Em vídeo, Emma Watson fala sobre desigualdade de gênero na indústria da moda

26. agosto 2015 Estilo 0
Em vídeo, Emma Watson fala sobre desigualdade de gênero na indústria da moda

No ano passado, Emma Watson assumiu mais um papel em sua vida. Mas não foi para um filme, e sim na luta pela igualdade de gêneros. Em setembro de 2014, a atriz lançou a campanha #HeForShe, um movimento que pede aos homens que se juntem às mulheres no combate ao machismo. Ela, que é capa da edição de setembro deste ano, da Vogue UK, conta que ser Embaixadora da Boa Vontade da ONU Mulheres lhe deu “um sentimento de pertencimento e propósito”. “Eu entendi o que eu tenho que fazer e sei onde canalizar toda essa energia que veio até mim”.

Quase um ano depois, Watson continua advogando pela causa. Em um recente vídeo, uma parceria com revista Vogue britânica, ela joga luz à desigualdade de gênero dentro da indústria da moda. Embora pareça quase inteiramente voltada às mulheres, um olhar mais próximo mostra que não é bem assim. O site Mic mostra que mulheres representam apenas 1,7% dos cargos de CEO nas empresas de varejo e também são minoria entre designers.

“Quero ter essa conversa, esse diálogo, especialmente dentro da indústria da moda, para falar sobre igualdade de gênero com a liderança”, pede Emma no vídeo.

Ao lado da atriz estão os designers Jonathan Saunders, Bella Freud, Erdem Moralioglu e Stella McCartney. Todos eles falam sobre questões importantes para alcançar uma igualdade entre homens e mulheres na moda. Entre elas, a licença para mães e pais, medida adotada pelo serviço de streaming de filmes e séries, o Netflix, e salários iguais e justos.

Um dos designers, Jonathan Saunders, conta que é “fácil pensar de que se está trabalhando em um ambiente muito liberal, onde homens e mulheres são tratados da mesma maneira, onde não parece haver nenhuma preferência de gênero, então é fácil negligenciar o assunto”. E como mostrado anteriormente, não é bem assim.

E no que diz respeito às modelos presentes nas passarelas, campanhas e ensaios fotográficos, a figura ainda não é positiva. A Semana de Moda de Nova York deste ano foi muito elogiada por colocar nos desfiles pessoas com algum tipo de deficiência, contudo pessoas de outras raças e etnias pouco subiram no palco. Aliás, em 2014, modelos brancas corresponderam a 79% do total de participantes. Modelos não-magras, de diferentes raças e etnias, e pessoas trans, por exemplo, ainda são pouco representadas.

A pluralidade do ser mulher foi lembrada por Stella McCartney, que diz acreditar que a moda deve refleti-las. “Acho que a moda tem um papel importante no jogo e tem uma grande voz, e essa voz precisa ser adaptada”, afirma a designer.

“É hora de mudar. Precisamos dar uma mensagem melhor para as mulheres de todas as idades, formas e nacionalidades. Precisamos fazer com que as mulheres possam se sentir confortáveis com quem são”.

De fato, a moda tem grande participação na forma como as mulheres se veem e são vistas. Inseguranças com os corpos não são novidade para meninas e mulheres do mundo todo, que veem o padrão de corpos magros estampando publicações, fazendo comerciais e desfilando nas passarelas. Não só isso, a sexualização dos corpos também é algo recorrente. “Acho que é um assunto importante a forma como as mulheres são retratadas no imaginário da moda. Precisamos ser muito cuidadosos com as imagens que produzimos, de forma que empoderemos as mulheres, ao invés de fazê-las parecerem mais fracas e frágeis. Acho que todos precisamos ter mais consciência disso”, explica Saunders.

Por fim, Emma diz estar positiva sobre o futuro da moda, mas que ainda há muito a ser feito. “Tenho grandes esperanças pela igualdade de gêneros na indústria da moda”, diz a atriz.

“Acho que está melhorando, vi vários passos positivos em direção à igualdade, mas ainda há muito racismo e muito machismo. Eu adoraria ver uma representação mais diversa de mulheres e homens, de forma que os façam se sentir empoderados”, finaliza a Embaixadora da Boa Vontade da ONU Mulheres.