Emma Watson explica como vivenciou o machismo em Hollywood

30. setembro 2015 Famosos 0
Emma Watson explica como vivenciou o machismo em Hollywood

Emma Watson, porta-voz da campanha “He For She“, que visa chamar os homens para construir um mundo sem discriminação de gênero, falou recentemente sobre machismo em Hollywood para o jornal The Guardian, que também entrevistou diretoras, roteiristas e produtoras. “Vivenciei machismo quando fui dirigida por 17 homens e apenas duas mulheres”, explica. “Sobre produtores, trabalhei com 13 homens e somente com uma mulher”.

A atriz britânica tem utilizado sua plataforma para jogar uma luz sobre a discriminação que mulheres sofrem por conta de seu gênero. “Eu entendi o que eu tenho que fazer e sei onde canalizar toda essa energia que veio até mim”, contou à revista People deste mês.

Contudo, o trabalho como Embaixadora da Boa Vontade da ONU Mulheres a fez perceber a dimensão dos desafios enfrentado pelas mulheres.

“Acho que meu trabalho nas Nações Unidas me fez ainda mais consciente do problema. Fui a um jantar de trabalho recentemente. Foram 7 homens… E eu”, revelou ao Guardian.

Hollywood, assim como qualquer lugar do planeta, é muito machista. Provas para isso não faltam. Emily Blunt comentou no começo do mês que seu novo longa, “Sicario”, quase não foi feito porque o papel principal era de uma mulher. Se pensarmos em quem dirige os filmes que assistimos, mulheres representam somente 1,9% dessas pessoas, e Kathryn Bigelow foi a única mulher a levar uma estatueta do Oscar por seu trabalho em “Guerra ao Terror”.

Na frente das câmeras a figura não muda. Entre os 700 maiores filmes entre 2007 e 2014, mulheres foram apenas 30,2% dos personagens. Isso é apenas para ilustrar como a indústria cinematográfica, embora pareça “moderna”, ainda é um reflexo da sociedade em que vivemos: desigual.

“Mas eu tive sorte: sempre insisti em ser tratada igualmente e ganhei essa igualdade. Muitos dos problemas que encontrei foi com a mídia, onde eu fui incrivelmente tratada de forma diferente dos meus colegas homens”, comentou Emma Watson ao The Guardian.

A União Americana pelas Liberdades Civis (American Civil Liberties Union – ACLU) resolveu se mover e acionou o governo federal americano para que investigue as práticas de contratação de Hollywood. No documento oficial, a organização escreve que há “muitas evidências estatísticas que revelam a disparidade dramática na contratação de mulheres em filmes e na televisão; mulheres são efetivamente excluídas da direção de produções de grande orçamento; e são seriamente sub-representadas na direção televisiva”.

A falta de mulheres em altas posições afeta a forma como o trabalho é realizado. Emma Watson explica que homens, frequentemente, não sabem lidar com os problemas das mulheres. “Os homens que estão no topo acham difícil de se relacionar com muitas complicações que as mulheres enfrentam e, por isso, não somos levadas a sério”.

Essa luta contra o machismo é algo importante para Emma, que tem levado a discussão sobre igualdade de gêneros para a indústria da moda também.

“É hora de mudar. Precisamos dar uma mensagem melhor para as mulheres de todas as idades, formas e nacionalidades. Precisamos fazer com que as mulheres possam se sentir confortáveis com quem são”.