Emily Blunt explica como funciona o machismo de Hollywood em programa de televisão

16. setembro 2015 Cinema 1
Emily Blunt explica como funciona o machismo de Hollywood em programa de televisão

A atriz Emily Blunt é a prova viva de que não importa o quão longe você vá, não importa a posição que você ocupe ou o trabalho que faça, enquanto for mulher, eventualmente você enfrentará machismo. Mas assim como qualquer mulher que não aceita ser subjugada por conta de seu gênero, a americana (ela acaba de conseguir a cidadania) falou sobre a discriminação que sofreu por ser mulher.

Blunt é a estrela do longa “Sicario”, onde interpreta a agente do FBI Kate Macy, enviada ao México numa missão especial para ajudar na guerra contra as drogas. Lá, ela se vê obrigada a questionar seus valores e limites para que possa sobreviver. Dirigido por Dennis Villeneuve, a produção foi apresentada em Cannes, no começo do ano, mesmo evento acusado de machismo por não permitir que mulheres sem salto alto pudessem atender às exibições dos filmes. A própria atriz, numa entrevista coletiva, protestou contra o código de vestimenta. “Todo mundo deveria usar sapato rasteiro, para ser sincera. Ninguém deveria usar saltos hoje. É muito irritante, bem quando achava que estavam chegando novas ondas de igualdade”, reclamou.

“Sicario” estreia nos cinemas mundias no mês que vem, logo, Emily tem promovido o filme em vários programas de televisão, entre eles, o “The Late Show“, apresentado por Stephen Colbert. Ao falar sobre o longa, ele perguntou a Blunt como era atuar num filme de ação, gênero onde elas representaram, entre 2007 e 2014, apenas 21,8% dos papéis.

Chamando-a de durona por sua atuação no novo filme e em “No Limite de Amanhã” (2014), o apresentador logo questionou se era justo dizer isso para “mulheres que atuam em longas de ação”. “Ninguém diz para o Bruce Willis ‘Ei, você foi durão'”, emendou. “Qual a definição de durona? É porque eu tenho uma arma nas mãos em ambos os filmes?”, rebateu a atriz.

O apresentador então lembrou que o filme quase não foi feito por ter uma mulher no papel principal. “Se você transformá-la num homem, nós aumentaremos o orçamento”, comentou a estrela de “A Jovem Rainha Vitória”.

No Festival de Cannes, Dennis Villeneuve, o diretor de “Sicario”, revelou à imprensa que foi pedido ao roteirista Taylor Sheridan para que mudasse o gênero da protagonista. “O roteiro foi escrito há alguns anos e as pessoas estavam com medo de que o papel principal fosse feminino, e eu sei que várias vezes foi pedido [a Taylor Sheridan] para que reescrevesse a personagem. Quando eu me envolvi, o roteiro estava do jeito que está e eu o abracei, assim como [os produtores] a Black Label e Thunder Road. Mas a pressão veio antes e esses caras tiveram a coragem de deixar como era”, contou Villeneuve.

Para fechar o assunto, Emily demonstrou estar acostumada ao machismo da indústria cinematográfica, e disse com sarcasmo “Bem Vindo a Hollywood”. No Festival de Cannes, ela comparou seu trabalho no longa, uma agente do FBI, ao seu trabalho como atriz. “Ela está tentando sobreviver numa profissão predominantemente masculina”.

Como mostra um estudo deste ano sobre diversidade em Hollywood, mulheres formam apenas 30,2% dos papéis, sendo que eles são ainda mais escassos em filmes de ação. Por isso, é importante que os produtores tenham ficado com a ideia original, pois reforça que mulheres podem fazer qualquer coisa e, nesse caso específico, de que há público para ver uma mulher policial.

E como uma ótima atriz que é, Emily Blunt, brincou com Stephen Colbert durante o programa, onde os dois fingiam vômito enquanto interpretavam personagens. Aperte o play e divirta-se.

H/T: Mic.

Foto de destaque: EPA/Franck Robichon.