passo importante, que ajuda a reescrever a própria história do Miss America, o qual surgiu em 1921 com uma competição de trajes de banho. 

Já no continente europeu, a novidade é que a representante da Espanha no Miss Universo 2018 será uma mulher trans. Na última sexta-feira (29), Ángela Ponce, de 26 anos, foi coroada Miss em seu país, sendo a primeira candidata trans a vencer a competição e também a primeira na competição internacional.

Natural de Pilas, cidade da província de Sevilha, Ángela descobriu aos 11 anos o que era a transexualidade. Desde 2015, ela trabalha com moda, e foi a primeira modelo trans a desfilar na Mercedes Benz Fashion Week Madrid, realizada no ano passado.

“Para muitas agências, eu não sou uma modelo válida. Não entendo poder comprar uma roupa, mas não poder desfilar com ela. Por sorte, nem todo mundo pensa assim”, disse a modelo ao site El Mundo. “A sociedade não está educada para a diversidade. Quero dizer: aqui estou eu e não sou rara, só tenho uma história diferente. Uma mulher que veio de outra maneira, mas ainda assim uma mulher”.

Ángela tentou mais de uma vez o Miss Espanha. Em 2015, ela foi eleita Miss Cádiz, e chegou a participar do concurso nacional naquele ano, porém, não saiu vencedora dele.

“Eu tenho uma coroa regional na minha cabeça”, ela disse ao Daily Mail na época. “E eu continuarei lutando para fazer com que sejamos vistas, escutadas e demonstrar que eu já sou uma rainha com a minha própria coroa”.

Três anos depois, ela sai vitoriosa do concurso e com a possibilidade de vencer o Miss Universo, que começou a aceitar mulheres trans desde 2012. Ontem, depois de receber a coroa da Miss Espanha 2017, Sofía Del Prado, Ángela afirmou querer levar adiante uma mensagem de “inclusão, tolerância, respeito e amor a mim mesma e aos demais”.

A vitória da modelo é uma boa maneira de fechar o mês do Orgulho LGBTQ. Essa conquista não é só histórica, como representa uma quebra de estigmas. Muitas vezes, mulheres trans são tratadas como ‘homens de saias’ e são frequentemente invisibilizadas na mídia. No cinema, não é raro vermos homens cisgêneros interpretando mulheres trans, reforçando esse ideal antiquado e nocivo de que, no final, as identidades delas não são válidas.

Para conquistar a coroa, é claro que Ángela teve de incorporar vários padrões cisgêneros e heteronormativos do que seria uma mulher. Muitas mulheres trans jamais conseguirão (ou querem) essa passabilidade. Mas isso não diminui o feito da modelo, que poderá incentivar o mundo a entender melhor o que é transexualidade.

Agora, nos resta escolher: Brasil ou Espanha no Miss Universo? Independente de quem seja, a história já foi feita.

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