Em um ano de elogiados filmes feitos por mulheres, o Globo de Ouro optou por excluí-las da categoria Melhor Direção

12. dezembro 2017 Cinema 0
Em um ano de elogiados filmes feitos por mulheres, o Globo de Ouro optou por excluí-las da categoria Melhor Direção

Ontem (12), a Associação dos Correspondentes Estrangeiros de Hollywood divulgou a lista dos indicados ao Globo de Ouro, prêmio concedido aos melhores da televisão e cinema. Séries como “Big Little Lies”, “Feud: Bette and Joan”, “The Crown”, “The Handmaid’s Tale” e “Master of None” foram lembradas em algumas categorias, assim como os filmes “A Forma da Água”, “The Post: A Guerra Secreta” e “Três Anúncios para um Crime”.

Contudo, as mulheres parecem ter sido esquecidas pela premiação, já que nenhuma delas foi indicada na categoria de Melhor Direção. Infelizmente, essa é uma tradição no Globo de Ouro, que até hoje, só teve 5 mulheres concorrendo a essa estatueta dourada. E nesses 74 anos, apenas uma saiu vencedora: Barbra Streisand, em 1984, com o longa-metragem “Yentl”.

“Eu espero que ele [o prêmio] represente novas oportunidades para tantas mulheres talentosas, para que elas possam tornar seus sonhos em realidade, assim como eu”, disse a diretora e atriz naquele ano. Porém, em mais de 30 anos, ainda espera-se pelo dia em que uma mulher repetirá o feito de Barbra.

Em 2018, Guillermo del Toro (“A Forma da Água”), Martin McDonagh (“Três Anúncios Para um Crime”), Christopher Nolan (“Dunkirk”), Ridley Scott (“All The Money in the World”) e Steven Spielberg (“The Post: A Guerra Secreta”) estão no páreo pelo Globo de Ouro.

É fato que o número de mulheres dirigindo filmes é menor que o de homens. Em 2016, segundo um estudo da Escola Annerbeg de Comunicação e Jornalismo, 120 diretores trabalharam nos 100 filmes mais populares do ano passado, sendo 95,8% deles homens (115) e 4,2% mulheres (5).

Mas pior ainda, entre 2007 e 2016, apenas 4,1% dos diretores eram mulheres nos 900 maiores filmes lançados nesse período. Desde o primeiro ano em que o levantamento começou a ser realizado, apenas 34 mulheres trabalharam na direção de algum longa uma ou mais vezes. 30 delas tiveram somente uma chance de dirigir um filme.

Mas somente o número baixo de diretoras não justifica a exclusão total de mulheres da categoria. E isso porque, somente em 2017, mulheres fizeram filmes muito elogiados e com sucesso de público. A começar com o sucesso óbvio de “Mulher-Maravilha”, dirigido por Patty Jenkins, e que arrecadou mais de US$ 821 milhões de dólares no mundo todo, e tem uma avaliação positiva de 92% no Rotten Tomatoes. Ainda assim, ambas Gal Gadot e Jenkins foram ignoradas pela Associação dos Correspondentes Estrangeiros de Hollywood.

Além delas, Greta Gerwig, que fez sua estreia na direção com “Lady Bird – A Hora de Voar”, também foi esnobada. Seu longa foi o mais bem avaliado no Rotten Tomatoes, por semanas, superando “Toy Story 2”, com 100% de aprovação. Hoje, ele está com 99% (graças a uma crítica negativa), com base em 199 críticas. Até mesmo a diretora Dee Rees, com o muito bem avaliado “Mudbound”, foi deixada de lado. 

Isso tudo faz pensar o que mais uma mulher precisa fazer para conseguir uma indicação ao Globo de Ouro, já que nem mesmo críticas positivas e sucessos de bilheteria parecem ser o suficiente para realizar tal feito. Para não dizer que tudo está perdido, Angelina Jolie e “First They Killed My Father” concorrem a Melhor Filme Estrangeiro, e “The Breadwinner”, produzido por Jolie e dirigido por Nora Twomey, disputa “Melhor Animação”. Ainda assim, é pouco e é frustrante que as mudanças envolvendo diversidade em Hollywood ainda não tenham chegado atrás das câmeras.

Também vale notar que Jordan Peele também foi ignorado na categoria de Melhor Diretor, mesmo depois do sucesso de público e de crítica com “Corra!”. Já nas categorias de atuação, uma infeliz coincidência: todas as mulheres nas categorias de Melhor Atriz em Filme e Série de Drama são brancas. Issa Rae é a única negra disputando Melhor Atriz em Série de Comédia.

Isso não quer dizer que todos os indicados não tenham mérito. Mas é triste que anos após ano, mulheres e minorias étnicas continuem sendo apagadas e tendo que lutar por visibilidade.

O Globo de Ouro será exibido no dia 7 de janeiro. Confira a lista de indicados aqui.


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